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25.7.14

Crítica: Planeta dos Macacos: O Confronto

PLANETA DOS MACACOS: O CONFRONTO

Dawn of the Planet of the Apes

Ação/ Drama/ Suspense
Estados Unidos, 130 minutos.

Direção:
Matt Reeves

Roteiro:
Mark Bomback, Amanda Silver

Elenco:
Andy Serkis, Jason Clarke, Tori Russel, Gary OIdman, Toby Kebbell


Não é de hoje que Hollywood se vendeu aos deslumbres dos efeitos especiais e vem a cada dia oferecendo filmes que deixam diretores, roteiros e atores de lado para segurar o expectador com ações desenfreadas com pirotécnicas espetaculares, escondendo muitas vezes a grande porcaria que é exibida em telas. Michael Bay e Roland Emmerich estão aí para provar isso. Atualmente a maior indústria de filmes do mundo perde criatividade por medo do mercado e apela cada vez mais para o que é “comercialmente” aceito. Escolhas feitos por executivos que acham que sabem o que as pessoas realmente querer ver ou não. Claro que isso é tão relativo que grandes apostas viram fracassos épicos. John Carter, O Cavaleiro Solitário e grande parte dos filmes da Disney nos últimos 10 anos deixaram mais do que um rombo financeiro à produtora. Mas afinal, qual é o problema de entreter o público com longas recheados de CGI? Nenhum. Desde que o diretor saiba que computação gráfica é usado para contar uma história e não um elemento que segura a história. Pontos que parecem simples, mas são cruciais. Isso parece impossível para um blockbuster americano? Não, não é. Planeta dos Macacos: O Confronto é prova disso.

A captação de movimentos criada por James Cameron para Avatar foi um marco na indústria. Gravidade assustou pela verossimilhança com o claustrofóbico espaço de Alfonso Cuáron. Aqui, a tecnologia é elevada ao nível extremo ao ponto de criar choque. É, definitivamente, um registro na história. Principalmente porque amplia a competência da proposta do diretor e do redondo roteiro de Mark Bomback e Amanda Silver, fazendo o público temer realmente macacos que não existem. Mas que isso, comove, expressa e se comunica se maneira tão perfeita que a admiração do trabalho é inevitável. Se no anterior estes elementos pareciam excelentes, espere para se impressionar com esta continuação.

A história se passa 10 anos após os incidentes do anterior. A doença iniciada em “A Origem”, aqui, já destruiu quase toda vida na Terra. Os macacos imperam, sendo parte deles comandados por Cesar (Andy Serkis). Os poucos humanos que restaram se afugentam em esconderijos ou zonas de segurança. Um dos grupos em meio a uma selvagem São Francisco, liderados por Dreyfus (Gary Oldman), teme que a falta de energia extinga seu pessoal de vez, achando uma alternativa junto de Malcolm e Ellie (Jason Clarke e Teri Russel), em uma represa do outro lado da cidade. Exatamente onde os macacos se concentram. Após um inevitável confronto, Cesar tenta aceitar a necessidade de ajudar a raça humana a se manter viva, o que causa conflitos internos dentro de seu próprio grupo e após erros de ambos os lados, uma grande guerra acontecerá.

O roteiro do fraco Bomback é simples, redondo e um tanto previsível. Mas apesar disso, Silver, que ajudou a escrever o anterior, faz com que o texto não perca os bons elementos criados para a franquia. O polimento de toda esta história fica por conta de Matt Reeves, diretor que, sem grandes experiências, vem conseguindo seu espaço dentro da indústria por sua direção de personalidade, mas que não esquece o produto que tem para “vender”. Principalmente em um longa cujo orçamento passa os 170 milhões de dólares. Os dois grandes acertos do diretor de Cloverfield são sábios: dar espaço para os atores, principalmente Serkis, brilhar e garantir uma perspectiva para o longa que garanta que o público se coloque de ambos os lados, não apenas o dos humanos. Uma vez feito isso, não existem mocinhos ou vilões em Planeta dos Macacos: O Confronto, apenas o medo das duas pontas de perderem o que se foi conquistado. Assim tanto o diretor perde a necessidade de evidenciar heroísmo, algo clichê neste subgênero, garantindo mais abertura para novos horizontes, fazendo com que o expectador possa compreender criaturas que, aparentemente, parecem incompreensíveis. E para este meticuloso trabalho, os efeitos especiais garante o tal marco citado anteriormente. Nunca no cinema alguém conseguiu esboçar tanta expressão através da tecnologia, principalmente em animais. Este é, de fato, o ápice.

Sendo assim, os atores como Jason Clarke, Keri Russel, que interpretam os protagonistas humanos no filme (os macacos são, em sua grande maioria, pessoas captadas por câmeras especiais) chegam a perder espaço, mesmo mostrando competência. E competência é algo que nunca falta a Gary Oldman. Mas, como não poderia ser por menos, aqui são os macacos que dominam. Andy Serkis já havia posto a grande dúvida na cabeça dos selecionadores do Oscar sobre uma indicação a melhor ator para seu papel como Cesar anteriormente, mas este ano será realmente muito difícil ignorar este trabalho assombrosamente memorável. A tradicional academia talvez deva reconsiderar algumas regras ou criar uma futura categoria, pois a captação de movimentos é uma tendência que está longe de ser modinha e cada vez mais aparecem trabalhos dignos de premiação.

Planeta dos Macacos: O Confronto não é uma película genial, mas tanta competência técnica junto a sua proposta, do elenco e da direção muito firme e precisa Reeves (que é conduzida de forma que agrade o grande público, afinal, estamos falando de um blockbuster ainda), não deixa de ser uma obra de potenciais bem explorados, tanto artística e comercialmente dizendo, sendo impossível passar em branco. Só a magnífica trilha de Michael Giacchino já chamaria atenção o suficiente. E com tantos méritos e uma diversão mais que garantida, Cesar conquista parte do topo dos grandes lançamentos do verão americano deste ano até o momento. Vai precisar de há rugida mais do que firme para derrubá-los de lá.

Nota: 9/10


(PS: Deixe a edição de 3-D de lado. Não possuí qualquer elemento em terceira dimensão, fará você pagar mais caro e ficar com óculos incômodos até o fim da sessão.)

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