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30.7.14

Crítica: Penny Dreadful

PENNY DREADFUL

Suspense/Terror
Estados Unidos/Irlanda/ Reino Unidos, 480 minutos. (aprox.)

Criação:
John Logan (diretor), Sam Mendes (produtor executivo)

Elenco:
Josh Harnett, Eva Green, Timothy Dalton, Harry Treadaway, Danny Sapani, Rory Kinnear, Reeve Carney, Olivia Llwellyn

Há meses deixei explicitamente claro a minha decepção com a primeira temporada de American Horror Story. Tanto potencial foi desperdiçado com cópias em tom de “homenagem” a clássicos da literatura e do cinema americano. Na série exibida na Fox, criada por Ryan Murphy, em nenhum momento sequer este tom. Pelo contrário, utiliza de cenas, takes, fotografia, e sacadas de grandes diretores onde, em uma grande “mistureba”, finge mostrar algo realmente novo. Pura besteira. Entretanto, a falta de qualidade não espantou a audiência e claramente abriu um leque de um novo público ali. Por questões mercadológicas ou não, Sam Mendes junto de seu parceiro no roteiro de 007 – Operação Skyfall, John Logan, responsável também pelo texto do brilhante A Invenção de Hugo Cabret, decidiram ir um pouco além da proposta da “concorrente” e criar uma série de grandes clássicos do terror/horror europeu. O resultado é muito feliz em sua execução: Penny Dreadful faz o telespectador embarcar em uma história muito interessante, repleta de personagens atraentes e, principalmente, sabe explorá-los de maneira que demonstra respeito aos cânones inspirados, mas sabe que deve seguir seu próprio caminho. Não é uma adaptação e seus criadores não tentam em nenhum momento fazer parecer uma.

A história mescla Lobisomem, o charmoso Dorian Gray, Drácula, Van Helsing, Frankenstein, avançando por diversas literaturas poéticas, como Shakespeare, por exemplo. Mas é em Malcolm Murray (Timothy Dalton) e Vanessa Ives (Eva Green) que a trama central foca. A série começa com Malcolm e Vanessa precisando da ajuda de exibicionista de circo Ethan Chandler (Josh Harnett) para protegê-los de algo não humano. Logo vamos descobrir que os dois estão atrás de Mina, filha de Murray e amiga de Ives, que foi levada para um mundo sombrio por um vampiro. Conforme a missão vai se mostrando mais difícil e completa, ambos vão incluindo outros membros dentro do grupo para ajudar a desvendar onde realmente está a jovem. O que nenhum deles sabe é que cada um carrega um segredo pessoal diferente, deixando as circunstâncias, já extraordinárias, muito mais instáveis do que poderiam imaginar.

Logan e Mendes sabem das expectativas que envolvem uma série quando decidem utilizar tantos personagens conhecidos, mas, os poucos, vão mostrando que não tem medo de arriscar sua própria linha criativa, muito menos sacrificar grandes nomes por conta de sua fama. Sendo assim, Penny Dreadful avança em seu mundo instigantemente dark gradualmente, aumentando aos poucos o tempo de suspense do seriado.

Mesmo com poucos episódios, a série televisiva consegue explorar com precisão seus personagens mais interessantes. Entretanto, seu tom psicossexual parece ter efeito tridimensional no desenvolvimento dos protagonistas fazendo com que Penny Dreadful avance sua história como um flerte, de maneira que instiga e manipula o público a querer saber mais, mesmo nem sempre oferecendo este “mais”. Não se trata de algo frustrante, pelo contrário, aumenta a expectativa pela segunda temporada.

O ótimo elenco é muito bem comandado e, diferentemente de American Horror Story, possuem conexão com os telespectadores, por mais monstrengo que possam ser estes personagens. Algo que parece ter sido trazido do longa de Scorsese. Os destaques artísticos vêm de Harry Treadaway como Dr. Frankenstein e Eva Green como Vanessa. A ex-Bond Girl encarna sua personagem de forma complexa, transpondo muito bem o tom de mistério e perturbação que Ives carrega desde a infância. Os momentos de possessão são realmente assustadores graças à competência da atriz e o episódio inteiro em flashback contando sua vida é um dos altos da série.

Sem muitas firulas para usar de passatempo, Penny Dreadful faz jus à sua denominação de “conto” em sua linguagem original, repleta de terror, cenas sanguinolentas, misteriosas e sexuais (principalmente, como não poderia deixar de ser, protagonizadas por Dorian Gray, em sua personificação mais perfeita para a mídia visual), mas, por mais que não se leve a sério, não dá para chamar uma série tão divertida e competente em sua proposta de “conto barato”, por mais despretensioso que o título insinua. A concorrência chegou para American Horror Story e chegou muito forte!


Nota: 9,0/10

2 comentários:

  1. Una serie plagada de personajes formidables y grandes actuaciones. Definitivamente el no ha podido ser más positivo: la serie ha sido definida como "imprescindible", "espectacular, impactante y prometedora" y se ha valorado especialmente tanto la escenografía como el trabajo de fotografía que nada tiene que envidiar a una producción cinematográfica. La nueva temporada temporada está lista y de verdad promete muchísimo, ojalá logre sorprendernos y engancharnos con esta segunda etapa.

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  2. Uma das minhas irmãs e viu a primeira temporada desta série e, na verdade , é uma das http://www.hbomax.tv/penny-dreadful-2/>melhores séries que tem visto medo. Só porque ela recomendou -me ir ver , a aprte , eu li comentários que mesmo apoio de sua história.

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