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11.7.14

O Outro Lado de Harry Potter


Não sou do tipo que adora teorias de conspiração sobre uma obra, principalmente quando existe uma ambição de querer fazer o que era mágico ficar menos poderoso. Pelo contrário, quero compartilhar um outro lado sobre a aclamada história de Harry Potter, que encantou milhões de pessoas no mundo, inclusive eu, que tive uma grande inspiração quando criança pelo mundo de J.K Rowling. Notei que poucas pessoas conseguiram chegar a esta conclusão, ou melhor, a esta perspectiva deixada pela escritora o tempo todo entrelinhas, que acabou diminuída para aqueles acompanharam apenas os filmes.

As perguntas são sempre as mesmas: Por que Voldemort quer matar Harry Potter? O que o menino bruxo tem de tão especial que possa ameaçar a vida do bruxo mais poderoso de todos os tempos? Bom, a parte mais explícita desta história Rowling já deixou bem clara a todos. Mas deixemos a resposta “oficial” de lado para nos questionarmos, o que Harry Potter tem de tão especial? Oficialmente ele é a chave de tudo, mas a resposta mais honesta é: nada. Ele não passava de um bebe como qualquer outro. E aí você se pergunta, como assim? Bom, vamos lá.

Tom Riddle já nasceu uma criança extraordinária. Em Harry Potter e o Enigma do Príncipe, J.K conta com detalhes a infância do garoto deixado no orfanato e que desde que chegara, mostrava habilidades incríveis, por mais assustadoras que fossem. Não demorou a compreender o poder que tinha, foi seduzido pela ambição e anos mais tarde tornou-se o bruxo mais temido de todos.

Para combater o desejo doentio de Voldemort em transformar o mundo da magia em um lugar sob sua repressão, apenas para sangues puros e aniquilando de todos que não se encaixassem em seu regime, a Ordem da Fênix surgiu comandada por Dumbledore, o único bruxo que Voldemort realmente temia.


Enquanto o Lorde das Trevas estava no auge do seu poder, Alvo procurava uma professora de adivinhações para lecionar em Hogwarts quando recebeu um convite de uma candidata que era parente meio distante de Cassandra Trelawney, uma famosa vidente. Descrente que ela pudesse ter o mesmo talento que sua descendente, Dumbledore já estava se despedindo quando a mulher desajustada e esquisita começou a falar em tom rouco: "Aquele com o poder de vencer o Lorde das Trevas se aproxima… nascido dos que o desafiaram três vezes, nascido ao terminar do sétimo mês… e o Lorde das Trevas o marcará como seu igual, mas ele terá um poder que o Lorde das Trevas desconhece… e um dos dois deverá morrer na mão do outro, pois nenhum poderá viver enquanto o outro sobreviver…aquele com o poder de vencer o Lorde das Trevas nascerá quando o sétimo mês terminar…". Essa iria ser a primeira concreta profecia de Sibila Trelawney, que imediatamente teria a atenção de Dumbledore e se tornaria professora de adivinhações em Hogwarts. O problema de toda esta história é que o encontro dos dois fora no Cabeça de Javali, pub cuja clientela era, no mínimo, eclética e um dos servos de Voldemort observava a conversa de ambos e que foi descoberto no meio das falas da vidente, sendo expulso do local. Mesmo sem ouvir a conclusão, não demorou para que o homem levasse a história ao Lorde das Trevas, causando um alvoroço na cabeça d’Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado.

O grande dilema para o Lorde das Trevas era que dois bebes se encaixam dentro da profecia: Harry e Neville Longbottom. Após uma avaliação das crianças, Voldemort acreditou que fosse Harry o escolhido, pois mesmo sendo mestiço, fato que abominava, ele supôs que Neville aparentava ser frágil demais para um dia poder combatê-lo de igual para igual. Foi assim que tudo começou.


A história descrita acima vai se desenrolando dentro dos sete livros e Rowling vai insinuando aos poucos que tudo o que aconteceu em seus livros poderia ter sido evitado de forma simples. Sibila nunca teria concretizado a sua primeira profecia se Voldemort não fosse prepotente  e não decidisse matar o bebe antes que ele crescesse. Quando a história se tornou forte o suficiente, houve esperança de um lado e temor do outro. A mãe de Harry lançou o feitiço do amor para poupar a vida de seu filho e parte da alma do Lorde das Trevas ricocheteou para dentro da criança, marcando a testa do bebe com uma cicatriz em formato de raio, iniciando a concretização da profecia.

Em Harry Potter e o Cálice de Fogo, Voldemort consegue restaurar seu corpo e se encontra cara a cara com o garoto pela primeira vez. Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado diz a Harry que muitas mentiras foram criadas em cima de sua fama, passando despercebido até por ele, principalmente por sua arrogância, que ele mesmo poderia ter evitado tudo isso. Se Voldemort tivesse ignorado a profecia, o garoto cresceria como uma criança qualquer. Não haveria maiores ameaças, muito menos parte de sua alma dentro do corpo de Harry. Além de toda a expectativa que se criou em cima do garoto franzino que foi o único que sobreviveu a maldição da morte, o menino jamais teria conseguido, por exemplo, ser escolhido pela varinha gêmea de Voldemort, quando entrou na loja de Olivaras pela primeira vez. Como disse por diversas vezes Olivaras “A varinha escolhe o bruxo, não o contrário”. Sua fala se diz principalmente ao fato das varinhas se entrelaçarem à alma do bruxo, criando assim uma poderosa conexão. Este é um dos motivos das varinhas parecerem “fieis” a determinados bruxos, caso que vem acontecer com o próprio Voldemort em As Relíquias da Morte e faz também com que o Lorde das Trevas não consiga atingir letalmente Harry.


Mesmo que Harry viesse a entrar na Ordem da Fênix quando crescesse para combater o poderoso bruxo, assim como seus pais, ou mesmo com eles, que chances um garoto comum, com uma varinha comum e sem a proteção exclusiva de poderosos bruxos teria contra o bruxo mais poderoso de todos os tempos? Nenhuma. Resposta que é evidente nas comparações das habilidades de Harry com seu pai. Tiago, por melhor que fosse em quadribol e tivesse uma boa desenvoltura para feitiços e magia, a sua inteligência não era comparada a de grandes bruxos. Tanto é que Voldemort fica em dúvida entre as crianças e escolhe uma delas pela aparência saudável, sem sequer considerar a família delas, mostrando que ambas, apesar de terem boas intenções, de nada extraordinárias tinham.

A cada passo que deu, Voldemort cravou seu próprio túmulo. Sua prepotência em acreditar em rumores, sim, rumores! Afinal, se Sibila jamais tinha acertado uma grande profecia, quais a verdadeiras chances de ela estar certa? Durante os setes anos, poucas são as adivinhações concretas de Trelawney, algo que incomoda aos alunos, especialmente Hermione, que acreditava que a professora era uma fraude. A história “oficial” mostra que não, afinal, foi ela quem profetizou o futuro de Voldemort e Harry. Mas isso se tornaria realidade, como já dito antes, se o Lorde das Trevas tivesse ignorado a tal profecia. Profecia que, aliás, nunca chegou a ser ouvida pessoalmente por ele, já que o rumor veio primeiramente de um servo e em A Ordem da Fênix, Lucius Malfoy deixa o globo que contém a profecia cair, perdendo de vez as palavras proferidas por Trelawney.


O provável fim para Voldemort seria de sucesso. Se nada disso tivesse acontecido a Harry, e a profecia fosse ignorada, o único temor de Tom Riddle seria Dumbledore. Problema que posteriormente seria dissolvido pela inveja do diretor de Hogwarts às habilidades do Lorde das Trevas, algo evidente e explícito pela autora em O Enigma do Príncipe. E com profecia ou não, as horcruxes poderiam ser encontradas por Alvo, mas sua inteligência seria sabotada por sua ambição, aonde viria a possuir o anel amaldiçoado de Marvolo, que o levaria a morte, assim como na história “oficial”.

Há diversas outras perspectivas sobre a história, uma delas vindas até mesmo da própria autora, dizendo que Harry poderia ter imaginado tudo dentro armário sob as escadas, na Rua dos Alfineiros, tentando esquecer a morte trágica dos pais em um acidente de carro. Claro, não passava de uma brincadeira de Rowling. Mas o fato é que existe mais do que os olhos podem ver em suas histórias e elas serão eternizadas por isso.

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