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7.4.14

The Walking Dead (4ª Temporada)

THE WALKING DEAD

Estados Unidos, 2014 – 672 min. (aprox.)
Drama – Série de TV

Roteiro:
Scott Gimple

Elenco: 
Andrew Lincoln, Sarah Wayne Callies, Laurie Holden, Steven Yeun, Chandler Riggs, Norman Reedus, Melissa McBride, Lauren Cohan, Scott Wilson, Emily Kinney, Michael Rooker, Danai Gurira, David Morrissey


Após o final polêmico da terceira temporada, ninguém sabia ao certo o futuro de The Walking Dead. A série criada por Frank Darabont passou ao longo dos anos trocando de mãos para tentar encontrar seu porto seguro. Desde o começo, o que não faltou foram conflitos e até o próprio Darabont deixou a adaptação das HQ’s de Robert Kirkman, causando desespero nos produtores executivos já que a série, apesar de instável, não parou de bater recordes de audiência, portanto, nada mais preocupante do que não encontrar o rumo certo de um material com extremo potencial e um caminho para se seguir. Após uma excepcional quarta temporada, os executivos de um dos seriados mais assistidos de todos os tempos podem deitar tranquilamente em suas camas, pois o tom ideal foi encontrado para a série, que sem grandes dificuldades, atingiu seu ápice este ano.

A trama continua exatamente onde parou. Rick tenta reconstruir uma vida pacifica dentro da prisão com seus novos moradores, mas tentando evitar a violência do mundo fora das grades, para se dedicar ao cultivo. Quando tudo aparenta estar calmo e em paz, uma misteriosa e mortal doença aparece e começa a ameaçar a vida de todos ali. Um conjunto acontecimentos e atitudes estranhas dentro do local fazem o grupo ficar à espreita e suspeitando que alguém anda alimentando os zumbis. Para piorar, o recuo do Governador à armadilha que foi lhe montada anteriormente parece não surtir mais efeito, fazendo com que ele busque um grupo de refugiados para manipulá-los e buscar vingança.

A entrada de novos produtores mais sábios e com bom senso fez com que todos admitissem os erros cometidos na temporada anterior. Senso assim, a história entre Rick e o Governador que deveria ter se encerrado lá atrás e que não se encerrou de fato, não poderia tomar toda esta quarta temporada. Mas também seria impossível ignorar o que havia sido feito, muito menos prosseguir com o seriado sem dar uma resolução plausível a tudo o que aconteceu. A primeira parte desta quarta temporada resgata os bons elementos do terceiro ano e adiciona muita criatividade, profundidade e reflexão em todo o material. O contágio na prisão, por exemplo, foi uma saída excelente que os produtores encontraram de evoluir The Walking Dead a um patamar que ele poucas vezes, se é que conseguiu atingir alguma vez: intangibilidade. Sempre houve muito físico no material e esse novo elemento acrescentou um desespero ainda não abordado dentro da série e tudo é desenvolvido com muita maturidade.

Com um roteiro muito mais maciço, complexo e com uma abordagem excepcional, os produtores deste quarto ano mostram competência e constroem um belíssimo arco dramático durante toda a série, avançando com muita precisão os mistérios que envolvem esse ano, assim como a rixa entre o Governador e Rick, sem aumentar mais elementos dentro da história, que sabe o tempo todo o foco do que se precisa apresentar. Senso assim, quando realmente chega a hora do confronto este mocinho e bandido, The Walking Dead consegue transmitir cada angustia dos personagens que estão no meio daquela guerra, dando muito sentimento para o telespectador, ao invés de apagar fogo com copo d´água, como foi feito anteriormente. Faz quase o público esquecer a frustração que todos ficaram com o fim da terceira temporada.

E quando todos acharam que a série ia caminhar para a mesmice ou sofrer novamente com problemas de roteiro, uma vez que desenrolou o que parecia o “gran finale” já no meio deste ano, os produtores mostraram que escondiam as melhores cartas para o final e, a partir de seu meio para frente, choca o telespectador com o melhor que pode apresentar. Não caí na fraqueza de querer acelerar toda a trama para ganhar quem assiste na violência gratuita e no entretenimento barato e mostra extrema disposição para desenvolver todos os personagens com excelente abertura, sem exceção. É incrível e muito gratificante ver como a série consegue entender a explosão de drama que criou durante tanto tempo, e abre espaço para os protagonistas irem se descobrindo em seus interiores e resgatando com que havia sido esquecido há tanto tempo. A coisa é levada tão a sério que em diversos episódios, Rick sequer aparece em telas e isso amplia com sutileza e atenção as perspectivas de todo o seriado.

Para revelar tudo o que tem a mostrar, The Walking Dead novamente não poupa o telespectador e o choca com brutalidade em diversas cenas. Há no mínimo duas que assombram e perturbam a quem assiste de maneira nunca vista antes e isso parece ser impossível de se imaginar, principalmente para uma série com tanta violência gráfica. Pois bem, prepare-se para muito tormento moral e fortes emoções.

Revivendo as melhores sacadas criativas, explorando novos elementos sem entrar em conflito ou incoerência com que já havia criado e proporcionando cenas épicas, esta quarta temporada aponta um marco de estabilidade de tom para a série, que pareceu se encaixar perfeitamente agora. Ah, e o final da temporada? Os produtores não foram apressados e esperaram o momento certo, da maneira correta, para deixar a todos contando os dias para o quinto ano. Outubro nunca pareceu tão longe.


Nota: 10/10

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