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25.3.14

Crítica: Need for Speed - O Filme

NEED FOR SPEED - O FILME
Need for Speed

EUA, 2014 - 130 min.
Ação

Direção:
Scott Waugh

Roteiro:
George Gatins

Elenco:
Aaron Paul, Dominic Cooper, Imogen Poots, Scott Mescudi, Ramon Rodriguez, Rami Malek e Harrison Gilbertson.

Quando o primeiro Velozes e Furiosos foi lançado, nem os próprios produtores poderiam imaginar o tamanho sucesso que o despretensioso longa poderia ter, sendo hoje, uma das franquias mais bem sucedidas da Universal Studios. Logo o estúdio começou a perceber que a pegada meio videogame da franquia não surtia tanto efeito nos fãs quanto o estilo de vida dos protagonistas. Não demorou muito, é claro, para os executivos ouvirem o público e transformar a saga, em algo incrivelmente exagerado, intangível e que se leva mais a sério do que realmente precisa. Entretanto, o culto pelos personagens de Vin Diesel e o falecido Paul Walker fez com que as bilheterias dos filmes não deixassem de ser extremamente lucrativas. Sendo assim, era apenas uma questão de tempo para alguém chegar para tomar uma fatia do bolo. E a E A Games logo tomou a iniciativa junto da Dreamworks, para adaptar um dos jogos de corrida mais vendido de todos os tempos. O resultado? Esperar uma obra-prima de um filme que claramente se vende como um produto é equivalente a esperar que M. Night Shayamalan faça outro Sexto Sentido. Improvável. Ainda sim, Need for Speed – O Filme consegue se tornar um bom entretenimento, sem nunca se vender mais do que realmente é, apesar da enxurrada de clichês desnecessários.

A trama é batida (com perdão ao trocadilho).  Em uma disputa por dinheiro com o atual namorado de sua ex, o playboy Dino Brewster, o mecânico Tobey Marshall (Aaron Paul) vê seu amigo Pete (Harrison Gilbertson) morrer em um acidente causado pela imprudência e ambição de Brewster, que sequer presta socorros. Indo parar atrás das grades por dois anos, decide honrar a morte do amigo, expondo a verdade sobre Dino em um dos torneiros de carro mais exclusivos dos Estados Unidos. Para isso, é obrigado a pedir emprestado o Mustang Shelby da qual consertou, sob condição de ter como copilota, a expert em carros, Julia (Imogen Poots).

O roteiro raso pouco se esforça para desviar dos clichês do gênero fazendo com que a adaptação dirigida pelo quase novato Scott Waugh perca a sua força. Tem a loira gostosa pra encantar os machões, alguns alívios cômicos forçados, embora boa e grande parte do humor do filme seja realmente bem-vindo e, como não poderia ser diferente, alguns exageros na resolução da trama ou mesmo nas sequências de ação que, aliada a uma bela fotografia que abusa de contrates e flares (luzes contra a câmera), tenta fazer com que Need for Speed aparente visualmente épico. Não é.

Por mais que tenha caído em diversos clichês, o longa de Waugh consegue fugir das maiores  besteiras implantadas em Velozes e Furiosos. O conceito “músculo, testosterona, mulheres seminuas e um protagonista inabalável” (Vin Diesel parece mais o Chuck Norris nas últimas películas da franquia, onde seu olhar é tão forçado que em alguns momentos parece que ele derreterá os vilões com os olhos) não se faz presente aqui. Pelo contrário, o protagonista com aparência de “homem comum” dá certa tangibilidade à Need for Speed e, apesar da inclusão da tal loira gostosa, essa não tem único destaque sexual, como acontece nas personagens femininas deste gênero, muito menos aparenta uma mulher machona capaz de espancar traficantes e sair ilesa, como Michelle Rodrigues por exemplo. O sotaque inglês, embora bastante forçado em algumas cenas, dá certo carisma a personagem. O vilão, esse sim, parece ter saído de um verdadeiro jogo de videogame. E é exatamente aqui que o longa tem seus méritos.

Embora possua duas ou três cenas questionáveis, as sequências de ação lembram demais os jogos da conceituada franquia. Sem aparentar tão falso e também sem querer se levar a sério demais, o longa deve agradar os amantes de carros (principalmente os jovens) por sua despretensão ao universo a volta (note, por diversas vezes durante o filme, há intervenções vindas de todos os lados, para que o carro do protagonista sempre esteja em movimento, nem que para isso, alguém precise roubar um helicóptero militar), sempre desenvolvendo seu ritmo pela intensidade com que os personagens se devotam dentro de suas máquinas. E por mais vazio que aparente ser, é muito mais honesto que Velozes e Furiosos, já que nunca quer enganar o espectador. Aqui o protagonista é falho e sofre consequências, a boa noção para manobras tem (boas) sacadas, como a do helicóptero que vai dando as instruções como um GPS, e os personagens parecem ter paixão pelos carros, algo que deixou a franquia de Toretto há muito tempo.

Sem atuações exemplares, um roteiro muito preciso ou original, ou mesmo uma direção realmente competente, Need for Speed – O Filme surpreende com a sua simplicidade e a sua fidelidade com o jogo que adapta. Não é de se esperar muito, mas o saldo é mais positivo que negativo no fim, mostrando um bom potencial para ajustes em uma franquia futura. E se colocar tanta veracidade e força de vontade na continuação, quanto coloca nas excelentes cenas de ação aqui, podemos esperar boas coisas daqui para frente.

Nota: 6/10


Ps: Descarte complemente o uso do 3-D. É totalmente dispensável e não existe qualquer tridimensão na película. 

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