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12.3.14

Crítica: Looking

LOOKING

Estados Unidos, 2014 – 240 minutos aprox.
Drama/ Comédia

Criador:
Michael Lannan

Elenco:
Jonathan Groff, Frankie J. Alvaraz, Murray Bartlett, O. T. Fagbenle, Lauren Wedman Raúl Castillo, Russel Tovey


Se há 15 anos, Queer as Folk, a série de Russel T. Davies explodiu a mente de milhões de espectadores com uma das séries mais ousadas, divertidas e importantes sobre o universo homossexual, hoje, analisando o mercado atual, o roteirista inglês criou um ícone que provavelmente não poderá ser igualado tão cedo. Pelo menos, não pela primeira temporada da nova série da HBO, Looking. Muita expectativa foi criada pela emissora para a série de Michael Lannan, prometendo ser a nova sensação da temática GLS. Com apenas 8 episódios, de 30 minutos cada, todas as expectativas criadas passaram tão rápido quando a exibição do seriado. Perdida, Looking tenta convencer o espectador que não é Sex and the City para o público gay, mas a realidade é que são bem poucas as diferenças.

A trama dispersa e com pouca profundidade relata a história de três amigos gays, Patrick, Augustin e Dom, tentando lidar com seus problemas pessoais. Enquanto Patrick busca se conhecer melhor e conseguir engajar um relacionamento, Augustin tenta deixar a desmotivação e depressão de lado para elevar a sua carreira artística, enquanto Dom tem que encarar a realidade e responsabilidades da vida madura e, ao mesmo tempo, colocar em prática seu sonho de abrir um restaurante.

Enquanto Nova York exalava glamour na série de Carrie Bradshaw e encantava o público feminino, aqui, a série situa-se no badalado point gay, a cidade de São Francisco. Em uma ambientação bem underground, por sinal. O que parece agradar o público-alvo em geral, mas diverge da realidade e marginaliza um pouco o universo homossexual, sugerindo sempre uma coisa meio “suja” e nada muito “perfeito”. Soa, às vezes, clichê.

O grande problema de séries piloto, é que a primeira temporada sempre sofre (mais que as outras) por conta da necessidade de se fazer dinheiro e isso atinge gritantemente Looking. O roteiro acanhado não vai além do básico, demora muito para engrenar, visualmente evita apresentar o sexo gay, tenta retratar superficialmente alguns dilemas do universo, mas logo pula para outro assunto e, claro, como não poderia ser diferente, logo arranja uma forma de criar um triangulo amoroso para o protagonista. Em um formato de exibição que pouco ajuda, o seriado ainda tem que contar com o problema de que 30 minutos não são o suficiente para criar um conteúdo mais profundo. Alias, é bem claro que a série de Lannan fica desconexa nesse sentido. Não tem 20 minutos, como The Big Bang Theory, mas também não tem quase uma hora como True Blood e Game of Thrones, duas séries da casa. Novamente a série esbarra em Sex and the City, que também era exibida em 30 minutos. Mas enquanto a série de Darren Star conseguiu cativar as mulheres em cheio, Looking tenta usar da falta de foco para mostrar que o universo é explorado em diversos aspectos e todos eles têm a devida atenção. Infelizmente não é verdade.

Com poucas boas sacadas, um elenco que tenta se esforçar para criar um vinculo com o público (Murray Bartlett, que vive o Dom, parece DEMAIS fisicamente com o personagem de Joaquim Phoenix em Ela, indicado ao Oscar recentemente) e demonstrar carisma, mas parece meio deslocados juntos a falta de foco de Lannan. Entretanto, é admirável que a série também não apele para o sexo gratuito e o exibicionismo de “six-pack”, a fim de garantir a audiência de toda forma. 

Do pior, Looking já conseguiu fugir, agora precisa dar bons motivos para o espectador acompanhar a série, que foi muito mediana para os padrões da emissora e parar de cortar a temporada no momento em que consegue elevar o nível de interesse de quem assiste. E ainda sim, falta muito para Emmett Honeycutt ser superado.

Nota: 5/10


Um comentário:

  1. É uma história muito legal, mas a verdade é que nem uma das minhas séries favoritas, mas eu reconheço que tenho um bom conteúdo e tem sido muito bem sucedida no entanto, eu teria gostado de uma série em que abordou a questão do ponto de vista com base em corantes sociais e pretensões ideológicas. Espero que em sua segunda temporada Looking capaz de manter o ritmo do primeiro semestre.

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