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9.3.14

Crítica: 300: A Ascensão do Império

300 - A ASCENSÃO DO IMPÉRIO
300 - Rise of an Empire

Estados Unidos, 2014 - 102 minutos
Ação / Épico

Direção:
Noam Murro

Roteiro:
Zack Snyder, Kurt Johnstad

Elenco:
Sullivan Stapleton, Eva Green, Rodrigo Santoro, Lena Headey, Hans Matheson, Callan Mulvey, Jack O'Connell, Igal Naor


Desde o sucesso de Gladiador, de Ridley Scott, nenhum outro épico de guerra emplacou grande sucesso, pois o gênero simplesmente ficou escasso e não atraía mais as pessoas por conta da mesmice. Sendo assim, a adaptação da aclamada HQ de Frank Miller, 300 de Esparta, titulo reduzido apenas aos números, foi um sucesso arrasador. De visual impactante, com atores esforçados, uma excelente história para contar e cenas memoráveis, o longa de Zack Snyder fez os épicos ganharem novamente um destaque dentro do cinema. Principalmente depois que o longa conseguiu obter a maior bilheteria do subgênero, na época, para uma classificação de 18 anos. Claro, como tudo em Hollywood que dá lucro precisa de uma continuação, os executivos da Warner Bros. (o que me lamenta dizer isso, pois hoje é um dos melhores e mais criativos estúdios de grandes produções) se encarregaram de acelerar Miller na produção da continuação de uma HQ para, inevitavelmente, transformá-la em filme.

Agora, saiu o diretor Zack Snyder e entrou o novato Noam Murro. Foi embora também, Gerald Butler e boa parte do bom elenco anterior. O resultado: 300: A Ascensão do Império falha miseravelmente em tentar ser melhor que o seu anterior, tentar reconstruir o que já havia feito, com uma história sem qualquer desenvolvimento, tediosa e que utiliza do visual característico da, agora, franquia, para escandalizar uma violência absolutamente marginalizada e sem qualquer força de impacto ou propósito convincente.

A trama tenta mesclar os eventos anteriores e cria um universo entrelaçado à película anterior. Basicamente temos Themistokles (Sullivan Stapleton), um guerreiro grego que tenta unir todas as forças da Grécia para tentar combater o tirano Xerxes e a comandante da marinha persa Artemesia (Eva Green) e evitar que tudo seja controlado pelo deus-rei, assim como Leonidas e seus soldados lutaram no primeiro longa.

Como era citado anteriormente, onde o Rei de Esparta dizia que os gregos não eram preparados para lutar e sim em usar suas habilidades mentais se confirma nessa continuação. A incapacidade e fraqueza dos “soldados” são visualmente expostas para o espectador e qualquer sequência de ação do roteiro é escancaradamente forçada para tentar ter o mesmo impacto que o filme de Snyder conseguiu com muito louvor. O protagonista já possui uma história menos interessante que Leonidas, e Murro piora a situação com a sua péssima direção de atores, posicionando o público à insensibilidade do que assiste, não se importando com quem morre ou vive. Personagens que eram interessantes anteriormente (como a Rainha Gorgo) perdem suas forças por conta do roteiro que é incapaz de dar um bom motivo ao espectador para que o filme que ele está assistindo, tenha certa importância ou mesmo um entretenimento de qualidade.

O texto escrito pelo próprio Snyder e Kurt Johnstad (quem diria?) não consegue sequer segurar a coerência da história que estão contando, o que prova a teoria em que o diretor de Watchmen somente consegue produzir boas adaptações e não películas com roteiros escritos por ele mesmo. Está aí Sucker Punch que não deixa ninguém mentir. O roteiro entra em contradição em coisas tão obvias quanto ambientação. O local que Xerxes vive em 300: A Ascensão do Império simplesmente não é o mesmo que vivia no longa anterior, mesmo muitas vezes ambos estarem no mesmo período de acontecimentos e o que é pior, o conceito do design de produção foge gritantemente do que fora produzido anteriormente. Isso é apenas a casca. É analisar, por exemplo, em como Artemesia tem tanta importância na construção e nas decisões de Xerxes e a mesma nunca sequer foi citada ou apresentada anteriormente, sendo que o personagem vivido por Rodrigo Santoro tem extrema importância em ambos os filmes,  o que mostra o despreparo e a falta de atenção dos realizadores em dar tanto foco para alguém que, com tanto desenvolvimento, vira antagonista e simplesmente parece ter sido introduzida na história por falta de bons personagens. Apesar do pouco interesse que a continuação de 300 gere venha da comandante, este é um erro imperdoável.

As contradições não terminam no roteiro fraco. A primeira pergunta que o espectador faz em ver o longa de Noam Murro é mais do que obvia e objetiva: Como alguém que tem o dobro de orçamento para produzir filme, não consegue manter o mesmo nível de qualidade técnica, com tecnologias mais baratas e avançadas, 8 anos após o original? Outra falha no planejamento. O sangue estilizado da adaptação de Snyder aqui vira um borrão digital pavoroso que mais parece petróleo de espesso e negro que aparenta ser. As sequências de ação lembram jogos de videogame da década passada, com uma má renderização dos efeitos especiais. Beira o amador. Não bastando, a fotografia amarga à falta de criatividade, tentando o tempo todo reconstruir o que foi feito anteriormente, mas nunca chegando a estilosa técnica empregada em 2006. A falta de experiência do diretor também atinge a maquiagem do longa, fazendo tudo parecer surreal e desinteressante. Até o corcunda Ephialtes foi reconstruído de maneira artificial e a boa maquiagem de antes foi substituída por efeitos especiais por conta preguiça de Murro em dar atenção aos detalhes. É impressionante como a mesma produtora, com os mesmos profissionais, simplesmente são incapazes de trazer de volta o que já haviam feito com qualidade muito superior. Lamentável.

O que resta de 300: A Ascensão do Império é uma ou duas cenas que consegue, de fato, chamar a atenção do público por suas audácias. Não demora muito para as mesmas serem ofuscadas por mesmices e incompetências, seja do elenco fraquíssimo e desinteressante ou do diretor que não se esforça para mudar este quadro. A fragilidade que Leonidas tanto temia e as essenciais qualidades que apreciava, desmoronou aqui. E resta a nós, durante 102 miseráveis minutos, aguentar tudo isso.

Nota: 4/10


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