Procure uma crítica

2.3.14

Crítica: Clube de Compras Dallas

CLUBE DE COMPRAS DALLAS
Dallas Buyers Club

Estados Unidos, 2013 - 117 min.
Drama

Direção:
Jean-Marc Vallée

Roteiro:
Craig Borten, Melisa Wallack

Elenco:
Matthew McConaughey, Jared Leto, Jennifer Garner, Steve ZahnDallas Roberts, Kevin Rankin, Denis O'Hare

* Indicado ao Oscar 2014

Acho que a melhor maneira de tentar compreender como a AIDS foi devastadora nos anos 80, deveríamos compará-la ao câncer de hoje. Naquele tempo, ninguém entendia ao certo o que causava o HIV, se ele era contagioso ou mesmo curável. A falta de instrução fez a doença virar quase um pandemônio no mundo inteiro. Parecia ser a mais letal contaminação já existente. Para transmitir toda essa sensação, o diretor Jean-Marc Vallée, do ótimo C.R.A.Z.Y - Loucos de Amor, adapta com uma delicadeza e sensibilidade a biografia do cowboy Ron Woodroof, fazendo uma incomoda critica a indústria farmacêutica e ainda mostrando os preconceitos que os infectados sofriam naquela época.

O roteiro é bem fiel a história de Woodroof (Matthew McConaughey), o mulherengo e esquentadinho cowboy descobre ter contraído HIV após uma transa desprotegida com uma desconhecida. Ao receber a notícia, Ron se nega a acreditar que pegou a doença onde, em uma cultura extremamente preconceituosa, sempre achou que a AIDS era uma doença tipicamente gay. Depois de passar pelo dolorido processo de aceitação, ele começa a tomar um remédio para controlar os efeitos colaterais de ser soro positivo, mas logo descobre que este mesmo medicamento, na verdade, é mais nocivo que saudável. Tentando buscar uma alternativa para sobreviver, o cowboy viaja para o México e com a ajuda de um ex-médico, começa a montar coquetéis para buscar a melhor alternativa para viver mais. Sentindo melhorias, Ron decide abrir um comércio ilegal de remédios para ajudar outros doentes. Para isso, ele convida a transexual Rayon para ajudá-lo. Através dessa estranha relação, Woodroof vai atingindo seus objetivos e saltando de 30 dias de vida, como os médicos havia diagnóstico primeiramente, para 7 anos.

O texto de Craig Borten e Melisa Wallack consegue extrair de forma emblemática a atmosfera dos anos 80. Aquela mescla de medo, preconceito, incompreensão tomam os personagens de forma muito cativante. O diretor francês consegue fazer um estudo de personagem complexa de seu protagonista, nos convence da redenção de Ron, a sua maneira grossa e sem jeito, sobre o mundo em que vive e das pessoas que o cercam. Vallée em nenhum momento transforma Clube de Compra Dallas em um espetáculo de dramalhão piegas, e faz dos sentimentos dos personagens e da própria situação em seu conjunto, valer a força do seu significado. Sendo assim, não sobram cenas forçadas e sim, sequências de muita maturidade e emoções sinceras.

Como não poderia ser diferente, a escala de elenco foi imprescindível para que o longa conseguisse cativar o espectador com a força que faz. Matthew McConaughey definitivamente deixou as comédias românticas fracas de lado e assumiu de volta o seu papel de artista por completo. É impressionante como o ator abraça seu personagem de maneira implacável. Não surpreendente apenas pelo seu emagrecimento assustador, mas consegue pular de papéis de maneira tão precisa, que é impossível não notar seu brilhantismo. Com três excelentes atuações no ano que passou (esse, O Lobo de Wall Street e Obsessão), 2013 foi o ano de McConaughey e o Oscar deste ano é quase certo. Não há como deixar de lado também a caracterização cômica e delicada de Jared Leto irreconhecível como Rayon. Jennifer Garner se mostra esforçada, mas sua inexpressividade pouco ajuda sua personagem aqui.

O maior triunfo de Woodroof é expressado da melhor maneira por Jean-Marc. Ron não era um herói idolatrado, não era amável, sequer uma pessoas com muitos amigos. Mas se mostrou uma pessoa cheia de sentimentos e fez o que podia para ajudar as pessoas, mesmo que não fosse da forma mais politicamente correta.


Nota: 9,3/10

Nenhum comentário:

Postar um comentário

(Comentários de baixo calão serão moderados e excluídos)