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25.3.14

Crítica: Need for Speed - O Filme

NEED FOR SPEED - O FILME
Need for Speed

EUA, 2014 - 130 min.
Ação

Direção:
Scott Waugh

Roteiro:
George Gatins

Elenco:
Aaron Paul, Dominic Cooper, Imogen Poots, Scott Mescudi, Ramon Rodriguez, Rami Malek e Harrison Gilbertson.

Quando o primeiro Velozes e Furiosos foi lançado, nem os próprios produtores poderiam imaginar o tamanho sucesso que o despretensioso longa poderia ter, sendo hoje, uma das franquias mais bem sucedidas da Universal Studios. Logo o estúdio começou a perceber que a pegada meio videogame da franquia não surtia tanto efeito nos fãs quanto o estilo de vida dos protagonistas. Não demorou muito, é claro, para os executivos ouvirem o público e transformar a saga, em algo incrivelmente exagerado, intangível e que se leva mais a sério do que realmente precisa. Entretanto, o culto pelos personagens de Vin Diesel e o falecido Paul Walker fez com que as bilheterias dos filmes não deixassem de ser extremamente lucrativas. Sendo assim, era apenas uma questão de tempo para alguém chegar para tomar uma fatia do bolo. E a E A Games logo tomou a iniciativa junto da Dreamworks, para adaptar um dos jogos de corrida mais vendido de todos os tempos. O resultado? Esperar uma obra-prima de um filme que claramente se vende como um produto é equivalente a esperar que M. Night Shayamalan faça outro Sexto Sentido. Improvável. Ainda sim, Need for Speed – O Filme consegue se tornar um bom entretenimento, sem nunca se vender mais do que realmente é, apesar da enxurrada de clichês desnecessários.

A trama é batida (com perdão ao trocadilho).  Em uma disputa por dinheiro com o atual namorado de sua ex, o playboy Dino Brewster, o mecânico Tobey Marshall (Aaron Paul) vê seu amigo Pete (Harrison Gilbertson) morrer em um acidente causado pela imprudência e ambição de Brewster, que sequer presta socorros. Indo parar atrás das grades por dois anos, decide honrar a morte do amigo, expondo a verdade sobre Dino em um dos torneiros de carro mais exclusivos dos Estados Unidos. Para isso, é obrigado a pedir emprestado o Mustang Shelby da qual consertou, sob condição de ter como copilota, a expert em carros, Julia (Imogen Poots).

O roteiro raso pouco se esforça para desviar dos clichês do gênero fazendo com que a adaptação dirigida pelo quase novato Scott Waugh perca a sua força. Tem a loira gostosa pra encantar os machões, alguns alívios cômicos forçados, embora boa e grande parte do humor do filme seja realmente bem-vindo e, como não poderia ser diferente, alguns exageros na resolução da trama ou mesmo nas sequências de ação que, aliada a uma bela fotografia que abusa de contrates e flares (luzes contra a câmera), tenta fazer com que Need for Speed aparente visualmente épico. Não é.

Por mais que tenha caído em diversos clichês, o longa de Waugh consegue fugir das maiores  besteiras implantadas em Velozes e Furiosos. O conceito “músculo, testosterona, mulheres seminuas e um protagonista inabalável” (Vin Diesel parece mais o Chuck Norris nas últimas películas da franquia, onde seu olhar é tão forçado que em alguns momentos parece que ele derreterá os vilões com os olhos) não se faz presente aqui. Pelo contrário, o protagonista com aparência de “homem comum” dá certa tangibilidade à Need for Speed e, apesar da inclusão da tal loira gostosa, essa não tem único destaque sexual, como acontece nas personagens femininas deste gênero, muito menos aparenta uma mulher machona capaz de espancar traficantes e sair ilesa, como Michelle Rodrigues por exemplo. O sotaque inglês, embora bastante forçado em algumas cenas, dá certo carisma a personagem. O vilão, esse sim, parece ter saído de um verdadeiro jogo de videogame. E é exatamente aqui que o longa tem seus méritos.

Embora possua duas ou três cenas questionáveis, as sequências de ação lembram demais os jogos da conceituada franquia. Sem aparentar tão falso e também sem querer se levar a sério demais, o longa deve agradar os amantes de carros (principalmente os jovens) por sua despretensão ao universo a volta (note, por diversas vezes durante o filme, há intervenções vindas de todos os lados, para que o carro do protagonista sempre esteja em movimento, nem que para isso, alguém precise roubar um helicóptero militar), sempre desenvolvendo seu ritmo pela intensidade com que os personagens se devotam dentro de suas máquinas. E por mais vazio que aparente ser, é muito mais honesto que Velozes e Furiosos, já que nunca quer enganar o espectador. Aqui o protagonista é falho e sofre consequências, a boa noção para manobras tem (boas) sacadas, como a do helicóptero que vai dando as instruções como um GPS, e os personagens parecem ter paixão pelos carros, algo que deixou a franquia de Toretto há muito tempo.

Sem atuações exemplares, um roteiro muito preciso ou original, ou mesmo uma direção realmente competente, Need for Speed – O Filme surpreende com a sua simplicidade e a sua fidelidade com o jogo que adapta. Não é de se esperar muito, mas o saldo é mais positivo que negativo no fim, mostrando um bom potencial para ajustes em uma franquia futura. E se colocar tanta veracidade e força de vontade na continuação, quanto coloca nas excelentes cenas de ação aqui, podemos esperar boas coisas daqui para frente.

Nota: 6/10


Ps: Descarte complemente o uso do 3-D. É totalmente dispensável e não existe qualquer tridimensão na película. 

20.3.14

Crítica: Ninfomaníaca - Volume II

NINFOMANÍACA - VOLUME II
Nymphomaniac - Volume II

Dinamarca / Alemanha / França / Bélgica / Reino Unido, 2014 - 123 minutos
Drama

Direção:
Lars von Trier

Roteiro:
Lars von Trier

Elenco:
Charlotte Gainsbourg, Stacy Martin, Stellan Skarsgård, Shia LaBeouf, Jamie Bell, Mia Goth, Willem Dafoe, Michael Pass, Jean-Marc Barr, Ananya Berg


Um pouco mais de dois meses após o lançamento da primeira parte do polêmico projeto de Lars von Trier, Ninfomaníaca – Volume II chega aos cinemas brasileiros praticamente no mesmo tempo em que choca o mundo, principalmente a Europa, com o desfecho de sua película. Para isso, von Trier cria um ensaio de uma mulher inesgotavelmente sexual, em meio a uma sociedade hipócrita, machista, julgadora e contraditória. Isso sem, é claro, deixar de utilizar de seus próprios pensamentos, manipulações e genialidades para criar o próprio mundo que vive e flertar com o espectador, enquanto se delicia masoquistamente com suas agonias.

Essa segunda parte começa exatamente aonde o anterior terminou. Joe confirma a sua insensibilidade perante o prazer sexual e, em estado de fúria, vai à busca de diversos métodos para tentar reverter esse quadro e possuir comando de seu próprio corpo. Na medida em que a sua vida sexual aflora ainda de forma mais perversa, Joe deixa Jerôme de lado, assim como seu próprio filho que vem a ter posteriormente, para embarcar em uma vida perigosa e sem limites e tentar extrair de si própria, um pouco de sentimento.  

Esse volume dois marca uma mudança muito clara na narrativa em relação à primeira parte. Enquanto víamos uma Joe jovem curiosa, cheia de si, manipuladora e insensível, os acontecimentos finais do volume I nitidamente afetam a protagonista e aquele estado de busca divertida por prazer, se transforma em um problema desesperadamente incontrolável e autodestrutivo, da qual Joe não enxerga mais diversão e sim um método escravo da qual se impõe a sobreviver. Nesta busca por descoberta e recuperação, o diretor dinamarquês expõe a personagem e exibe ao público, as mais diferentes e doentias formas de prazer. Entre algumas das cenas mais notáveis, algumas delas são protagonizadas por K (Jamie Bell), um masoquista friamente calculista e perturbado. Prato cheio para Lars, é claro. Assim como a bizarra cena de uma tentativa de ménage à trois, da qual Joe tenta fazer sexo com dois africanos, sem qualquer modo de  comunicação, já que não consegue entender uma palavra do que eles estão dizendo. A percepção da protagonista em descobrir “novas” tentativas de prazer são maneiras metafóricas de von Trier em escancarar a visceral personalidade de Joe, assim como abrir um inimaginável cenário para os diálogos entre a ninfomaníaca e Seligman, o homem que a retira do beco, e questionar além dos instintos da protagonista, o mundo que eles e nós vivemos.

Entre os dois se concentram as melhores partes do longa. É impressionante como o texto do dinamarquês é tão envolvente e complexo, que seu polêmico visual, seja por exibir pênis eretos, vaginas com ferida ou uma excitação doentia que se remete a pedofilia (há uma conversa interessantíssima sobre o assunto, questionando a capacidade do ser humano de conter suas vontades e instintos para fazer o que é certo ou parece certo, pelo menos) entre outros pontos, parece surtir efeito ameno perto excepcional roteiro que Ninfomaníaca – Volume II possui. E é aqui que ele ganha o espectador. Além de todas as teorias que cria na primeira parte, Lars consegue expor outras no mesmo nível, venham elas do músico Beethoven, do neurologista Freud ou mesmo do romancista Thomas Mann. A pedofilia como citada anteriormente ganha um cenário reflexivo. Assim como em Anticristo, Lars volta a questionar o papel da mulher dentro da sociedade, mas foca um lado um pouco distante da sua obra anterior: a repressão do feminismo atual. A hipocrisia da sociedade perante as atitudes de Joe, por exemplo, são questionadas por Seligman, se tudo o que ela fez, não seria bem aceito se ela fosse um homem. Não deixa de falar também da incoerência do politicamente correto dentro do mundo em que vivemos. Na película, a passagem mostra de forma clara a necessidade da mulher em se comportar como um ser inferior ao homem, sendo essa, alvo de intolerância de atitudes consideradas “condenáveis”, sejam elas por ações ou mesmo palavras “indigestas” e “incômodas” para boa parte da sociedade, enquanto essa, às escondidas, não se importa de agir de forma questionável, contanto que a mesma seja camuflada para amenizar o impacto da imagem representativa à pessoa ligada aquela ação ou palavras. Além de claramente ser outro ponto de reflexão sobre Joe, o diretor dinamarquês faz uma referência a si mesmo, no caso de 2011, no lançamento de Melancolia, quando foi mal interpretado e acusado de apoiar o nazismo e fora expulso do Festival de Cannes. De quebra e sem dó, crítica o falso moralismo social, já que von Trier anunciou que faria um filme pornô e a divulgação de Ninfomaníaca sugeria mais sexo do que de fato possui, e esses fatos levaram uma multidão que sequer conhece o seu trabalho e não se importaram de ir assistir ao longa, uma vez que este parecia se fantasiar com arte, quando é justamente o contrário. Ponto para o dinamarquês.

Essa segunda parte pode aparentar mais monótona que a primeira, mas é apenas um equivoco, já que na verdade, o amadurecimento da personagem transforma a narrativa e a sua maneira de conduzir o longa. Nesse aspecto, lembra a diferença entre os dois “Kill Bill”, onde a segunda parte é muito mais “pé no chão” que a primeira. Não é uma questão de qual parte é melhor e sim o porquê desta mudança de perspectiva. E aqui ela é indispensável para o diretor de Dogville dar o drama necessário que a protagonista necessita. Há momentos que,raros em sua carreira, von Trier parece que não sabe exatamente qual caminho irá concluir a obra por conta da quantidade de conteúdo que Ninfomaníaca se dispõe a discutir. Aliás, flerta por duas vezes com Anticristo, recriando cenas do longa de 2009, em uma maneira clara de completar de forma oposta e curiosa, seu raciocínio no filme anterior. Felizmente quem ganha é o espectador, já que o polêmico artista parece sair de sua zona de conforto e desafiar a si próprio.

Como comentado na crítica da primeira parte, a técnica excepcional do diretor, esteta ao extremo, impacta o público de maneira totalmente precisa e deslumbrante. A pouca trilha sonora interage perfeitamente com o silêncio imprescindível do projeto. Há apenas uma cena em que se questiona uma falha técnica de continuação, que não darei detalhes para não dar spoilers, mas que passará invisível para muitos, não consegue fazer o filme perder seu impacto. O elogiadíssimo elenco da primeira parte recebe outros excelentes atores de apoio, como o veterano dos trabalhos do diretor, William Dafoe e o novato e assustador, Jamie Bell. Charlotte Gainsbourg logo assume o papel da fase adulta de Joe e, devota, entrega-se cegamente à personagem. É incrível o trabalho desta atriz francesa que parece não medir esforços para captar toda a atenção do público e, sem piedade, nos manipular em cada aventura doentia da ninfomaníaca.

Sem criar muitas reviravoltas e no tom pessimista de sempre, o diretor dinamarquês termina Ninfomaníaca – Volume II de forma que, a primeira vista, vai parecer despretensiosa para muitos. Mas, na verdade, escancara de forma ainda mais perversa a hipocrisia da sociedade, sua injustiça que, moldada pelo machismo, julga o ser feminismo como objetivo de desvio moral, na condenação mais falsa possível. E toda essa falsidade, é o desfecho perfeito que Lars von Trier encontra para mostrar que a manipulação de palavras e boas intenções, como dizia o velho ditado, o inferno está cheio. E se a exposição de sentimentos tão pessoais e perturbadores de uma pessoa que é incapaz de encontrar paz de espírito por uma obsessão (até a religião é intrigantemente questionada neste aspecto) à falta de prazer em uma das práticas mais naturais de relacionamento entre dois corpos, que leva Joe a autodestruição permanente, remetendo ao constante sofrimento, é incapaz de comover outro ser humano, o que somos como sociedade?



Nota: 9,3/10

12.3.14

Crítica: Looking

LOOKING

Estados Unidos, 2014 – 240 minutos aprox.
Drama/ Comédia

Criador:
Michael Lannan

Elenco:
Jonathan Groff, Frankie J. Alvaraz, Murray Bartlett, O. T. Fagbenle, Lauren Wedman Raúl Castillo, Russel Tovey


Se há 15 anos, Queer as Folk, a série de Russel T. Davies explodiu a mente de milhões de espectadores com uma das séries mais ousadas, divertidas e importantes sobre o universo homossexual, hoje, analisando o mercado atual, o roteirista inglês criou um ícone que provavelmente não poderá ser igualado tão cedo. Pelo menos, não pela primeira temporada da nova série da HBO, Looking. Muita expectativa foi criada pela emissora para a série de Michael Lannan, prometendo ser a nova sensação da temática GLS. Com apenas 8 episódios, de 30 minutos cada, todas as expectativas criadas passaram tão rápido quando a exibição do seriado. Perdida, Looking tenta convencer o espectador que não é Sex and the City para o público gay, mas a realidade é que são bem poucas as diferenças.

A trama dispersa e com pouca profundidade relata a história de três amigos gays, Patrick, Augustin e Dom, tentando lidar com seus problemas pessoais. Enquanto Patrick busca se conhecer melhor e conseguir engajar um relacionamento, Augustin tenta deixar a desmotivação e depressão de lado para elevar a sua carreira artística, enquanto Dom tem que encarar a realidade e responsabilidades da vida madura e, ao mesmo tempo, colocar em prática seu sonho de abrir um restaurante.

Enquanto Nova York exalava glamour na série de Carrie Bradshaw e encantava o público feminino, aqui, a série situa-se no badalado point gay, a cidade de São Francisco. Em uma ambientação bem underground, por sinal. O que parece agradar o público-alvo em geral, mas diverge da realidade e marginaliza um pouco o universo homossexual, sugerindo sempre uma coisa meio “suja” e nada muito “perfeito”. Soa, às vezes, clichê.

O grande problema de séries piloto, é que a primeira temporada sempre sofre (mais que as outras) por conta da necessidade de se fazer dinheiro e isso atinge gritantemente Looking. O roteiro acanhado não vai além do básico, demora muito para engrenar, visualmente evita apresentar o sexo gay, tenta retratar superficialmente alguns dilemas do universo, mas logo pula para outro assunto e, claro, como não poderia ser diferente, logo arranja uma forma de criar um triangulo amoroso para o protagonista. Em um formato de exibição que pouco ajuda, o seriado ainda tem que contar com o problema de que 30 minutos não são o suficiente para criar um conteúdo mais profundo. Alias, é bem claro que a série de Lannan fica desconexa nesse sentido. Não tem 20 minutos, como The Big Bang Theory, mas também não tem quase uma hora como True Blood e Game of Thrones, duas séries da casa. Novamente a série esbarra em Sex and the City, que também era exibida em 30 minutos. Mas enquanto a série de Darren Star conseguiu cativar as mulheres em cheio, Looking tenta usar da falta de foco para mostrar que o universo é explorado em diversos aspectos e todos eles têm a devida atenção. Infelizmente não é verdade.

Com poucas boas sacadas, um elenco que tenta se esforçar para criar um vinculo com o público (Murray Bartlett, que vive o Dom, parece DEMAIS fisicamente com o personagem de Joaquim Phoenix em Ela, indicado ao Oscar recentemente) e demonstrar carisma, mas parece meio deslocados juntos a falta de foco de Lannan. Entretanto, é admirável que a série também não apele para o sexo gratuito e o exibicionismo de “six-pack”, a fim de garantir a audiência de toda forma. 

Do pior, Looking já conseguiu fugir, agora precisa dar bons motivos para o espectador acompanhar a série, que foi muito mediana para os padrões da emissora e parar de cortar a temporada no momento em que consegue elevar o nível de interesse de quem assiste. E ainda sim, falta muito para Emmett Honeycutt ser superado.

Nota: 5/10


9.3.14

Crítica: 300: A Ascensão do Império

300 - A ASCENSÃO DO IMPÉRIO
300 - Rise of an Empire

Estados Unidos, 2014 - 102 minutos
Ação / Épico

Direção:
Noam Murro

Roteiro:
Zack Snyder, Kurt Johnstad

Elenco:
Sullivan Stapleton, Eva Green, Rodrigo Santoro, Lena Headey, Hans Matheson, Callan Mulvey, Jack O'Connell, Igal Naor


Desde o sucesso de Gladiador, de Ridley Scott, nenhum outro épico de guerra emplacou grande sucesso, pois o gênero simplesmente ficou escasso e não atraía mais as pessoas por conta da mesmice. Sendo assim, a adaptação da aclamada HQ de Frank Miller, 300 de Esparta, titulo reduzido apenas aos números, foi um sucesso arrasador. De visual impactante, com atores esforçados, uma excelente história para contar e cenas memoráveis, o longa de Zack Snyder fez os épicos ganharem novamente um destaque dentro do cinema. Principalmente depois que o longa conseguiu obter a maior bilheteria do subgênero, na época, para uma classificação de 18 anos. Claro, como tudo em Hollywood que dá lucro precisa de uma continuação, os executivos da Warner Bros. (o que me lamenta dizer isso, pois hoje é um dos melhores e mais criativos estúdios de grandes produções) se encarregaram de acelerar Miller na produção da continuação de uma HQ para, inevitavelmente, transformá-la em filme.

Agora, saiu o diretor Zack Snyder e entrou o novato Noam Murro. Foi embora também, Gerald Butler e boa parte do bom elenco anterior. O resultado: 300: A Ascensão do Império falha miseravelmente em tentar ser melhor que o seu anterior, tentar reconstruir o que já havia feito, com uma história sem qualquer desenvolvimento, tediosa e que utiliza do visual característico da, agora, franquia, para escandalizar uma violência absolutamente marginalizada e sem qualquer força de impacto ou propósito convincente.

A trama tenta mesclar os eventos anteriores e cria um universo entrelaçado à película anterior. Basicamente temos Themistokles (Sullivan Stapleton), um guerreiro grego que tenta unir todas as forças da Grécia para tentar combater o tirano Xerxes e a comandante da marinha persa Artemesia (Eva Green) e evitar que tudo seja controlado pelo deus-rei, assim como Leonidas e seus soldados lutaram no primeiro longa.

Como era citado anteriormente, onde o Rei de Esparta dizia que os gregos não eram preparados para lutar e sim em usar suas habilidades mentais se confirma nessa continuação. A incapacidade e fraqueza dos “soldados” são visualmente expostas para o espectador e qualquer sequência de ação do roteiro é escancaradamente forçada para tentar ter o mesmo impacto que o filme de Snyder conseguiu com muito louvor. O protagonista já possui uma história menos interessante que Leonidas, e Murro piora a situação com a sua péssima direção de atores, posicionando o público à insensibilidade do que assiste, não se importando com quem morre ou vive. Personagens que eram interessantes anteriormente (como a Rainha Gorgo) perdem suas forças por conta do roteiro que é incapaz de dar um bom motivo ao espectador para que o filme que ele está assistindo, tenha certa importância ou mesmo um entretenimento de qualidade.

O texto escrito pelo próprio Snyder e Kurt Johnstad (quem diria?) não consegue sequer segurar a coerência da história que estão contando, o que prova a teoria em que o diretor de Watchmen somente consegue produzir boas adaptações e não películas com roteiros escritos por ele mesmo. Está aí Sucker Punch que não deixa ninguém mentir. O roteiro entra em contradição em coisas tão obvias quanto ambientação. O local que Xerxes vive em 300: A Ascensão do Império simplesmente não é o mesmo que vivia no longa anterior, mesmo muitas vezes ambos estarem no mesmo período de acontecimentos e o que é pior, o conceito do design de produção foge gritantemente do que fora produzido anteriormente. Isso é apenas a casca. É analisar, por exemplo, em como Artemesia tem tanta importância na construção e nas decisões de Xerxes e a mesma nunca sequer foi citada ou apresentada anteriormente, sendo que o personagem vivido por Rodrigo Santoro tem extrema importância em ambos os filmes,  o que mostra o despreparo e a falta de atenção dos realizadores em dar tanto foco para alguém que, com tanto desenvolvimento, vira antagonista e simplesmente parece ter sido introduzida na história por falta de bons personagens. Apesar do pouco interesse que a continuação de 300 gere venha da comandante, este é um erro imperdoável.

As contradições não terminam no roteiro fraco. A primeira pergunta que o espectador faz em ver o longa de Noam Murro é mais do que obvia e objetiva: Como alguém que tem o dobro de orçamento para produzir filme, não consegue manter o mesmo nível de qualidade técnica, com tecnologias mais baratas e avançadas, 8 anos após o original? Outra falha no planejamento. O sangue estilizado da adaptação de Snyder aqui vira um borrão digital pavoroso que mais parece petróleo de espesso e negro que aparenta ser. As sequências de ação lembram jogos de videogame da década passada, com uma má renderização dos efeitos especiais. Beira o amador. Não bastando, a fotografia amarga à falta de criatividade, tentando o tempo todo reconstruir o que foi feito anteriormente, mas nunca chegando a estilosa técnica empregada em 2006. A falta de experiência do diretor também atinge a maquiagem do longa, fazendo tudo parecer surreal e desinteressante. Até o corcunda Ephialtes foi reconstruído de maneira artificial e a boa maquiagem de antes foi substituída por efeitos especiais por conta preguiça de Murro em dar atenção aos detalhes. É impressionante como a mesma produtora, com os mesmos profissionais, simplesmente são incapazes de trazer de volta o que já haviam feito com qualidade muito superior. Lamentável.

O que resta de 300: A Ascensão do Império é uma ou duas cenas que consegue, de fato, chamar a atenção do público por suas audácias. Não demora muito para as mesmas serem ofuscadas por mesmices e incompetências, seja do elenco fraquíssimo e desinteressante ou do diretor que não se esforça para mudar este quadro. A fragilidade que Leonidas tanto temia e as essenciais qualidades que apreciava, desmoronou aqui. E resta a nós, durante 102 miseráveis minutos, aguentar tudo isso.

Nota: 4/10


3.3.14

Oscar 2014: Os Vencedores

Na última noite de domingo a premiação mais importante do cinema aconteceu. O Oscar deste ano foi o mais justo em muito tempo. Nas principais categorias, foi quase unânime a vontade da Academia em expor realmente os melhores desempenhos. Apesar de uma escorregada ou outra, todos os vencedores tinham seus méritos e as estatuetas não foram dadas para filmes cujo favoritismo estava imposto. Claro exemplo disso é Trapaça ter saído sem nada em uma noite aonde todos há um mês tinham a certeza que o filme de David O. Russel seria o grande vencedor. A única grande ressalva da noite ficou pelo esquecimento de O Lobo de Wall Street, cujo trabalho de Martin Scorsese merecia ter saído com pelo menos uma estatueta na noite. Abaixo estão meus rápidos comentários nas principais categorias da premiação:


Melhor Filme: 12 Anos de Escravidão

Muitos torciam por Gravidade, Trapaça e Ela, entretanto, pareciam fazer vista grossa para a importância do filme de Steve McQueen. É mais do que justo que a Academia dê a premiação para um longa com uma abordagem tão crua e realista de um dos acontecimentos mais terríveis da história da humanidade. A direção do inglês contribuiu maravilhosamente para que 12 Anos de Escravidão ganhasse o prêmio da noite. Mas se Gravidade tivesse ganhado, teria achado justo, afinal, é impossível não se encantar com o filme de Alfonso Cuarón.


Melhor Direção: Alfonso Cuarón

A força da direção do mexicano em Gravidade é assombrosa. Sua técnica é capaz de seduzir o espectador durante a projeção. Isso, claro, sem deixar a história de lado, a direção fantástica de atores e uma edição incrivelmente assertiva. Prêmio mais do que justo.


Melhor Ator: Matthew McConaughey

O grande público torcia para Leonardo DiCaprio levar sua primeira estatueta e de fato, ele está merecendo há muito tempo. E seria justíssimo que o prêmio fosse dado a ele. Entretanto, 2013 foi o ano de McConaughey. O Oscar não leva apenas em consideração o seu trabalho em Clube de Compra Dallas e sim o seu desempenho espetacular durante o filme indicado, O Lobo de Wall Street e Obsessão. Alias qualquer um que tivesse vencido dos cinco teria sido totalmente aceitável.


Melhor Atriz: Cate Blanchett

Maravilhosa atriz australiana, uma das melhores do cinema atual, já estava na mira do Oscar há tempos. Em resumo, é a nova Meryl Streep da nossa geração e apesar das quatro outras indicadas, incluindo a própria Meryl, serem absolutamente brilhantes como atrizes e em seus respectivos papéis indicados, Blanchett faz um trabalho arrasador em Blue Jasmine, sendo praticamente impossível ser ignorada. Merecidíssimo!


Melhor ator coadjuvante: Jared Leto

Todos os indicados mereciam o prêmio, entretanto, Jared Leto era o menos merecedor deste Oscar. A boa caracterização junto de seu assustador emagrecimento, colaborou fundamentalmente para ter recebido a estatueta. É uma característica quase certeira para uma premiação da Academia, mas eu teria dado o prêmio a Barkhad Abi. É impossível não se chocar com o trabalho deste ator somali em Capitão Phillips. São poucas as vezes que você realmente acredita na maldade do vilão em um filme e ele assusta o espectador pela gritante verossimilhança.


Melhor Atriz Coadjuvante: Lupita Nyong'o

Novamente todas mereciam. Mas Lupita fez um trabalho tão incrível e carismático em 12 Anos de Escravidão, que o público se sente quase incapaz de não se emocionar com sua personagem. Se ela não tivesse ganho, Julia Roberts merecia levar por seu extraordinário papel em Álbum de Família.


Melhor Roteiro Original: Ela

Dos cinco indicados, era o mais criativo. Além dos incríveis diálogos, a mensagem do longa de Spike Jonze é imprescindível para a sociedade atual. Muito justo.

Melhor Roteiro Adaptado: 12 Anos de Escravidão

Aqui, a disputa estava mais entre o vencedor e O Lobo de Wall Street. Ambos eram merecedores, mas o filme de Martin Scorsese teve um demérito por conta da polêmica da qual foi acusado de fazer apologia a drogas.


Melhor Filme Estrangeiro: A Grande Beleza

Não consegui ver nenhum dos indicados, mas foi unânime o mérito do italiano ter levado o prêmio.


Melhor Trilha Sonora: Steven Price, Gravidade

Impossível não se encantar pela trilha de Price. É um dos pontos altos de Gravidade. Merecidíssimo de novo. Se fosse para dar para outro, Ela era o segundo maior merecido.


Melhor Canção Original: “Let it Go", de Frozen

A animação da Disney encantou com sua fórmula eterna de fazer animações, mas eu teria dado o prêmio a The Moon Song, do longa Ela, que traz uma sensibilidade incrível ao filme.


Melhores efeitos especiais e fotografia: Gravidade

Acho que a gafe de uma repórter inglesa que perguntou em uma première do filme, em Londres, para Cuarón como foi ter filmado no espaço sideral é a melhor resposta em afirmar o quão impressionante é a fotografia e efeitos especiais da película. É tão inacreditável, que realmente parece ser real. É revolucionário. Nada mais justo o prêmio.


Mixagem de som e edição de som: Gravidade
Mais uma vez o prêmio não poderia ter sido para outro filme, Gravidade mescla o absoluto silêncio com uma trilha arrasadora e faz uma oscila entre o perturbador infinito e o caos do desastre ali presente. É impressionante realmente.


Figurino e direção de arte: O Grande Gatsby

Por mais que fracasse no roteiro, é impossível não dar os devidos méritos ao longa de Baz Luhrmann em seus quesitos técnicos. A direção de arte é magnífica e de extremo bom gosto, com uma sofisticação impressionante. A meticulosidade dos detalhes surpreende, assim como o rico figurino.


Melhor edição: Gravidade

Em um filme com poucos atores e poucos elementos para trabalhar, o novo de Cuarón sabe exatamente alinhar sua edição para deixar Gravidade o mais dinâmico possível. A edição soube exatamente dar à película as cenas que mereciam estar lá e perfeitamente encaixadas em seu timing.


Melhor documentário: A Um Passo do Estrelato

Ainda não vi.


Melhor Animação: Frozen

Não consegui ver a tempo.


Melhor Cabelo de Maquiagem: Clube de Compras Dallas

Mas não tinha a menor dúvida que o longa de Jean-Marc Vallée levaria este quesito. Os outros dois eram risíveis e a disputa chegou a ser injusta.

2.3.14

Crítica: Nebraska

NEBRASKA

Estados Unidos, 2013 - 115 minutos
Comédia / Drama

Direção:
Alexander Payne

Roteiro:
Bob Nelson

Elenco:
Bruce Dern, Will Forte, June Squibb, Bob Odenkirk, Stacy Keach, Kevin Kunkel, Rance Howard, Devin Ratray, Angela McEwan

* Indicado ao Oscar 2014

É de Alexander Payne encantar seus espectadores como as histórias mais simples que podem existir. Vide o excelente Sideways – Entre Umas e Outras e o seu mais recente, o excepcional Os Descendentes. Como de praxe, o brilhante estudo de personagens aliado ao roteiro incrivelmente bem escrito que dá aos projetos de Payne uma identidade poucas vezes vistas no cinema americano, da qual o público sente que está acompanhando histórias de pessoas próximas a ele, tamanho carisma e verossimilhança de sua direção. Em Nebraska não é diferente. O diretor retorna a seu estado de origem para contar mais uma fantástica história.

A trama conta a história de Woody (Bruce Dern), um senhor de idade que acredita ter ganho 1 milhão de dólares na loteria depois de ter recebido uma propaganda de uma revista em seu nome. Descrente do aviso de sua família, o homem tenta por diversas vezes sair de casa para ir reclamar seu prêmio na cidade de Lincoln, em Nebraska. Cansado da situação, o filho mais novo de Woody, David (Will Forte) decide então levar seu pai para a tal cidade e tentar acabar com a situação de uma vez por todas. Mas durante o caminho, o reencontro com a família e a volta das suas origens vai transformar a relação deles permanentemente.

A película granulada em preto e branco não está ali à toa. Ela ecoa um passado da qual o protagonista nunca se desgrudou e, ao mesmo tempo, mostra que as suas decisões atuais são consequência ou inconsequência de seus atos há muitos anos atrás. Ainda sim, a bela fotografia monocromática faz com que o espectador abra um espaço entre a realidade atual e a dos personagens, principalmente pela cultura e educação da cidadezinha por onde o longa passa sua maior parte. A trilha sonora country e melancólica oscila perfeitamente o tom de comédia dramática que Nebraska carrega muito bem.

Sem qualquer pressa para desenvolver sua obra, Payne passa 115 minutos construindo personagens tão cativantes e memoráveis que o espectador não possui a menor dificuldade de se adentrar a história. A relação da família é complexa e muito delicada e o diretor americano consegue explorar um a um e fazer com que entendamos as razões de pensamento e personalidade de cada um. A esposa de Woody sempre revoltada com as atitudes do marido, o filho mais velho tentando apoiar a mãe e segurar a racionalidade dentro da família, enquanto Woody e David vivem a emoção de suas inocências que, em diferentes níveis, um compreende a situação do outro, mesmo que seja sua maneira. David entende o desgaste do pai, mas sem tirar a sua parcela de culpa, ao mesmo tempo não sabe se sente pena da mãe pelo passado sofrido que teve por conta das burras de Woody ou fica com raiva por ela parecer nunca gostar de nada.

O fato cômico do protagonista realmente achar que ficou milionário é explorado de maneira hilária e divertidíssima por Payne. A maneira com que o drama da família vai se desenrolando, é engraçado como a cidade para e Woody vira a atenção de todos por “estar voltando à cidade e mostrar que está milionário”, como diz uma das moradoras do local. Essa mescla dá um ritmo impressionante a Nebraska e o faz tão competente e interessante quanto às outras películas do diretor. É quase impossível não se ter carisma pelos personagens, principalmente Woody, interpretando magnificamente por Bruce Dern. O restante do elenco, outra característica de Payne, é escolhido de maneira extremamente condizente com as necessidades do longa e são igualmente fundamentais.

Sem possuir qualquer reviravolta ou mesmo necessidade de mostrar redenção, Nebraska cativa o público a cada instante pela impressionante conexão que Alexander Payne consegue transmitir para quem assiste suas obras. E se o longa, assim como Philomena, não é páreo para ganhar o Oscar este ano, não é por falta de brilhantismo do seu realizador.

Nota: 9/10

Crítica: Clube de Compras Dallas

CLUBE DE COMPRAS DALLAS
Dallas Buyers Club

Estados Unidos, 2013 - 117 min.
Drama

Direção:
Jean-Marc Vallée

Roteiro:
Craig Borten, Melisa Wallack

Elenco:
Matthew McConaughey, Jared Leto, Jennifer Garner, Steve ZahnDallas Roberts, Kevin Rankin, Denis O'Hare

* Indicado ao Oscar 2014

Acho que a melhor maneira de tentar compreender como a AIDS foi devastadora nos anos 80, deveríamos compará-la ao câncer de hoje. Naquele tempo, ninguém entendia ao certo o que causava o HIV, se ele era contagioso ou mesmo curável. A falta de instrução fez a doença virar quase um pandemônio no mundo inteiro. Parecia ser a mais letal contaminação já existente. Para transmitir toda essa sensação, o diretor Jean-Marc Vallée, do ótimo C.R.A.Z.Y - Loucos de Amor, adapta com uma delicadeza e sensibilidade a biografia do cowboy Ron Woodroof, fazendo uma incomoda critica a indústria farmacêutica e ainda mostrando os preconceitos que os infectados sofriam naquela época.

O roteiro é bem fiel a história de Woodroof (Matthew McConaughey), o mulherengo e esquentadinho cowboy descobre ter contraído HIV após uma transa desprotegida com uma desconhecida. Ao receber a notícia, Ron se nega a acreditar que pegou a doença onde, em uma cultura extremamente preconceituosa, sempre achou que a AIDS era uma doença tipicamente gay. Depois de passar pelo dolorido processo de aceitação, ele começa a tomar um remédio para controlar os efeitos colaterais de ser soro positivo, mas logo descobre que este mesmo medicamento, na verdade, é mais nocivo que saudável. Tentando buscar uma alternativa para sobreviver, o cowboy viaja para o México e com a ajuda de um ex-médico, começa a montar coquetéis para buscar a melhor alternativa para viver mais. Sentindo melhorias, Ron decide abrir um comércio ilegal de remédios para ajudar outros doentes. Para isso, ele convida a transexual Rayon para ajudá-lo. Através dessa estranha relação, Woodroof vai atingindo seus objetivos e saltando de 30 dias de vida, como os médicos havia diagnóstico primeiramente, para 7 anos.

O texto de Craig Borten e Melisa Wallack consegue extrair de forma emblemática a atmosfera dos anos 80. Aquela mescla de medo, preconceito, incompreensão tomam os personagens de forma muito cativante. O diretor francês consegue fazer um estudo de personagem complexa de seu protagonista, nos convence da redenção de Ron, a sua maneira grossa e sem jeito, sobre o mundo em que vive e das pessoas que o cercam. Vallée em nenhum momento transforma Clube de Compra Dallas em um espetáculo de dramalhão piegas, e faz dos sentimentos dos personagens e da própria situação em seu conjunto, valer a força do seu significado. Sendo assim, não sobram cenas forçadas e sim, sequências de muita maturidade e emoções sinceras.

Como não poderia ser diferente, a escala de elenco foi imprescindível para que o longa conseguisse cativar o espectador com a força que faz. Matthew McConaughey definitivamente deixou as comédias românticas fracas de lado e assumiu de volta o seu papel de artista por completo. É impressionante como o ator abraça seu personagem de maneira implacável. Não surpreendente apenas pelo seu emagrecimento assustador, mas consegue pular de papéis de maneira tão precisa, que é impossível não notar seu brilhantismo. Com três excelentes atuações no ano que passou (esse, O Lobo de Wall Street e Obsessão), 2013 foi o ano de McConaughey e o Oscar deste ano é quase certo. Não há como deixar de lado também a caracterização cômica e delicada de Jared Leto irreconhecível como Rayon. Jennifer Garner se mostra esforçada, mas sua inexpressividade pouco ajuda sua personagem aqui.

O maior triunfo de Woodroof é expressado da melhor maneira por Jean-Marc. Ron não era um herói idolatrado, não era amável, sequer uma pessoas com muitos amigos. Mas se mostrou uma pessoa cheia de sentimentos e fez o que podia para ajudar as pessoas, mesmo que não fosse da forma mais politicamente correta.


Nota: 9,3/10