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21.10.13

Crítica: Os Suspeitos

OS SUSPEITOS
Prisioners

Estados Unidos, 2013 – 153 minutos.
Drama/ Thriller

Direção:
Denis Villeneuve

Roteiro:
Aaron Guzikowski

Elenco:
Hugh Jackman, Terrence Howard, Jake Gyllenhaal, Viola Davis, Maria Bello      

Denis Villeneuve é um diretor com uma carreira relativamente extensa, mas com poucos filmes durante toda sua carreira, que basicamente foi construída por curtas. Ganhou destaque em 2011, no Oscar com “Incêndios”, foi indicado a Melhor Filme Estrangeiro, do qual não ganhou. Villeneuve chega agora com um suspense eletrizante, tenso, inquietante, capaz de revirar sua subestimada carreira e virar alvo do gigante mercado de Hollywood. Só por estes motivos, é fácil indicar Os Suspeitos como melhor filme de sua pequena carreira, mas para o expectador é importante saber que estamos diante de um dos melhores suspenses de investigação dos últimos anos.

A história é bem conhecida. Duas garotinhas são sequestradas misteriosamente enquanto as famílias se divertem dentro de casa. Desesperados, os pais Keller Dover (Hugh Jackman) e Franklin Birch (Terrence Howard) logo procuram a polícia e o detetive Loki (Jake Gyllenhaal) logo encontra um suspeito que se encontrava próximo a possível cena do crime. Sem evidências concretas, o detetive é obrigado a soltar o rapaz, o que revolta Dover que, crente que o garoto sequestrou as meninas, decide raptá-lo para fazer justiças com as próprias mãos e tentar descobrir a todo custo o paradeiro das crianças.

O diretor canadense se mostra altamente capaz de manter o tom de suspense inquietante durante toda a projeção do longa. A começar pelo sequestro das garotas que, diferente do que acontece em diversas películas do gênero, espertamente Villeneuve emite ao expectador o momento do sequestro das meninas. Nem um relance sequer é mostrado, aumentando demasiadamente a conexão de quem assiste ao desespero das famílias envolvidas. A partir daí, é um longo e tenso caminho atrás da verdade que parece realmente que nunca virá à tona. A verossimilhança da direção de Denis, e as excelentes atuações do elenco principal, dão forças extremas à proposta de Os Suspeitos.

Longe de parar na ótima direção e atuação dos protagonistas, as qualidades do filme vão muito além. O roteiro aparentemente clichê e sem inovações, dribla o que o expectador poderia esperar da película por tudo o que já viu em outros do gênero, quando o diretor canadense vai colocando a moral de seus personagens à prova de maneira extrema, sem cair na violência gratuita que muitos utilizam para prender despretensiosamente o público. Questiona até mesmo a humanidade e o senso de justiça de pessoas que sofrem na mão de pessoas doentias. A falta de equilíbrio e descontrole de toda a situação, principalmente pelo fato que, quanto mais dias se passam do momento em que as meninas foram raptadas, evidentemente mais difícil fica para encontrá-las, aumentando o desespero dos personagens em atitudes questionáveis.

A abordagem familiar de Villeneuve é simplesmente comovente. O diretor canadense consegue transmitir com muita verossimilhança o abalo e aflição de quem fica a espera de notícias relevantes e nada pode fazer para minimizar a situação. O filho de Dover simboliza de forma muita concisa o papel de que muitos jovens devem assumir de responsabilidade enquanto seus pais vão caindo em total desequilíbrio com o ocorrido e são obrigados muitas vezes a enfrentar pai e mãe pela cegueira que vai aparecendo penosamente.

 Sem forçar a barra com situações impossíveis ou caracterizar personagens com as soluções desgastantes do gênero, Os Suspeitos merece ser visto e aclamado pela sua maravilhosa direção, atores estupendamente empenhados, destaque para a atuação visceral de Hugh Jackman que há tempos não encarava um papel com tanta devoção. E se a história não aparentar a diferenciação citada anteriormente, espere para ver a força deste filme. De despretensiosa, a carreira de Villeneuve não terá nada daqui para frente.


Nota: 9,5/10

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