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7.10.13

Crítica: Os Estagiários

OS ESTAGIÁRIOS
The Internship

Estados Unidos, 2013 - 119 min.
Comédia

Direção:
Shawn Levy

Roteiro:
Vince Vaughn, Jared Stern

Elenco:
Owen Wilson, Vince Vaughn, Will Ferrell, Max Minghella, Rose Byrne, John Goodman, Dylan O'Brien, JoAnna Garcia,Eric Andre, Josh Brener, Tiya Sircar, Tobit Raphael

Depois de produzir o subestimado e divertido “Gigantes de Aço”, com Hugh Jackman, me pareceu esperançoso imaginar que Shawn Levy poderia ter, enfim, encontrado o caminho do comercialmente aceitável, sem chamar o espectador de babaca, como já fez em outras besteiras como Uma Noite no Museu, A Pantera Cor de Rosa e Doze é Demais. Não diferente de suas outras comédias, Os Estagiários possui um enredo fantasioso e ilusório que necessita que o público esqueça as probabilidades da lógica, desconsidere o porquê, e tente aproveitar o resultado da brincadeira. Entendendo isso, não dá pra julgar o longa por colocar dois estúpidos totalmente desqualificados para serem estagiários em uma das maiores companhias do planeta. Entretanto, podemos julgar o espetáculo preconceituoso, imoral e sem graça que a película apresenta no intuito de entreter.

A história não saí do raso: dois vendedores (protagonizados por Owen Wilson e Vince Vaugh) perdem o emprego depois que a firma em que trabalham decide fechar as portas porque o dono acredita que não existe mais público que compre relógios, afinal a tecnologia dominou o cotidiano das pessoas. A decisão não é apenas catastrófica financeiramente para os dois, mas os fazem encarar a realidade inconveniente que estão completamente desatualizados do mercado de trabalho. Após uma não crível desculpa, Billy (Vaugh) consegue uma entrevista para ele e seu amigo para serem estagiários no Google e mesmo depois de uma sucessão ininterrupta de babaquíces que ninguém ousaria fazer em uma entrevista tão importante como aquela, eles inacreditavelmente conseguem uma chance. A partir daí, é uma luta contra o tempo para aprender a se adequar a um mundo que nunca fizeram parte e conseguir uma vaga efetiva na empresa.

Os Estagiários já começa errado por ter sido lançado em uma época muito aquém às piadas que tenta fazer durante os intermináveis 85 minutos de projeção. Com a tecnologia e as pessoas muito mais próximas e evoluídas, as sátiras não conseguem surtir efeito, nem se elas fossem, de fato (o que não são), divertidas e originais. Descontextualizado, Levy apela para as caras de bocas caricatas da dupla de protagonistas para tentar emplacar seu filme. Novamente, a coisa não funciona, já que Wilson e Vaugh são limitados e a direção pouco ajuda para tirá-los da atuação automática. Quando tenta investir em um tom mais sério, a vergonha alheia surge pela cara pavorosa de Owen, que estampa todos seus filmes que tenta parecer mais sério. Vergonhoso. E mesmo que tivesse aqui dois atores altamente competentes, o roteiro de Shawn exagera em clichês, sermões e situações preconceituosas e desagradáveis.

A visão do diretor é bem clara: dar à massa a oportunidade de tentar compreender, divertidamente, este mundo tão desejado por tantos, entretanto, rotula não apenas personagens que são funcionários na empresa, mas todos os nerds como seres intelectualmente inteligentes, porém, incapazes de brilharem ou serem realmente geniais porque em suas vidas faltam diversão e sexo. São pessoas que não sabem aproveitar a vida em todos os sentidos. Aparentemente Levy não conhece a biografia de Steve Jobs. Quando tenta dar sermão nos personagens e os colocam para “enfrentar seus problemas”, um toque levemente espiritual é dado ao filme. Aí, não há mais nada o que possa se fazer.

Para rotular ridiculamente para a mente do expectador mais superficial (e ignorante), o diretor de Gigantes de Aço apela nas definições mais clichês e impertinentes possíveis: os nerds “burros” no filme são representados pelos americanos (o que é quase uma ironia, de certa forma), os intelectuais são protagonizados pelos ingleses, os esquisitos pelos indianos e os alternativos pelos asiáticos.

A história ainda tem tempo para acrescentar lições de moral que nem crianças de 5 anos engolem mais, como trabalhar em equipe para o bem de todos, não sabotar seu concorrente que uma hora você será punido, não menospreze as pessoas antissociais porque elas podem não ser exatamente quem elas parecem ser, tudo isso com direito a câmera subindo em direção ao céu ensolarado. Se fosse um doce, Os Estagiários daria diabete ao menor contato.


Nota: 3/10

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