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15.9.13

Crítica: Rush: No Limite da Emoção

RUSH: NO LIMITE DA EMOÇÃO
Rush

EUA, Inglaterra, Alemanha, 2013 - 123 minutos.
Corrida / Drama / Esporte

Direção:
Ron Howard

Roteiro:
Peter Morgan

Elenco:
Chris Hemsworth, Natalie Dormer, Olivia Wilde, Daniel Brühl, Tom Wlaschiha, Rebecca Ferdinando, Alexandra Maria Lara, Joséphine de La Baume, Rain Elwood, Jamie Sives, Pierfrancesco Favino, Julian Seager, Patrick Baladi

Uma obra somente é completa quando, independentemente do meio que tenha vindo, seja uma adaptação de quadrinhos, livros ou games, seja completamente compreensível desde o fã mais fervoroso até aquela pessoa que caiu de paraquedas na sala de cinema. Claro que vir com conhecimento ou vivência de algo que está se presenciando em um filme traz maior prazer e nostalgia para quem estiver assistindo, mas o projeto deve ter a obrigação de ser claro para todos.

Rush: No Limite da Emoção não é exatamente uma adaptação e sim a biografia de dois dos maiores corredores de Fórmula 1 da história. Confesso primeiramente que nunca fui fã do esporte e pela minha ignorância pessoal também nunca tinha ouvido sequer falar de Niki Lauda e James Hunt. Entrei na sala de cinema sem nem ter visto um trailer da película, apenas confiante na chuva de elogios que o filme de Ron Howard levou por onde passou. E o resultado foi bem claro: se consegui sair surpreso com a fantástica história destes corredores, quem dirá os fãs do gênero.

A trama narra pelos dois pontos de vista, a história de Niki Lauda e James Hunt. Dois corredores completamente distintos em suas personalidades que criaram uma rivalidade quase que instantânea por representarem dois polos distantes como pessoas: Niki (interpretado maravilhosamente por Daniel Brühl), alemão vindo de uma família tradicional e controladora, delimita sua vida e profissão dentro da lógica e percentuais de erros, onde cada movimento pode ser crucial para a vitória ou fracasso. Já James (vivido surpreendentemente bem por Chris Hemsworth), inglês acostumado à boemia, possui uma vida desregrada onde sequer sabe com quem vai levantar no dia seguinte, onde sua raça atrás do volante é definida por seu instinto aventuresco e, de certa forma, quase suicida. O longa foca exclusivamente a disputa entre os dois corredores nos anos 70 pelo prêmio mundial de Fórmula 1, em 1976.

Para dar a ambientação da película o tom exato da época, Howard cria uma fotografia de cores levemente dessaturadas e desajustadas com granulação para simular as câmeras da época e dar, automaticamente, mais realismo às cenas. A incorporação das “hand-cam” (câmeras na mão) consegue envolver com muita precisão quem assiste não apenas nas fantásticas sequências das corridas protagonizada por Lauda e Hunt, mas consegue aproximar emocionalmente o espectador e aprofundá-lo dentro do estilo de vida dos dois corredores.

Apesar das boas soluções técnicas, Rush: No Limite da Emoção se beneficia da experiência de Howard em reconstruir grandes histórias para o cinema como o excelente Frost/Nixon e A Luta pela Esperança. Sabido, o diretor americano compreende a necessidade do filme em não se aprofundar apenas nos violentos shows estrelados pelos dois corredores nas pistas, mas dar ao público a compreensão de dois pontos de vistas igualmente interessantes e, a partir deles, construir um tom de rivalidade e, no fundo, de companheirismo que os dois tinham secretamente. A sequência em que Lauda admite a Hunt que ter um inimigo nas corridas não é algo ruim e sim motivador para ambos continuarem uma rixa incessante, é o ponto claro em mostrar que a graça não era vencer e sim ter um adversário à altura. E neste ponto, os dois mostravam-se totalmente contraditórios. Niki sempre afirmando que corria porque era a única coisa com que sabia fazer dinheiro. E James que sempre dizia que a graça de correr era estar perto da morte e pela diversão que isso causava. O resultado foi que James deixou o esporte dois anos depois da grande corrida de 1976 e Lauda se aposentou depois de alguns anos, onde claramente a graça de correr não era mais a mesma sem Hunt.

Sem se apoiar exageradamente nos dramas, Howard consegue aproveitar o melhor da história que conta, construindo um tom perfeito para o espectador, dando equilíbrio certo entre o ótimo roteiro e as sequências empolgantes de ação. A escalação do elenco é extremamente feliz. Hemsworth e Brühl possuem excelente dinamismo de cenas juntos e a rivalidade da história original engrandece em momentos épicos protagonizados pelos dois. O elenco secundário é ótimo e dá o apoio necessário para o filme.

Com a escalação de filmes para o Oscar de 2014 chegando, será muito difícil que Rush: No Limite da Emoção não ganhe algumas indicações muito merecidas por esta reconstrução biográfica fantástica de dois corredores igualmente brilhantes que levavam estilos de vidas totalmente distintos que garantiu a ambos o preço alto de suas escolhas.

Nota: 9,5/10


Um comentário:

  1. Parece bom então.... assim que tiver oportunidade preciso conferir essa produção. F1 é uma temática ainda inédita até onde sei no cinema, sendo que o longa sobre Ayrton Senna era um documentário.

    abraço

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