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28.9.13

Crítica: Elysium

ELYSIUM

Estados Unidos, 2013 - 109 min.
Ação / Ficção científica

Direção:
Neill Blomkamp

Roteiro:
Neill Blomkamp

Elenco:
Matt Damon, Jodie Foster, Sharlto Copley, Diego Luna, Wagner Moura, Alice Braga

Quando Distrito 9 chegou aos festivais de cinema, todo mundo surtou pela intensa criatividade aliado à uma grande crítica social entre metáforas e simbolismos com criaturas bem distantes da criação hollywoodiana e de aproximação com o expectador. A ideia de Peter Jackson de financiar o primeiro longa de Neill Blomkamp pareceu mais do que inteligente, uma vez que o sul-africano honrou a premissa que cumpriu e mexeu com o gênero de ficção cientifica, com um orçamento modesto e atores nada conhecidos.

Agora em Elysium, seu segundo filme, Blomkamp tentar criar uma película com tom de crítica social com um orçamento mais folgado e atores conhecidos para emplacar sua carreira de vez entre os magnatas. Infelizmente, como acontece com muitos, o diretor perde-se com o alto orçamento recebido e entrega um filme instável e mal aproveitado em um cenário com potenciais épicos.

A trama se passa em 2154, a Terra está superpopulosa, imunda e sem qualquer qualidade de vida para os seres humanos. Sendo assim, os governos se juntam para criar Elysium: uma espécie de satélite que consegue receber toda estrutura para uma excelente vida, altamente saudável. Claro que para ser cidadão deste paraíso, a pessoa deve ser muito rica, o que faz da Terra um local quase abandonado e esquecido pelos milionários, que ainda a utilizam para fazer a massa que vive em condições sub-humanas a trabalhar como escravos. 

Dentro deste mundo medíocre conhecemos Max (Matt Damon), um operário de fábrica que é exposto a uma fortíssima radiação devido a uma negligência de um supervisor que insiste que ele tente consertar a máquina onde trabalha a qualquer custo. Doente e com poucos dias de vida, Max é levado até o traficante cibernético Spider (Wagner Moura), que promete ajuda-lo a chegar até Elysium, que conta com máquinas capazes de curar qualquer tipo de doença. Para isso, ele deve ajudar o traficante a roubar informações de algum bilionário para conseguir estabilidade financeira e poder comprar sua passagem permanente para o satélite. Entretanto, a secretária Delacourt (Jodie Foster) e seu agente secreto Kruger (Sharlto Copley) estarão dispostos a impedir a qualquer custo a entrada de ilegais dentro do local.

A ambientação da Terra em Elysium é muito semelhante à de Distrito 9. A sensação que se tem é que a imundícia dos cenários penetram na pele da população tamanha sujeira e aglomeração de lixo presente em todos os cantos. Neste quesito, os brasileiros podem ter certa familiaridade com a situação, já que por diversas vezes, o local se assemelha a paisagens conhecidas por nós. Já a bela estação espacial ambientada pelos milionários contrasta em contraponto, toda a pobreza da Terra com cenários perfeitamente projetados, muito parecidos com A Ilha, de Michael Bay e o recente Oblivion, do arquiteto e diretor Joseph Kosinski.

A crítica social que Blomkamp quer transmitir em seu longa, mostrando novamente a frieza social perante as classes inferiores, vai se perdendo a medida que Elysium começa a priorizar grandes clichês em seu roteiro e um show pirotécnico de efeitos especiais e desperdiça os grandes potenciais que cria durante todo o filme.

É compreensível que boa parte dos deixados na Terra sejam representados por latinos e asiáticos, provavelmente seria a mais obvia hipótese se um dia tudo isso realmente viesse acontecer. Entretanto, querer vender para quem assiste que Damon é latino, força demais a credulidade da história. É evidente que os executivos tiveram a mão presente dentro desta decisão, uma vez que Blomkamp não pensou duas vezes em colocar Copley, um sul-africano, para protagonizar Distrito 9. Aqui, o estrelismo do protagonista impulsiona a fragilidade e a fraqueza do roteiro. Como se não fosse o suficiente, o diretor sul-africano ainda abre um espaço desnecessário na trama para dramatizar a história do protagonista com flashbacks da sua infância que era praticamente profetizada pela avó de Max. Mais clichê, impossível.

A situação piora quando Elysium vai alterando gradativamente seu tom e foco, perdendo a força dos personagens vividos por Jodie Foster, que vive uma tirana fria e calculista, Wagner Moura, excelente em sua estreia no cinema hollywoodiano e Sharlto Copley, que rouba descaradamente as cenas em que está com um personagem doentio e insano. Ironicamente ou não, os três personagens eram cruciais para o desenvolvimento da crítica social que tanto Blomkamp tenta expor e perde força principalmente por ofuscar personagens estão interessantes e cheio de potenciais, em meio a correrias e explosões que no longa anterior do diretor faziam muito sentido, aqui tem apenas a intenção clara de entreter.

Agora nos resta a grande dúvida em saber a promessa financiada por Peter Jackson cairá no tornado gigantesco de executivos e estúdios que utilizam do cinema para vender o produto mais medíocre e fútil o possível, ou foi apenas um deslize em uma carreira visionária e criativa.


Nota: 6/10

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