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4.8.13

Crítica: O Labirinto do Fauno

O LABIRINTO DO FAUNO
El Laberinto del Fauno

México/Espanha/EUA, 2006 - 112 minutos.
Drama / Fantasia

Direção:
Guillermo del Toro

Roteiro:
Guillermo del Toro

Elenco:
Ivana Baquero, Doug Jones, Sergi López, Ariadna Gil, Maribel Verdú, Álex Angulo, Roger Casamajor, César Vea, Federico Luppi, Manolo Solo

Por mais estranho que possa soar, O Labirinto do Fauno tem algo em comum com Bastardos Inglórios. Assim como Tarantino, o talentosíssimo Guillermo del Toro já havia embarcado em excelentes projetos antes deste conto de ninar de terror, e assim como o diretor de Pulp Fiction: Tempos de Violência, o diretor mexicano foi evoluindo suas peculiaridades e formas de direção até atingir a união e sincronia perfeita entre personalidade e arte. Ambos os filmes por mais distantes que sejam, controversamente, dividem o ápice de dois diretores que, sem sombra de dúvidas, farão muita falta quando levantarem para sempre de suas cadeiras. E assim como Bastardos Inglórios é a obra-prima de Tarantino, O Labirinto do Fauno é o maior e excepcional marco na carreira de del Toro.

No criativo roteiro, voltamos na época do fascismo espanhol, em 1944, com uma garotinha e sua mãe indo para o interior do país para se encontrar com o impiedoso e brutal Coronel Vidal. Tentando escapar da dura realidade de ver sua mãe prestes a se casar com um homem nada confiável, além da situação infeliz e dominadora em que se encontra, Ofelia embarca em um mundo fantasioso da qual ela deverá passar por três diferentes tarefas que poderão custar sua vida e das pessoas a sua volta em troca de voltar para o verdadeiro mundo da qual pertence, revelado por um instigante e misterioso fauno.

Com sua técnica absurdamente cativante, desde a encantadora trilha sonora, o impecável trabalho de direção de arte, ambientação, maquiagem e efeitos visuais são enquadrados maravilhosamente por uma fotografia lindíssima e acolhedora, de forma a agarrar firmemente o espectador dentro do universo criado, como se o excepcional roteiro não fosse preciso o suficiente para isso. E tentando esquecer toda a perfeita execução do texto e sua criatividade incontestável, a direção de del Toro reluz como diamantes recém-polidos tamanha imersão e profundidade dada a quem assiste a sua cativante história.

O Labirinto do Fauno transcende a barreira dos gêneros, da imaginação, para tornar a experiência do público única. É de se emocionar a inocência e pureza de Ofelia (protagonizada belamente por Ivana Baquero) perante o nojento mundo da qual vive. As tarefas pelas quais a garota deverá passar ultrapassam, sem quaisquer dúvidas, a mera intenção de aventura ou pretexto para gerar ação na película e entrega, com certa complexidade, uma personalização de caráter da protagonista perante as suas escolhas. Os simbolismos de cada missão são quase bíblicos, tamanha as lições de moral que involuntariamente acabam atingindo o espectador e o faz questionar o deplorável e instintivo ato de autodestruição do ser humano dentro do nosso próprio mundo. A falta de crença dos adultos no longa referente as fantasias que os rodeiam mostram, maravilhosamente, como nascemos com absolutamente tudo o que precisamos, perfeitamente capazes de praticar a bondade e amar tudo o que nos cerca, entretanto, vamos encarando a suja e perversa realidade dos homens fazendo com que toda nossa pureza vá se perdendo conforme vamos crescendo. Isso é retratado com tamanha delicadeza e, ao mesmo tempo, brutalidade em seu contraste (fantasia e guerra), que a película atinge o espectador, seja ele quem for, a se convencer plenamente da obra-prima exibida durante os 118 minutos de projeção.

É até irônico ou injusto sequer mencionar o que direi, mas M. Night Shyamalan tentou fazer um “conto de ninar de terror”, como ele mesmo denominou, basicamente com as mesmas fórmulas do longa de del Toro em A Dama na Água. É claro que não é preciso dizer que enquanto o mexicano construiu a sua maior obra-prima deste então, o indiano torturou o público com um pavoroso e incoerente filme que manchou a brilhante carreira de Paul Giamatti. Só por isso ele deveria ser preso. Revolta a parte, O Labirinto do Fauno é um convite esplendoroso e único para conhecer o talento de um dos melhores diretores atuais e um dos projetos mais fabulosos da última década.

Nota: 10/10

Um comentário:

  1. Mais do que um grande filme, gosto de recomendá-lo aos amigos como uma obra cult imprescindível de ser conhecida! Ótimo post. Parabéns!

    abraço

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