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22.7.13

Crítica: X-Men Origens: Wolverine

X-MEN ORIGENS: WOLVERINE
X-Men Origins: Wolverine

Estados Unidos, 2009 - 107 minutos.
Aventura

Direção:
Gavin Hood

Roteiro:
David Benioff e Skip Woods

Elenco:
Hugh Jackman, Liev Schreiber, Danny Huston, Will i Am, Lynn Collins, Kevin Durand, Dominic Monaghan, Taylor Kitsch, Daniel Henney, Ryan Reynolds


Deixando mais pontas polêmicas do que gostaria de ter deixado e tendo uma franquia que arrecadou cada vez mais que o anterior, os executivos da Twentieth Century Fox não tiveram muitas dúvidas em explorar o universo de X-Men de forma individualista, na esperança que o seu público adorasse estes respectivos filmes e eles conseguissem criar um mundo todo dos mutantes no cinema arrecadando caminhões de dólares. Talvez este seja um dos exemplos mais recentes da ganância de um estúdio em querer produzir algo padronizado e totalmente massivo, de péssima qualidade, acreditando exclusivamente no grande nome de seu protagonista para uma bilheteria gigantesca em meio a uma temporada concorridíssima de blockbusters de verão. É claro que estamos falando do fiasco X-Men Origens: Wolverine.

O projeto todo em si já começou errado. Naquela época (não que ainda não seja, é, mas muito menos), a Fox comandava seus projetos de forma quase fascista e qualquer diretor que não tivesse um currículo de bilheterias rentáveis ou que tivesse revolucionado o cinema (James Cameron é um dos poucos diretores que recebe total sinal verde do estúdio e não é difícil entender o porquê), era manipulado a sua forma a comandar os filmes, fazendo com que a liberdade criativa de seus realizadores fosse praticamente nula.

Mesmo assim, Gavin Hood se arriscou e tentou dar um toque mais sombrio no projeto e personalizá-lo com suas características. Na primeira exibição deste material, a Fox recusou o que ele havia feito e deu o veredito que Wolverine era um personagem para o público infantil e que o filme não poderia ser sombrio, pois as crianças não gostariam e fez o projeto ter boa parte de sua estrutura alterada e refilmada. Por ironia do destino ou não, durante o processo final do longa, O Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan, com seu monstruoso Coringa e um universo dark, estourou nas bilheterias e fez não apenas a Fox, mas todos os outros estúdios compreender que a verossimilhança e o tom mais sombrio era uma tendência totalmente real, inclusive, nas adaptações de quadrinhos. E por mais inacreditável que pareça, o estúdio fez com que Hood voltasse a seu projeto original. Entretanto, boa parte dos 150 milhões de dólares do orçamento já havia sido gasto, fazendo com que houvesse outra reestruturação em cima do que já havia sido feito para tentar atender esta tendência.

O resultado foi catastrófico como o esperado. Tirando as infinitas desgraças do roteiro envolvendo personagens, núcleo central da trama, entre outros pontos, é muito mais que visível, seja pelo texto ou pela porca edição da película, as misturas destas refilmagens que foram forçadas a fazer parte de um todo. Como estrutura não fica difícil perceber: o começo do longa (a cena que seus pais são assassinados, passando pelos créditos e até sua transformação) possui em bom tom sombrio e coerente com a proposta do diretor, após isso X-Men Origens: Wolverine se resume a uma estupidez recheada de um humor patético e sem graça, com a inclusão de personagens sem qualquer conexão com o público ou realmente relativa a trama e por fim, próximo ao terceiro ato, a desgraça se conclui com a mistura dos dois primeiros atos, com um forçadíssimo tom sombrio, incluindo tantos personagens que o espectador é incapaz sequer de memorizá-los (quem dirá se aproximar emocionalmente) a fim de garantir um (falho) espetáculo visual que causa vergonha alheia em qualquer um, fã ou não.

Quem dera se parasse por aqui. O vilão Deadpool, interpretado pavorosamente por Ryan Reynolds, é uma criatura absurdamente mal projetada que, além de ser mediocremente desenvolvida, seja pelo ator ou o péssimo roteiro e abrangência do personagem, peca em um visual tenebroso e amador, inadmissível para um orçamento destes. Nem o próprio Hugh Jackman consegue salvar a película do fiasco que se coloca por mais esforçado que tente parecer.

O resultado de tanta incapacidade felizmente teve seu devido retorno. Um pouco mais de uma semana para o filme estrear, ele acabou sendo hackeado do estúdio e colocado na internet e todos os fãs puderam verificar a desgraça que havia sido feito com um personagem tão adorado no universo Marvel e boa parte deles decidiram boicotar a película nos cinemas, que só não amargou o vermelho pelos que foram pegos desprevenidamente. E tudo poderia ter sido evitado se X-Men Origens: Wolverine tivesse sido executado pelo seu realizador da forma como foi idealizado desde o inicio, o que fez, obrigatoriamente, o estúdio repensar suas táticas com o universo dos mutantes e X-Men: Primeira Classe se mostrou um feliz pedido de desculpas. Entretanto, ele será devidamente aceito com resultado de Wolverine – Imortal, que se baseia em um das sagas mais prestigiadas pelos fãs.


Nota: 2,5/10


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