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29.7.13

Crítica: Wolverine - Imortal

WOLVERINE - IMORTAL 
The Wolverine

Estados Unidos/ Japão, 2013 - 126 minutos.
Ação

Direção:
James Mangold

Roteiro:
Mark Bomback, Scott Frank

Elenco:
Hugh Jackman, Famke Janssen, Svetlana Khodchenkova, Hal Yamanouchi, Tao Okamoto, Hiroyuki Sanada, Rila Fukushima, Brian Tee, Will Yun Lee

Pela qualidade assustadora de X-Men Origens: Wolverine presumia-se que não havia como ficar pior nesta continuação, e felizmente isso não ocorreu. Wolverine – Imortal reconquista com precisão as qualidades do mutante e James Mangold quebra alguns paradigmas do subgênero para levar seu longa de super-heróis para longe das barreiras impostas por outros diretores e projetos. Em uma execução inteligente e interessante, é de se decepcionar que a película ameace tudo o que criou próximo de seu terceiro ato deixando o resultado final um pouco acima do satisfatório.

A história dessa vez vem das adaptações mais apreciadas pelos fãs do personagem, criadas por Frank Miller e Chris Claremont. Logan está sendo atormentado pelo seu passado e é incapaz de se reinterar a sociedade pela sua instabilidade emocional. Após uma briga em um bar descobre que Yashida, um soldado que ele salvou na época em que as bombas caíram sobre Hiroshima e Nagasaki, está o convidando para que ele vá ao Japão para ser agradecido pessoalmente pela sua vida e o império que conseguiu criar com o passar dos anos. Com muita relutação, ele decide partir viagem junto de Yukio para Tóquio e chegando lá tem uma surpresa: o antigo soldado possui tecnologia o suficiente para que Logan consiga se livrar de sua invulnerabilidade e se torne mortal para que possa, eventualmente, morrer como qualquer outra pessoa e encontrar a paz que tanto busca. Após a morte repentina de Yashida, o tenso conflito entre a família do ex-soldado com a máfia Yakuza se intensifica e sua neta Mariko é alvo de uma tentativa de sequestro, pois com a morte de seu avô, se tornará uma das mulheres mais poderosas do Japão, já que ele deixou toda sua companhia para a jovem. No entanto, a situação piora com um inimigo desconhecido que deixará Wolverine vulnerável e sendo obrigado a lutar com seus próprios demônios.

A primeira boa sensação que se tem do longa é respeito. Respeito primeiramente por manter todo o idioma japonês durante toda a projeção, algo que Hollywood raramente mantém pela preguiça dos americanos em ler legendas. Exemplo repulsivo de se lembrar é Operação Valquíria com Tom Cruise, que se passa na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial e o filme é imprudente ao ponto de fazer todos os alemães, inclusive Hitler, a falar inglês. Respeitoso também por parte de Mangold em manter com muita sobriedade as tradições japonesas, o que não é incomum de ser ridiculizarizado neste tipo de projeto. O diretor americano também é esperto em manter o humor da película em doses muito sutis e só aparece quando realmente é conveniente. Não há quaisquer comparações com a aberração anterior.

No entanto, o que separa Wolverine – Imortal dos outros filmes de super-heróis desta magnitude é o tom pedestre que carrega quase até seu terceiro ato. Em nenhum momento James força a película com doses exageradas de efeitos especiais, repleto de mutantes destruindo coisas e tentando entreter o espectador com mesmice. Em grande parte, o longa é uma grande jornada de descobertas e um grande reencontro espiritual de uma pessoa que perdeu a vontade de viver e isso vai muito além de usar  garras. O diretor americano entende isso e tem toda paciência do mundo para desenvolver seu projeto com sensibilidade. Sentimento que potencializa mais do que consideravelmente a força dos personagens que são desenvolvidos (não apenas o protagonista) e realmente faz uma boa conexão com o público.

É surpreendente que parte destas ligações venham de suas estreantes e modelos Rila Fukushima e Tao Okamoto. Vindas do mundo da moda, ambas possuem uma presença de cena muito interessante e criam um vinculo imprescindível com o público muito necessário nas suas personagens. Outras modelos já se aventuraram e não tiveram tanta sorte, principalmente porque em grande parte das vezes elas são levadas como objeto de decoração de cena. Michael Bay com sua Rosie Huntington-Whiteley cuja primeira aparição em Transformers: O Lado Oculto da Lua é estrelada por seu sensual traseiro. Hugh Jackman retorna seu ótimo vigor para o papel e novamente passa a impressão de ser a encanação perfeita de Wolverine. O restante do elenco é satisfatório.

Tudo parecia muito bom pra ser verdade até o final do segundo ato. Depois, Wolverine – Imortal caí em erros ingratos e semelhantes aos de Prometheus, de Ridley Scott, e começa a apresentar incoerências e bobagens até então extintas de seu roteiro. O tom pedestre da película é substituído por um confronto enfraquecido e desesperador a entregar ao público tudo o que achava que devia anteriormente. O pior de tudo, no entanto, fica com o erro dos roteiristas em dar a juventude para determinado personagem através da imortalidade de Wolverine que, pelo menos dentro do universo estabelecido nos cinemas (e aparentemente neste aspecto é idêntico aos quadrinhos), deixa totalmente claro que quando Logan ganha a imortalidade, ele não rejuvenesce e sim fica invulnerável a partir do momento de sua transformação com o adamantium e sua regeneração celular. A partir daí, o grande vilão do filme se torna a maior fraqueza do filme.

Mesmo escorregando, é de se respeitar os bons atributos da criação de James Mangold. Com personagens bem desenvolvidos, sensibilidade em conectar o espectador em uma trama e um universo mais tangível e interessante, as comparações com X-Men Origens: Wolverine são quase que inexistentes. E a cena entre os créditos deixa um bom pretexto para acompanhar X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, próxima adaptação vinda de uma das HQ’s mais conceituadas da série.


Nota: 7,5/10

Um comentário:

  1. Concordo, tanto que nas cenas finais ao ser retirado seu fator de cura, ele nao deveria perder o Adamantium, pois o metal foi implantado em seu corpo e nao faz parte da sua mutaçao genética, essa parte nao entendi.
    Abraço!

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