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15.7.13

Crítica: Sex and the City 2

SEX AND THE CITY 2

Estados Unidos, 2010 - 146 minutos.
Comédia / Romance

Direção:
Michael Patrick King

Roteiro:
Michael Patrick King

Elenco:
Sarah Jessica Parker, Kristin Davis, Cynthia Nixon, Kim Cattrall, Chris Noth, David Eigenberg, Evan Handler, Willie Garson, Mario Cantone, Liza Minnelli, Penélope Cruz, Miley Cyrus, Jason Lewis

É de aguçar a curiosidade de qualquer crítico em entender como uma série como Sex and the City, vencedora de 8 Globos de Ouro, com um público bem formado e fiel conseguiu desandar os longas que foram para o cinema, mesmo possuindo o próprio criador da série como roteirista junto de Michael Patrick King que, mesmo novato em direção, já havia dirigido alguns episódios da série e entendia todo o conceito da coisa. Se Sex and the City – O Filme pecava em dar ao público em drama apático, Sex and the City 2 entrega aos fãs e a seu público exatamente o que ele quer assistir e ainda sim foi metralhado pela crítica e seu próprio público por razões não muito coerentes.

Na simples trama, Carrie tenta fazer com que seu casamento com Sr. Big não caia na monotonia, enquanto se prepara para o lançamento de seu novo livro. Miranda tenta resolver seus problemas com seu sócio machista, Samantha curte sua solteirice como uma menina de 17 anos e Charlotte tenta não enlouquecer enquanto cuida de seus dois filhos e sente-se ameaçada pela beleza da babá irlandesa que recusa-se a usar sutiã. Com a estreia do novo longa de seu ex-marido, Smith Jerrod, que é financiado por executivos árabes, Samantha conhece o Sheik Khalid que fica surpreso com a determinação e o poder da moça em transformar a carreira de Jerrod, então decide fazer uma proposta irrecusável: levar ela a passar uma semana na exuberante Abu Dhabi, em uma viagem em sua própria companhia aérea e se hospedar em seu luxuosíssimo hotel, para depois terem uma reunião e decidirem como vender esta experiência para as Américas.  Sem pensar duas vezes, ela aceita o convite contanto que possa levar suas três melhores amigas.

Assim como em seu anterior, King pinta o universo das quatro amigas em mundo aquém da realidade em que vivemos. Arrisca a quebrar certos costumes das mulheres árabes para trazer certa aproximação global de feminismo pela paixão incontestável à moda, o que pode aparentar ofensivo a alguns. A película não tem qualquer objetivo de encher o espectador com roteiro de situações melancólicas como foi feito no anterior e sim entregar tudo o que seu público quer ver. Há muita honestidade no trabalho do diretor americano, mesmo que ele seja criticado pela fantasia que cria do mundo real. Afinal, a série não era uma obra-prima (apesar de seu fenômeno) e nunca teve o objetivo de refletir a profundidade da sociedade em que Carrie e suas amigas vivem. Então não vejo o porquê esperar isso do filme.

A riqueza e o luxo fazem parte constante da vida das quatro e sim, estimula um consumismo exagerado de mulheres que parecem ter encontrado o ponto ideal da vida. Mesmo passando na época da crise financeira dos EUA, o que é mencionado no longa, o diretor faz questão de mostrar que todas têm ciência da situação do país e do mundo em geral, a exemplo da cena em que Carrie diz não vender seu antigo apartamento pois o mercado imobiliário não era dos melhores atualmente ou a cena que Miranda decide deixar de ver as desgraças implantadas no jornal para ler a noticia de um marido que estava traindo sua mulher com a babá (que desperta engraçadamente a atenção de Charlotte). Apesar da futilidade que pode aparentar as centenas (sim, centenas) trocas de roupas que elas fazem no filme, não existe nas personagens um tom estúpido e hipócrita de ilusão ao que vivem como, por exemplo, na protagonista de “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”. Assim como o seu público (era o que se esperava, ao menos), elas sabem exatamente o que fazem e optam por este estilo de vida, mesmo que ele pinte uma realidade nada comum e alcançável para boa parte da humanidade e boa graça do longa é iludir o expectador a fim que ele se entretenha com algo bobo, porém, honesto em entregar exatamente o que propõe, não que seja algo espetacular.

É quase que injusto massacrar Sex and the City 2, enquanto há vampiros que espancam mulheres (que, por sinal, acham normal) e dizem ser amor incontido ou um bilionário sadomasoquista que usa sua secretária como um capacho boçal e inaceitável que denigre a imagem de todas as mulheres que simplesmente parecem achar o máximo a situação se baseando no sucesso absurdo e repulsivo de ambos dos casos citados seja em seus romances ou filmes (no segundo caso, ainda se tornará). Em contrapartida, o longa de Michael Patrick King é inofensivo. Impõe feminismo em todas as personagens (Carrie praticamente recusa-se a usar seu nome de casado na cerimônia em que é madrinha porque seu sobrenome a define) e apesar de toda superficialidade ou futilidade, encoraja as mulheres a se valorizarem perante aos homens e não colocá-las como submissas (outra situação que é enfatizada quando a protagonista fica abismada pelo fato de uma mulher árabe andar com um lenço na boca e parecer “não ter voz” como ela mesma diz).

Longe de ser uma obra-prima ou ao menos algo obrigatório a ser visto, a continuação da jornada de Carrie e suas amigas entretém o espectador com divertidas passagens (a ótima cena em que Samantha tem a bolsa rasgada por um árabe e todas as suas camisinhas caem perante religiosos fervorosos que quase entram em colapso ao se deparar com a cena é impagável, aliás, essa rouba todas as cenas que participa) em seu universo bem distante da verossimilhança. E perto das aberrações que vêm surgindo, seus defeitos são indolores e inocentes. Infelizmente talvez seja o motivo por ter sido tão rejeitado, talvez seu público não esteja mais contente com a inocência e prefira se rebaixar a submissão de qualquer idiota com uma conta maior que 10 dígitos.

Nota: 6/10


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