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18.7.13

Crítica: Passion

PASSION

França/ Alemanha, 2012 - 105 minutos.
Suspense

Direção:
Brian De Palma

Roteiro:
Brian De Palma, Alain Corneau, Nathalie Carter

Elenco:
Noomi Rapace, Rachel McAdams, Paul Anderson, Karoline Herfurth, Rainer Bock


Faz tempo que Brian De Palma, conceituadíssimo, deixou de fazer clássicos como Scarface ou Carrie, a Estranha e vem mergulhando em desastres depois de 1996 com o primeiro Missão Impossível. Tentando retornar ao gênero que o consagrou no mercado cinematográfico (O que parece estar sendo a última moda em Hollywood. Ridley Scott que o diga.) com Passion. Carregado de besteiras do inicio ao fim, é degradante ver um cineasta de um passado tão aclamado afundar numa desgraça como esta.

A trama, envolvida em um thriller quase erótico, conhecemos a poderosa executiva Christine (Rachel McAdams) que se sente ameaçada pela sua subordinada Isabelle (Noomi Rapace) que dá o grande suporte criativo das campanhas mais importantes da agência onde trabalham. Em uma apresentação importante de uma destas campanhas, a executiva rouba as ideias de sua promissora funcionária e diz que ela faria o mesmo se tivesse em sua posição. A partir daí começa um jogo sedutor e manipulador que, consumido pela perversão, desencadeia um assassinato da quais todos serão suspeitos.

Por mais infeliz que seja a execução de todo o longa, havia um tom de esperança criativa para Passion, que conta com duas atrizes excepcionais como McAdams e Rapace que aqui beiram uma mediocridade incompreensível (parece até proposital). O roteiro desequilibrado, uma técnica apavorante e uma trilha sonora tenebrosa (uma das piores que ouvi há tempos) dão um tom esquisitíssimo para a película e o espectador nunca consegue entender as intenções de seu diretor. O tom exageradamente teatral com uma fotografia inspirada em novelas mexicanas faz parecer que De Palma se autossatiriza a um gênero que dominava tão bem. Mas se o filme for capaz de provocar risos em quem estiver assistindo serão de constrangimentos.  

Uma mistura de técnicas inadmissíveis e de péssimo mau gosto sincroniza uma cafonice sem fim que beira o amadorismo. A já citada trilha sonora não tem qualquer noção de senso, é simplesmente ridícula. Aparece até o meio do segundo ato exageradamente bizarra, depois desaparece totalmente e reaparece em um tom vagabundo de Hitchcock, em claras situações que o texto achou que tinha o mesmo efeito do gênio criador de Psicose que aqui lembram um episódio de telenovelas de quinta. A estranha fotografia finge inteligência em cortes ingratos, fade outs cartunescos, palheta de cores sombrias que parecem forçar um tom noir que parece nunca chegar à película.

Com situações incoerentes e reviravoltas forçadíssimas, diálogos vergonhosos e atores talentosos prestando um serviço ingrato a um longa que tenta enganar seu público (e iludir a crítica), através de estranhezas e irregularidades, certo brilhantismo e complexidade que definitivamente estão longe de Passion. Talvez a única complexidade que apareça aqui é desvendar o verdadeiro motivo de um fiasco como este ir pra frente.


Nota: 3/10

3 comentários:

  1. Foi-se o tempo em que Brian De Palma era um dos bambambans do cinema. Faz tempo que ele não emplaca um bom filme.

    abraço

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  2. Pior que o caminho que a carreira de Palma tem tomado, só mesmo duas atrizes excepcionais (como dito no texto) se rebaixarem a isto.

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