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10.7.13

Crítica: Los Angeles - Cidade Proibida

LOS ANGELES - CIDADE PROIBIDA 
L.A Confidential

Crime/ Drama/ Mistério
Estados Unidos, 1997 – 138 minutos

Direção:
Curtis Hanson

Roteiro:
James Ellroy (livro), Brian Helgeland, Curtis Hanson

Elenco:
Russel Crowe, Guy Pearce, Kevin Spacey, Kim Basinger, Denny DeVito


A sequência de abertura de Los Angeles – Cidade Proibida não deixa dúvidas: a narrativa com uma voz clássica de vendedores de imóveis tentando nos vender a perfeição que é a cidade de Los Angeles, suas oportunidades, o alcance dos sonhos, uma das melhores seguranças do mundo e tudo o que cerca este glamoroso local. É uma questão de minutos para este mesmo narrador contornar toda esta situação e começar a mostrar a podridão que corrompe com muita hipocrisia a cidade. Fica claro ao telespectador que o longa de Curtis Hanson faz, ao seu modo (sem utilizar o preto e branco de fato), uma belíssima reconstrução do cinema noir.

Na adaptação do thriller de James Ellroy, somos levados a L.A nos anos 50, marcada pelo estrelismo de Hollywood que atinge até mesmo seus policiais. Quando uma chacina ocorre dentro de um bar na cidade, envolvendo a morte de um policial, toda a delegacia busca descobrir o que realmente aconteceu ali, incluindo o impaciente Bud White (Russel Crowe) e o sargento passivo e pouco autoritário Edmund Exley (Guy Pearce). Mesmo quando encontram supostamente os verdadeiros culpados pelo crime e o caso é encerrado, ambos não conseguem encaixar as peças do caso e começam uma pequena busca por toda a cidade que irão levá-los a muito mais que meros bandidos.

O roteiro da película é extremamente bem desenvolvido e consegue se distanciar das facilidades empregues no gênero e colocar o telespectador para pensar e analisar todas as situações pelos quais os personagens passam. Ao invés apelar para típicas sacadas como dar falsas pistas e fazer com que o filme pareça ser mais inteligente do que realmente é e causar uma reviravolta onde, geralmente mal feita e cheia de furos, falha. Aqui, o esperto texto carrega de instigar o público com todo o tipo de situação, introduzindo e aproveitando diversos personagens das quais parece passam sem qualquer importância a princípio, mostrando a força e a preparado de uma história precisamente bem construída.

Seu núcleo narrativo se desenvolve a partir dos personagens vívidos por Crowe e Pearce. Ambos se mostram com personalidades bem distintas: Bud é encarado como a força física, a coragem de se impor em situações de perigo e que exija trabalho em campo, já Exley é o típico sargento que vive atrás de pilhas de papeis e burocracias do departamento, o cérebro da operação. Hanson trabalha o conceito “tira bom e tira mal” dentro da película com muita complexidade e não apela para uma superficialidade banal. O telespectador é levado pelo amplo desenvolvimento de seus personagens, conseguindo criar uma ótima análise de ambos e ter duas perspectivas diferentes da história do qual Los Angeles – Cidade Proibida gira em torno.

Composto de excelentes personagens, o filme de Curtis Hanson abusa positivamente de um ótimo elenco. Os já mencionados Russel Crowe e Guy Pearce desenvolve seus personagens com uma incomum força dentro do gênero, fazendo com que o público se importe de verdade eles. Vencedor de melhor atriz coadjuvante, Kim Basinger vive com muito vigor e disposição a prostituta Lynn, esbanjando sensualidade e carisma no papel, o que é uma rara neste tipo de personagem. James Cromwell, Danny DeVito, Kevin Spacey constroem o talentoso elenco secundário.

Sem, de fato, ser inovador e revolucionário, Los Angeles – Cidade Proibida ganha o telespectador por suas inúmeras excelências, venham elas da primorosa técnica de Hanson, do excelente roteiro ou do admirável elenco que contribui para uma excepcional construção de thriller poucas vezes vista com tamanha precisão e força nas últimas décadas. Mas do que para os amantes do gênero, a película é obrigatória para qualquer amante da sétima arte.


Nota: 9,5/10

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