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14.7.13

Crítica: Depois de Maio

DEPOIS DE MAIO
Aprés mai

Drama
França, 2012 – 121 minutos.

Direção:
Olivier Assayas

Roteiro:
Olivier Assayas

Elenco:
Clément Métayer, Lola Créton, Feliz Armand, Carole Combes, India Menuez, Hugo Conzelmann

Em clima de protestos e mudanças que nosso país vem sofrendo com boa parte de sua juventude cansada da situação incômoda e inadmissível que o Brasil passa por inúmeros casos, o clima de Depois de Maio, do francês Olivier Assayas pode ser maior compreendido em sua reconstrução do clima de revolução e rebeldia que tomava conta da geração de 1968. Apesar da boa nostalgia e intenções interessantes, a película escorrega em seu roteiro e atores que, juntos, deixam um tom vazio e indigesto em uma história que perde sua força ao longo de seus 121 minutos.

O drama foca os jovens franceses, em especial, o estudante e aspirante a revolucionário Gilles (Clément Métayer) em meio a febre política da época. Entre protestos e manifestações, o jovem tenta seguir com o seu sonho de pintar e dirigir filmes. Meio incompreendido pelas pessoas que o cercam, inclusive sua namorada, ele vai se adaptando gradativamente a sociedade e procura achar uma maneira de avançar sua parte artística.

A certa admiração e reconstrução da época que Assayas constrói com uma boa técnica e muitas músicas que refletem todo o idealismo que percorria no sangue daquela geração, o roteiro não possui uma narrativa que se esforce em envolver o espectador em sua história. Pelo contrário, o francês parece contar exclusivamente com o conhecimento do público sobre os ideais a serem passados e que fique cabível a nós criamos uma identificação com a película. Algo que seria relativamente fácil de acontecer se não fosse o elenco inexpressivo. Com exceção a adorável Lola Créton (do ótimo Adeus, Meu Primeiro Amor), os atores embargam em modestas e insossas expressões que, mesmo considerando a personalidade dos mesmos e o clima da película, não conseguem criar um vinculo de carisma com quem assiste. A situação se agrava quando isso vem do protagonista que, além de não ser interessante o suficiente, sofre com o amadorismo de Métayer com expressões vazias e um despreparo para o domínio de seu personagem.

A situação melhora quando Créton entra em cena, mas como o disperso roteiro é errôneo em seus desvios narrativos, principalmente quando foca em expor com mais abrangência o drama de outros personagens que não que foram desenvolvidos o suficiente ao ponto de suas escolhas. Tudo fica pior quando o francês força a morte de um deles em uma cena pouco crível e o caso parece indolor ao protagonista, mesmo a personagem em questão fazendo considerável parte de sua vida.

Com muitas questões políticas sendo retratadas, Assayas busca mostrar o desenvolvimento de um jovem como um todo. Revolucionário, que anseia melhorar o mundo com suas próprias mãos e que com típica rebeldia contra regras e leis, vivendo em busca de se encontrar totalmente. Por mais competente e interessante que seja sua técnica e sua história, o espectador consegue sentir o vazio que percorre Depois de Maio e a expressão final de seu protagonista observando um filme dentro do cinema não deixa dúvidas que falta algo ali.

Nota: 5,8/10



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