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13.7.13

Crítica: Camille Outra Vez

CAMILLE OUTRA VEZ
Camille Redouble

Comédia/ Drama
França, 2013 - 115 Minutos.

Direção:
Noémie Lvovsky

Roteiro:
Noémie Lvovsky, Maud Ameline

Elenco:
Noémie Lovsky, Samir Guesmi, Judith Chemla, India Hair, Julia Faure, Yolande Moreau, Michel Vuillemoz

São poucos os artistas que conseguem desdobrar seu talento em diversas áreas de um mesmo filme e o resultado ser satisfatório. Os dois maiores problemas deste tipo de situação são bem simples de entender: a pessoa, cheia de si, acredita que possui um talento e um bom gosto incontestável e toma posse de todas as decisões criativas da película e, em grande parte das vezes, o que leva ao segundo item não menos problemático, é que estas evitam ouvir opiniões de terceiros, o que pode acabar matando um filme artisticamente. O maior exemplo disso, talvez até mesmo o maior dentro da história do cinema, é o indiano M. Night Shyamalan que, engolido por seu próprio ego, afundou sua carreira como nenhum outro cineasta foi capaz de fazer em tão pouco tempo. Felizmente, a cineasta, roteirista e protagonista de Camille Outra Vez, Noémie Lvovsky, apresenta uma abordagem felicíssima em seu longa que sofre o tema batido pelo qual se sustenta.

Na trama, Camille é uma mulher de meia idade, se divorciando, alcoólatra e inconformada pelos rumos que sua vida acabou tomando com o passar do tempo. Para comemorar o réveillon, ela decide reencontrar umas amigas e acaba desmaiando na virada do ano após uma bebedeira. Quando acorda em um hospital, reencontra seus pais que já haviam falecido e posteriormente descobre ter voltado, mesmo em seu corpo de 40 anos, a ser uma menina de 15 aos olhos dos outros. Vendo ali uma chance de reconstruir certos pontos de sua vida, ela começa a tentar modificar seu presente, inclusive se afastando de Éric (Samir Guesmi), seu ex-marido do qual ficou casada por 25 anos.

Como dito, o tema e a estrutura narrativa da película já é mais do que conhecida em Hollywood por filmes como De Repente 30 ou o mais recente 17 Outra Vez. Embora tenham essas semelhanças, o Camille Outra Vez possuí um verdadeiro êxito que seus “irmãos” não conseguiram, que é explorar com profundidade dos sentimentos da protagonista. Ao invés de cair em clichês americanizados como parecer descolada na escola chegando de carro importado e roupas da moda, Lvovsky mantém a imagem da protagonista exatamente da forma que ela é para lembrar ao espectador que ela não pertence mais aquele mundo e apesar de tentador, aquela é uma vaga e ilusória lembrança de um passado distante.

Aproveita também para humanizar o excepcional feito de poder voltar ao passado para tentar salvar seus pais da morte (coisa que qualquer um faria, se pudesse) e tentar aproveitar o maior tempo possível ao lado deles. Por mais comum e clichê que este tipo de retrato possa parecer, Click de Adam Sandler é mais um exemplo, Noémie atinge, seja pela direção, os ótimos diálogos do roteiro ou sua delicada atuação, com intensidade e precisão estas abordagens e consegue envolver o público em sua obra. Sem se prender a besteiras, ela faz sua protagonista a encontrar em tudo o que viveu o sentido de uma vida que parece ter sido apagado ao longo dos anos.

Com uma trilha sonora inspiradíssima, com direito a Nena 99 Luftballons, uma abordagem encantadora e nostálgica, com uma ótima atuação e direção, a cineasta francesa dá ao seu espectador a chance de entrar em seu próprio túnel do tempo e fazermos observar tudo a nossa volta com mais valor, afinal, a vida passa para todos. E mesmo não sendo inovador, sua forma de apresentar merece ser vista.


Nota: 7/10

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