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29.7.13

Crítica: 90210

90210

Série de Televisão (5 temporadas)
Estados Unidos, 2008 – 2013 / 3772 minutos aprox.

Criadores:
Jeff Judah, Gabe Sachs, Darren Star, Rob Thomas

Elenco:
Shenae Grimes, Tristan Wilds, AnnaLynne McCord, Jessica Stroup, Michael Steger, Jessica Lowndes, Matt Lanter, Lori Loughlin

Barrados no Baile foi uma das séries mais bem sucedidas dos anos 90. Conseguiu se manter por toda uma década com dez temporadas, coisa que poucas séries como Friends tiveram a capacidade. Tudo foi perdendo o vigor, afinal, o elenco todo envelhecia e a premissa high school se distanciava do universo criado por Darren Star (Sex and the City). Não demorou muito para O.C – Um Estranho no Paraíso reformular ao seu modo o conceito do antigo seriado e fazer a geração teen dos anos 2000 se apaixonarem pelo promissor, porém, conturbado universo criado por Josh Schwatz que explodiu com seu fenômeno tão rápido da mesma forma que conseguiu destruí-lo. Após uma boa segunda temporada, O.C amargou uma tediosa e forçada continuação que desastrosamente causou uma rápida morte por suas escolhas nada inteligentes. Mas que rapidamente, Star junto de outros três criadores decidiram recriar os dias de glória de 90210 (referência ao ponto mais exclusivo de Bervely Hills), com um novo elenco que faz referência ao original, sob um contexto mais modernizado e atual. O resultado é que 90120 afunda em uma superficialidade desesperadora de se presenciar. E não estou falando das ininterruptas e compulsivas compras de Naomi Clark.

A história nada original poderia ter desdobrado de forma muito mais feliz mesmo se nadasse em certos clichês. Em uma mistura de Meninas Malvadas e Um Estranho no Paraíso, conhecemos Annie e Dixon, dois caipiras que saem da cidadezinha do Kansas para aproveitar a oportunidade de seu pai de ser diretor de uma das escolas mais prestigiadas de Bervely Hills. Lá, ambos terão que se adaptar ao ácido mundo de aparências e sorrisos falsos, enquanto tentam encontrar os verdadeiros amigos. Aqui se inicia uma jornada de cinco anos entre os irmãos e seus amigos (ou que posteriormente se tornarão) Naomi, Adrianna, Navid, Silver e Liam entre os últimos dois anos no ensino médio para o início da faculdade e de suas ambiciosas carreiras. Tudo, claro, acompanhado de muitos romances, brigas e confusões.

É natural que não possa se esperar muita complexidade de um material que foca materializar o sonho de consumo da maioria dos adolescentes, então criticar 90210 por suas ostentações a carros importados, bolsas milionárias, corpos seminus e esculpidos em rostos perfeitos em um cenário quase paradisíaco, acompanhado de mansões espetaculares de jovens financeiramente independentes é uma perda de tempo e algo completamente esperado (até certo ponto). No entanto, a série que começa com tramas batidas e de pouco interesse, ainda sim parecia ser digerível perto dos rumos que o seriado vai tomando depois da segunda temporada.

Com uma vontade absurda de se reinventar e dar aventuras mais ousadas ao grupo de amigos, os produtores supostamente imaginaram que o público que acompanhava a série era estúpido o suficiente para se esquecer de tudo o que haviam criado e tentam apagar personagens tão importantes que qualquer adolescente, por mais iludido que fosse, é incapaz de não se perguntar, por exemplo, onde estão os pais ou familiares dos jovens ao longo das últimas três temporadas. Inúmeros personagens (os dedos não são capazes de numerá-los) vão simplesmente sendo esquecidos ao longo das temporadas ao ponto de sequer serem mencionados. Em situações, por exemplo, em que Dixon sofre um acidente de carro que o deixa entre a vida e a morte, o telespectador se pergunta onde está o pai do garoto (que havia se divorciado da mãe deles, o que não significaria que o rompimento o fizesse esquecer que tinha dois filhos, mesmo um sendo adotado) que sequer é mencionado pelos personagens de estar ao menos sabendo do ocorrido. O ápice do absurdo.

Como se não bastasse em acreditar que os telespectadores têm alzeimer, a série falha novamente em apelar para uma desenfreada aventura em busca da vida ideal, custando até mesmo os sentimentos e consequências das atitudes de seus protagonistas. Outro exemplo que causa incredulidade a quem assiste é quando Annie deixa seu relacionamento com um jovem religioso que fica confuso entre ser padre ou seguir seu romance com a garota. Mesmo depois de ele decidir ficar com ela, os criadores parecem ignorar este feito e dar a ela outro conturbado relacionamento com um cadeirante (!). Depois de mais confusões e problemas, o jovem acaba eventualmente falecendo depois de uma arriscada cirurgia que inicialmente parecia ter sido um sucesso, o que deu tempo a Annie de se desculpar e dizer que o amava. Quando ela recebe a notícia por celular que o rapaz havia morrido, o estado de luto dela beira não apenas ao insano, mas uma frieza reflexo de uma superficialidade altamente exagerada mesmo para o conceito da série. A garota sequer vai ao hospital entender o ocorrido, nem ao enterro de suposto amor e não leva mais que um dia para que ela finja que nada aconteceu e rume a sua vida tranquilamente.

90210 até tenta, casualmente, trazer temas interessantes ou quebrar certos tabus (trazendo um personagem gay de grande interesse dentro da trama), mas escorrega violentamente pelos rombos inadmissíveis em seu roteiro incoerente e enjoativo. Porque por mais que quem assista tente fingir que não está enxergando as barbaridades ali impostas, é de se irritar o show de patifarias compostas por personagens tão babacas (que se salvam, por vezes, por involuntárias e inesperadas situações controversas) e egoístas, que são moldados pelos seus criadores para o público acreditar que tudo não passa de uma confusão natural da vida e das circunstâncias das épocas pelas quais os protagonistas estão encarando. Mas a verdade é apenas uma: qualquer adolescente que tenha a mínima noção do bom senso sejam elas por não manter relações sexuais com praticamente todos os seus amigos, tentar matar um deles, preferir a prostituição a um pedido de empréstimo de um amigo milionário, presenciar a queda de uma pessoa e não chamar a emergência ou tentar desvirtuar um jovem e bonito padre por ser incapaz de ficar com as pernas fechadas um só instante, com certeza se darão melhores que os personagens de 90210.


Nota: 3,5/10

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