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24.7.13

Crítica: 2001: Uma Odisséia no Espaço

2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO
2001: A Space Odyssey

Ficção Científica/ Drama
Estados Unidos/ Reino Unido, 1968 – 160 minutos.

Direção:
Stanley Kubrick

Roteiro:
Stanley Kubrick, Arthur C. Clarke

Elenco:
Keir Dullea, Gary Lockwood, William Sylvester, Daniel Richter, Leonard Rossiter, Margaret Tyzack


Difícil para um crítico escrever sobre uma obra como 2001: Uma Odisséia no Espaço. Clássico incontestável, película revolucionária tanto em sua pioneira e primorosa técnica, quanto em seu roteiro e direção filosófica capaz de levar esta ficção científica aonde nenhuma outra conseguiu chegar, complexa por suas inúmeras perguntas e temas, que não possui qualquer sentimento de obrigação com o espectador em explicar as grandiosidades presentes ao longo de seus 160 minutos, trabalhando uma experiência magnífica e única de reflexões sobre o ser humano, sua ambição para descobrir e explorar o universo, nossa evolução como criaturas, as consequências de nossas próprias criações e o questionamento se estamos sozinhos no universo. Bem-vindos a obra mais consagrada da ficção cientifica de todos os tempos.

A começar por sua abertura em tela negra, onde ficamos por alguns minutos sendo preparados pela esplendorosa trilha sonora ao universo do longa. Somos levados à aurora do homem e, em uma sequência de quase 20 minutos, compreender a nossa evolução primitiva que, por instinto, dá a impressão de ser violenta e autodestrutiva desde seu princípio. Em um choque de extremos, somos levados para o ano 2001, a conhecer um mundo completamente evolutivo, no espaço, pelo qual o homem está atravessando suas próprias barreiras para conhecer o até então desconhecido. E por sua ambição, a viagem tem mais que o objetivo de exploração e sim, dar andamento em um projeto que é escondido de grande parte da tripulação que é persuadida acreditar que há uma epidemia no local onde outros cientistas estão trabalhando.

Após uma intrigante descoberta, e 18 meses depois, outra nave é enviada para Júpiter na qual seus tripulantes sequer sabem o motivo da expedição. Enquanto o Dr. Dave Browman e o Dr. Frank Poole ficam acordados no comando da embarcação, outros três cientistas ficam em estado de hibernação sendo monitorados pelo supercomputador HAL 9000. Desenvolvido para pensar sozinho, a máquina dá todo suporte necessário para os doutores e comanda junto deles toda a nave, sendo considerado o mais eficiente já criado. No entanto, após uma falha sem nexo, os doutores temem por sua própria segurança e decidem desligar Hal que consegue, mesmo com a descrição dos dois humanos, detectar por leitura labial a intenções de ambos e começa a desencadear atitudes letais contra a tribulação em receio da missão pela qual foi comandado ser um fracasso caso ele seja desativado.

É admirável como Kubrick consegue se comunicar com o público em longas jornadas da qual a película é muda (são quase 90 minutos sem falas, junto diversas sequências) através das imagens. Não que o cinema mudo não tenha sobrevivido da mesma forma, mas Stanley ultrapassa a intuição dos filmes sem áudio para explorar a reflexão filosófica por tudo o que cria. Também tem o objetivo de dar uma experiência completamente inusitada e nova (na época) ao espectador com ambientações incríveis que impressionam pela verossimilhança dos efeitos práticos em uma época que sequer havia computador. A qualidade é tão espantosa que é hoje é alvo de estudos de muitos cinegrafistas. Muito longe de ser apenas uma película bonita, sua primorosa e perfeccionista técnica enriquece cada segundo de projeção com uma fotografia absurdamente precisa capaz de instigar a imaginação de quem está assistindo com extrema facilidade e apresentá-lo ao fascínio de seu universo visionário e inspirador que foi, ainda é, e continuará sendo reflexo de centenas de filmes desde seu lançamento. A trilha sonora não deixa por menos e parece já ter nascido clássica. Envolvente, empolgante e magnífica, se une as cenas como uma combinação incrível e audaciosa de seu diretor que sabe contê-la quando é necessário (a exemplo das sufocantes sequências fora da nave, que preserva o silêncio claustrofóbico do espaço) e faz com que ela atinja ápices memoráveis e inconfundíveis.

Embora todo o impacto visual criado pelo seu cineasta, 2001: Uma Odisséia no Espaço rompe as barreiras do gênero, e talvez até do próprio cinema como forma de arte, com seu roteiro complexo. Instigante do inicio ao fim, foge de tudo o que havia sido criado até a época para abordar o espectador em reflexões profundas e filosóficas sem se preocupar com o resultado de que próprio cria, tendo interesse mais nas perguntas que desperta, do que as respostas que eventualmente pode dar. E se espera ter todas elas no fim da projeção, pode se sentir decepcionado. Todos os temas citados no início deste texto são explorados com extremo vigor dentro da obra que não nega a quem assiste hoje a se espantar com a visão de um gênio que sequer havia passado pela primeira viagem do homem à Lua, o que ocorreria um ano após o lançamento do filme.

Incontestavelmente genial, criativo, filosófico e inventivo, este clássico do cinema e da ficção científica serve como uma base fundamental e inspiradora para todas as grandes obras do gênero criadas desde então, todos que viraram diretores após ver esta joia que questionava as complexidades do nosso universo, seja a sua criação ou nossa evolução como ser humano e atingiu o ápice da carreira de um cineasta inviolavelmente talentoso e inteligente, que se encarregou de esfregar na cara de todos sua marca como um dos maiores cineastas de todos os tempos repetindo a dose de epicidade cinco anos depois com Laranja Mecânica. As evidências são mais que concretas, quase tão reais quanto a impossibilidade de outro cineasta repetir o feito deste filme.


Nota: 10/10

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