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29.7.13

Crítica: Wolverine - Imortal

WOLVERINE - IMORTAL 
The Wolverine

Estados Unidos/ Japão, 2013 - 126 minutos.
Ação

Direção:
James Mangold

Roteiro:
Mark Bomback, Scott Frank

Elenco:
Hugh Jackman, Famke Janssen, Svetlana Khodchenkova, Hal Yamanouchi, Tao Okamoto, Hiroyuki Sanada, Rila Fukushima, Brian Tee, Will Yun Lee

Pela qualidade assustadora de X-Men Origens: Wolverine presumia-se que não havia como ficar pior nesta continuação, e felizmente isso não ocorreu. Wolverine – Imortal reconquista com precisão as qualidades do mutante e James Mangold quebra alguns paradigmas do subgênero para levar seu longa de super-heróis para longe das barreiras impostas por outros diretores e projetos. Em uma execução inteligente e interessante, é de se decepcionar que a película ameace tudo o que criou próximo de seu terceiro ato deixando o resultado final um pouco acima do satisfatório.

A história dessa vez vem das adaptações mais apreciadas pelos fãs do personagem, criadas por Frank Miller e Chris Claremont. Logan está sendo atormentado pelo seu passado e é incapaz de se reinterar a sociedade pela sua instabilidade emocional. Após uma briga em um bar descobre que Yashida, um soldado que ele salvou na época em que as bombas caíram sobre Hiroshima e Nagasaki, está o convidando para que ele vá ao Japão para ser agradecido pessoalmente pela sua vida e o império que conseguiu criar com o passar dos anos. Com muita relutação, ele decide partir viagem junto de Yukio para Tóquio e chegando lá tem uma surpresa: o antigo soldado possui tecnologia o suficiente para que Logan consiga se livrar de sua invulnerabilidade e se torne mortal para que possa, eventualmente, morrer como qualquer outra pessoa e encontrar a paz que tanto busca. Após a morte repentina de Yashida, o tenso conflito entre a família do ex-soldado com a máfia Yakuza se intensifica e sua neta Mariko é alvo de uma tentativa de sequestro, pois com a morte de seu avô, se tornará uma das mulheres mais poderosas do Japão, já que ele deixou toda sua companhia para a jovem. No entanto, a situação piora com um inimigo desconhecido que deixará Wolverine vulnerável e sendo obrigado a lutar com seus próprios demônios.

A primeira boa sensação que se tem do longa é respeito. Respeito primeiramente por manter todo o idioma japonês durante toda a projeção, algo que Hollywood raramente mantém pela preguiça dos americanos em ler legendas. Exemplo repulsivo de se lembrar é Operação Valquíria com Tom Cruise, que se passa na Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial e o filme é imprudente ao ponto de fazer todos os alemães, inclusive Hitler, a falar inglês. Respeitoso também por parte de Mangold em manter com muita sobriedade as tradições japonesas, o que não é incomum de ser ridiculizarizado neste tipo de projeto. O diretor americano também é esperto em manter o humor da película em doses muito sutis e só aparece quando realmente é conveniente. Não há quaisquer comparações com a aberração anterior.

No entanto, o que separa Wolverine – Imortal dos outros filmes de super-heróis desta magnitude é o tom pedestre que carrega quase até seu terceiro ato. Em nenhum momento James força a película com doses exageradas de efeitos especiais, repleto de mutantes destruindo coisas e tentando entreter o espectador com mesmice. Em grande parte, o longa é uma grande jornada de descobertas e um grande reencontro espiritual de uma pessoa que perdeu a vontade de viver e isso vai muito além de usar  garras. O diretor americano entende isso e tem toda paciência do mundo para desenvolver seu projeto com sensibilidade. Sentimento que potencializa mais do que consideravelmente a força dos personagens que são desenvolvidos (não apenas o protagonista) e realmente faz uma boa conexão com o público.

É surpreendente que parte destas ligações venham de suas estreantes e modelos Rila Fukushima e Tao Okamoto. Vindas do mundo da moda, ambas possuem uma presença de cena muito interessante e criam um vinculo imprescindível com o público muito necessário nas suas personagens. Outras modelos já se aventuraram e não tiveram tanta sorte, principalmente porque em grande parte das vezes elas são levadas como objeto de decoração de cena. Michael Bay com sua Rosie Huntington-Whiteley cuja primeira aparição em Transformers: O Lado Oculto da Lua é estrelada por seu sensual traseiro. Hugh Jackman retorna seu ótimo vigor para o papel e novamente passa a impressão de ser a encanação perfeita de Wolverine. O restante do elenco é satisfatório.

Tudo parecia muito bom pra ser verdade até o final do segundo ato. Depois, Wolverine – Imortal caí em erros ingratos e semelhantes aos de Prometheus, de Ridley Scott, e começa a apresentar incoerências e bobagens até então extintas de seu roteiro. O tom pedestre da película é substituído por um confronto enfraquecido e desesperador a entregar ao público tudo o que achava que devia anteriormente. O pior de tudo, no entanto, fica com o erro dos roteiristas em dar a juventude para determinado personagem através da imortalidade de Wolverine que, pelo menos dentro do universo estabelecido nos cinemas (e aparentemente neste aspecto é idêntico aos quadrinhos), deixa totalmente claro que quando Logan ganha a imortalidade, ele não rejuvenesce e sim fica invulnerável a partir do momento de sua transformação com o adamantium e sua regeneração celular. A partir daí, o grande vilão do filme se torna a maior fraqueza do filme.

Mesmo escorregando, é de se respeitar os bons atributos da criação de James Mangold. Com personagens bem desenvolvidos, sensibilidade em conectar o espectador em uma trama e um universo mais tangível e interessante, as comparações com X-Men Origens: Wolverine são quase que inexistentes. E a cena entre os créditos deixa um bom pretexto para acompanhar X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, próxima adaptação vinda de uma das HQ’s mais conceituadas da série.


Nota: 7,5/10

Crítica: 90210

90210

Série de Televisão (5 temporadas)
Estados Unidos, 2008 – 2013 / 3772 minutos aprox.

Criadores:
Jeff Judah, Gabe Sachs, Darren Star, Rob Thomas

Elenco:
Shenae Grimes, Tristan Wilds, AnnaLynne McCord, Jessica Stroup, Michael Steger, Jessica Lowndes, Matt Lanter, Lori Loughlin

Barrados no Baile foi uma das séries mais bem sucedidas dos anos 90. Conseguiu se manter por toda uma década com dez temporadas, coisa que poucas séries como Friends tiveram a capacidade. Tudo foi perdendo o vigor, afinal, o elenco todo envelhecia e a premissa high school se distanciava do universo criado por Darren Star (Sex and the City). Não demorou muito para O.C – Um Estranho no Paraíso reformular ao seu modo o conceito do antigo seriado e fazer a geração teen dos anos 2000 se apaixonarem pelo promissor, porém, conturbado universo criado por Josh Schwatz que explodiu com seu fenômeno tão rápido da mesma forma que conseguiu destruí-lo. Após uma boa segunda temporada, O.C amargou uma tediosa e forçada continuação que desastrosamente causou uma rápida morte por suas escolhas nada inteligentes. Mas que rapidamente, Star junto de outros três criadores decidiram recriar os dias de glória de 90210 (referência ao ponto mais exclusivo de Bervely Hills), com um novo elenco que faz referência ao original, sob um contexto mais modernizado e atual. O resultado é que 90120 afunda em uma superficialidade desesperadora de se presenciar. E não estou falando das ininterruptas e compulsivas compras de Naomi Clark.

A história nada original poderia ter desdobrado de forma muito mais feliz mesmo se nadasse em certos clichês. Em uma mistura de Meninas Malvadas e Um Estranho no Paraíso, conhecemos Annie e Dixon, dois caipiras que saem da cidadezinha do Kansas para aproveitar a oportunidade de seu pai de ser diretor de uma das escolas mais prestigiadas de Bervely Hills. Lá, ambos terão que se adaptar ao ácido mundo de aparências e sorrisos falsos, enquanto tentam encontrar os verdadeiros amigos. Aqui se inicia uma jornada de cinco anos entre os irmãos e seus amigos (ou que posteriormente se tornarão) Naomi, Adrianna, Navid, Silver e Liam entre os últimos dois anos no ensino médio para o início da faculdade e de suas ambiciosas carreiras. Tudo, claro, acompanhado de muitos romances, brigas e confusões.

É natural que não possa se esperar muita complexidade de um material que foca materializar o sonho de consumo da maioria dos adolescentes, então criticar 90210 por suas ostentações a carros importados, bolsas milionárias, corpos seminus e esculpidos em rostos perfeitos em um cenário quase paradisíaco, acompanhado de mansões espetaculares de jovens financeiramente independentes é uma perda de tempo e algo completamente esperado (até certo ponto). No entanto, a série que começa com tramas batidas e de pouco interesse, ainda sim parecia ser digerível perto dos rumos que o seriado vai tomando depois da segunda temporada.

Com uma vontade absurda de se reinventar e dar aventuras mais ousadas ao grupo de amigos, os produtores supostamente imaginaram que o público que acompanhava a série era estúpido o suficiente para se esquecer de tudo o que haviam criado e tentam apagar personagens tão importantes que qualquer adolescente, por mais iludido que fosse, é incapaz de não se perguntar, por exemplo, onde estão os pais ou familiares dos jovens ao longo das últimas três temporadas. Inúmeros personagens (os dedos não são capazes de numerá-los) vão simplesmente sendo esquecidos ao longo das temporadas ao ponto de sequer serem mencionados. Em situações, por exemplo, em que Dixon sofre um acidente de carro que o deixa entre a vida e a morte, o telespectador se pergunta onde está o pai do garoto (que havia se divorciado da mãe deles, o que não significaria que o rompimento o fizesse esquecer que tinha dois filhos, mesmo um sendo adotado) que sequer é mencionado pelos personagens de estar ao menos sabendo do ocorrido. O ápice do absurdo.

Como se não bastasse em acreditar que os telespectadores têm alzeimer, a série falha novamente em apelar para uma desenfreada aventura em busca da vida ideal, custando até mesmo os sentimentos e consequências das atitudes de seus protagonistas. Outro exemplo que causa incredulidade a quem assiste é quando Annie deixa seu relacionamento com um jovem religioso que fica confuso entre ser padre ou seguir seu romance com a garota. Mesmo depois de ele decidir ficar com ela, os criadores parecem ignorar este feito e dar a ela outro conturbado relacionamento com um cadeirante (!). Depois de mais confusões e problemas, o jovem acaba eventualmente falecendo depois de uma arriscada cirurgia que inicialmente parecia ter sido um sucesso, o que deu tempo a Annie de se desculpar e dizer que o amava. Quando ela recebe a notícia por celular que o rapaz havia morrido, o estado de luto dela beira não apenas ao insano, mas uma frieza reflexo de uma superficialidade altamente exagerada mesmo para o conceito da série. A garota sequer vai ao hospital entender o ocorrido, nem ao enterro de suposto amor e não leva mais que um dia para que ela finja que nada aconteceu e rume a sua vida tranquilamente.

90210 até tenta, casualmente, trazer temas interessantes ou quebrar certos tabus (trazendo um personagem gay de grande interesse dentro da trama), mas escorrega violentamente pelos rombos inadmissíveis em seu roteiro incoerente e enjoativo. Porque por mais que quem assista tente fingir que não está enxergando as barbaridades ali impostas, é de se irritar o show de patifarias compostas por personagens tão babacas (que se salvam, por vezes, por involuntárias e inesperadas situações controversas) e egoístas, que são moldados pelos seus criadores para o público acreditar que tudo não passa de uma confusão natural da vida e das circunstâncias das épocas pelas quais os protagonistas estão encarando. Mas a verdade é apenas uma: qualquer adolescente que tenha a mínima noção do bom senso sejam elas por não manter relações sexuais com praticamente todos os seus amigos, tentar matar um deles, preferir a prostituição a um pedido de empréstimo de um amigo milionário, presenciar a queda de uma pessoa e não chamar a emergência ou tentar desvirtuar um jovem e bonito padre por ser incapaz de ficar com as pernas fechadas um só instante, com certeza se darão melhores que os personagens de 90210.


Nota: 3,5/10

26.7.13

Crítica: Réquiem Para um Sonho

RÉQUIEM PARA UM SONHO
Requiem for a Dream

Drama
Estados Unidos, 2000 – 102 minutos.

Direção:
Darren Aronofsky

Roteiro:
Hubert Shelby Jr., Darren Aronofsky

Elenco:
Jared Leto, Jennifer Connelly, Marlon Wayans, Ellen Burstyn, Christopher McDonald, Louise Lasser

Existem muitos filmes que retratam a decadência de usuários de drogas que vão sendo consumidos, pouco a pouco, pelos seus incontroláveis vícios, entretanto, nenhum deles pode ser comparado a Réquiem Para um Sonho. Abusando da crítica aos padrões sociais, o famoso sonho americano, e o péssimo sistema de saúde público do país, Darren Aronofsky faz jus ao nome de sua película e traduz de forma perturbadora a prece mortal dos sonhos de seus protagonistas.

A trama propositalmente simples envolve quatro indivíduos: a aposentada e viúva Sara Goldfarb, que vive com seu único filho, usuário de drogas, Harry, que não pensa duas vezes em vender a televisão de casa, o único entretenimento de sua mãe (que sempre a recompra), para sustentar seu vício, junto de seu amigo Tyrone e sua namorada Marion. Cansados de serem meros usuários de drogas, os três jovens decidem montar um sistema de tráfico para juntar algum dinheiro para colocar em prática seus sonhos. Enquanto isso, a solitária mãe de Harry recebe uma carta de uma emissora para participar de seu programa preferido. Alucinada por tal fato, a viúva quer retornar aos seus dias de glória e parecer encantadora na televisão, e depois de ser encorajada por uma vizinha, vai ao médico para receber uma receita de remédios para emagrecer. Conforme os planos dos quatro não vão seguindo o rumo planejado, o desespero vai tomando conta de cada um deles que vão se trancafiando em um mundo longe da realidade ameaçando não apenas os sonhos, mas suas próprias vidas.

Quando cito que a trama é propositalmente simples, é porque Aronofsky manipula o espectador exatamente através deste princípio. Em nenhum momento quem está assistindo consegue imaginar os extremos que o longa vai alcançar, não apenas dando excelência ao excepcional roteiro, mas criando verossimilhança com a própria realidade de seus protagonistas. Para fazer com que o contexto seja crível, a simplicidade é empregue para conduzir um espetáculo frenético e intenso através dos pequenos mundinhos que os personagens vivem.  Sair abalado depois de assistir Réquiem Para um Sonho não é uma opção.

Ao seu conhecido estilo fantástico, Darren quer fazer com que o espectador sinta na pele todos os sentimentos de seus protagonistas e isso inclui, audaciosamente, “dopar” a quem assiste com uma técnica poucas vezes vista com tanta perfeição no cinema. A cada droga ingerida pelos personagens, a câmera as enfatizam, sempre no mesmo ângulo, e os mesmos sons, repetindo isso com certa frequência a fazer com que o público consiga sentir com certa tangência dos efeitos sentidos pelos protagonistas. O mesmo é feito com monótona rotina de Sara, que basicamente limpa a casa e assiste televisão o dia todo. A técnica é uma execução extremamente precisa que cria um vínculo incomum e poderoso entre o espectador e os personagens.

E por mais polêmicas que sejam, as intenções de Aronofsky logo contradizem o sentimento emocional que cria para mostrar o lado obscuro e as consequências das péssimas escolhas de seus protagonistas. É impossível depois de ter atingido tal vinculo, o público não ir, aos poucos, caindo de forma transtornada e perturbada nas inúmeras desgraças decorrentes no filme. Após nos viciar em uma técnica que lembra uma lavagem cerebral, ele decide então retirar a quem assiste de seu estado dormente. De forma quase sádica (mas que vai muito além), a sequência frenética, deturpada e conturbada do terceiro ato pode beirar o insuportável para o espectador mais sensível. Gostando ou não da sensação obtida por ela, Aronofsky consegue até a contragosto fazer o público voltar a si e enxergar toda a situação agora pela visão real, causando um sentimento amargo de prepotência pelo sofrimento de seus protagonistas.

Muito longe de ficar em uma técnica incrível, o diretor de Pi faz uma crítica severa a diversas situações, como citadas anteriormente. Sara, por exemplo, sequer é olhada pelo médico que receita os comprimidos de emagrecimento, mesmo quando volta ao mesmo doutor e diz estar sentindo certos efeitos colaterais pelo comprimido, o que, aliado a exclusão do rosto do médico, remete claramente uma situação eventualmente comum do sistema horrível de saúde americana. O mesmo pode ser visto quando Harry e Tyrone estão sendo “examinados” pelo médico da prisão onde estão que, além de não encarar a fila de presos a sua frente, restringe-se a perguntar se os mesmos estão ouvindo ou vendo-o. O que só muda após o guarda do seu lado ver o braço quase podre de Harry, devido a uma inflamação pelo uso contínuo de seringas.

Para mostrar a falsidade dos padrões do tal almejado sonho americano, Darren utiliza personagens que mesmo se envolvendo em terríveis situações, não possui índole ruim e fazem o mais próximo das possibilidades que enxergam como alternativas. Exemplo claro dessa situação é a sequência onde Harry e Tyrone estão em uma lanchonete da qual um guarda senta ao lado deles e o filho de Sara começa a olhar para a arma do policial e imaginadamente, a retira do case e quando o espectador imagina que ele atirará contra o homem, ele começa a brincar com o objeto, jogando a arma por cima do policial para Tyrone, na típica brincadeira do “bobinho”. Enquanto a doçura de Marion e a bondade de Sara dispensam este tipo de apresentação.

Os padrões parecem cercar os personagens pela essência da própria cultura americana: é o programa de televisão de Sara que irradia falsa felicidade, as promessas de uma vida de sucesso cercada de muito dinheiro, a rebelde jovem (pelo menos acha) que não recebe atenção dos pais, o rebaixamento dos negros que sucedem de promessas para dar a volta por cima, porém, tudo dentro de uma cerca inocência no olhar de pessoas que parecem ou se comportam como se não tivessem escolhas para o estilo de vida que seguem.

A construção mais simbólica de todos os acontecimentos, entretanto, fica com as ilusões deturpadas de Sara sobre o universo do programa que assiste estar dominando a sua vida. Há uma sequência em particular que, literalmente, traduz este ponto de vista fazendo com que o apresentador e toda equipe do programa invadam o apartamento da aposentada. A cena é perturbadora e memorável, pois invoca descontroladamente e controversamente os sentimentos de veneração de Sara sobre aquele mundo que tanto adora, mostrando como aquilo vai consumindo-a.

Réquiem Para um Sonho por trás de sua “simples” trama  (que conta com um elenco impecável, onde até mesmo  Marlon Wayans, único papel decente de sua decadente carreira, consegue convencer com precisão seu personagem) explora de forma simbólica, perturbadora e inesquecível tudo o que retrata. Esqueça qualquer filme do gênero, o longa de Darren Aronofsky quebra todos os paradigmas estabelecidos. E se o poder incontestável (e doloroso) da película pudesse servir como parâmetro para viciados em drogas, por exemplo, com certeza os fariam refletir o que fazem com suas vidas, porque sem qualquer sombra de dúvidas, o restante de nós ficará conturbado por um bom tempo por esta obra-prima magnífica.


Nota: 10/10

24.7.13

Crítica: 2001: Uma Odisséia no Espaço

2001: UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO
2001: A Space Odyssey

Ficção Científica/ Drama
Estados Unidos/ Reino Unido, 1968 – 160 minutos.

Direção:
Stanley Kubrick

Roteiro:
Stanley Kubrick, Arthur C. Clarke

Elenco:
Keir Dullea, Gary Lockwood, William Sylvester, Daniel Richter, Leonard Rossiter, Margaret Tyzack


Difícil para um crítico escrever sobre uma obra como 2001: Uma Odisséia no Espaço. Clássico incontestável, película revolucionária tanto em sua pioneira e primorosa técnica, quanto em seu roteiro e direção filosófica capaz de levar esta ficção científica aonde nenhuma outra conseguiu chegar, complexa por suas inúmeras perguntas e temas, que não possui qualquer sentimento de obrigação com o espectador em explicar as grandiosidades presentes ao longo de seus 160 minutos, trabalhando uma experiência magnífica e única de reflexões sobre o ser humano, sua ambição para descobrir e explorar o universo, nossa evolução como criaturas, as consequências de nossas próprias criações e o questionamento se estamos sozinhos no universo. Bem-vindos a obra mais consagrada da ficção cientifica de todos os tempos.

A começar por sua abertura em tela negra, onde ficamos por alguns minutos sendo preparados pela esplendorosa trilha sonora ao universo do longa. Somos levados à aurora do homem e, em uma sequência de quase 20 minutos, compreender a nossa evolução primitiva que, por instinto, dá a impressão de ser violenta e autodestrutiva desde seu princípio. Em um choque de extremos, somos levados para o ano 2001, a conhecer um mundo completamente evolutivo, no espaço, pelo qual o homem está atravessando suas próprias barreiras para conhecer o até então desconhecido. E por sua ambição, a viagem tem mais que o objetivo de exploração e sim, dar andamento em um projeto que é escondido de grande parte da tripulação que é persuadida acreditar que há uma epidemia no local onde outros cientistas estão trabalhando.

Após uma intrigante descoberta, e 18 meses depois, outra nave é enviada para Júpiter na qual seus tripulantes sequer sabem o motivo da expedição. Enquanto o Dr. Dave Browman e o Dr. Frank Poole ficam acordados no comando da embarcação, outros três cientistas ficam em estado de hibernação sendo monitorados pelo supercomputador HAL 9000. Desenvolvido para pensar sozinho, a máquina dá todo suporte necessário para os doutores e comanda junto deles toda a nave, sendo considerado o mais eficiente já criado. No entanto, após uma falha sem nexo, os doutores temem por sua própria segurança e decidem desligar Hal que consegue, mesmo com a descrição dos dois humanos, detectar por leitura labial a intenções de ambos e começa a desencadear atitudes letais contra a tribulação em receio da missão pela qual foi comandado ser um fracasso caso ele seja desativado.

É admirável como Kubrick consegue se comunicar com o público em longas jornadas da qual a película é muda (são quase 90 minutos sem falas, junto diversas sequências) através das imagens. Não que o cinema mudo não tenha sobrevivido da mesma forma, mas Stanley ultrapassa a intuição dos filmes sem áudio para explorar a reflexão filosófica por tudo o que cria. Também tem o objetivo de dar uma experiência completamente inusitada e nova (na época) ao espectador com ambientações incríveis que impressionam pela verossimilhança dos efeitos práticos em uma época que sequer havia computador. A qualidade é tão espantosa que é hoje é alvo de estudos de muitos cinegrafistas. Muito longe de ser apenas uma película bonita, sua primorosa e perfeccionista técnica enriquece cada segundo de projeção com uma fotografia absurdamente precisa capaz de instigar a imaginação de quem está assistindo com extrema facilidade e apresentá-lo ao fascínio de seu universo visionário e inspirador que foi, ainda é, e continuará sendo reflexo de centenas de filmes desde seu lançamento. A trilha sonora não deixa por menos e parece já ter nascido clássica. Envolvente, empolgante e magnífica, se une as cenas como uma combinação incrível e audaciosa de seu diretor que sabe contê-la quando é necessário (a exemplo das sufocantes sequências fora da nave, que preserva o silêncio claustrofóbico do espaço) e faz com que ela atinja ápices memoráveis e inconfundíveis.

Embora todo o impacto visual criado pelo seu cineasta, 2001: Uma Odisséia no Espaço rompe as barreiras do gênero, e talvez até do próprio cinema como forma de arte, com seu roteiro complexo. Instigante do inicio ao fim, foge de tudo o que havia sido criado até a época para abordar o espectador em reflexões profundas e filosóficas sem se preocupar com o resultado de que próprio cria, tendo interesse mais nas perguntas que desperta, do que as respostas que eventualmente pode dar. E se espera ter todas elas no fim da projeção, pode se sentir decepcionado. Todos os temas citados no início deste texto são explorados com extremo vigor dentro da obra que não nega a quem assiste hoje a se espantar com a visão de um gênio que sequer havia passado pela primeira viagem do homem à Lua, o que ocorreria um ano após o lançamento do filme.

Incontestavelmente genial, criativo, filosófico e inventivo, este clássico do cinema e da ficção científica serve como uma base fundamental e inspiradora para todas as grandes obras do gênero criadas desde então, todos que viraram diretores após ver esta joia que questionava as complexidades do nosso universo, seja a sua criação ou nossa evolução como ser humano e atingiu o ápice da carreira de um cineasta inviolavelmente talentoso e inteligente, que se encarregou de esfregar na cara de todos sua marca como um dos maiores cineastas de todos os tempos repetindo a dose de epicidade cinco anos depois com Laranja Mecânica. As evidências são mais que concretas, quase tão reais quanto a impossibilidade de outro cineasta repetir o feito deste filme.


Nota: 10/10

22.7.13

Crítica: X-Men Origens: Wolverine

X-MEN ORIGENS: WOLVERINE
X-Men Origins: Wolverine

Estados Unidos, 2009 - 107 minutos.
Aventura

Direção:
Gavin Hood

Roteiro:
David Benioff e Skip Woods

Elenco:
Hugh Jackman, Liev Schreiber, Danny Huston, Will i Am, Lynn Collins, Kevin Durand, Dominic Monaghan, Taylor Kitsch, Daniel Henney, Ryan Reynolds


Deixando mais pontas polêmicas do que gostaria de ter deixado e tendo uma franquia que arrecadou cada vez mais que o anterior, os executivos da Twentieth Century Fox não tiveram muitas dúvidas em explorar o universo de X-Men de forma individualista, na esperança que o seu público adorasse estes respectivos filmes e eles conseguissem criar um mundo todo dos mutantes no cinema arrecadando caminhões de dólares. Talvez este seja um dos exemplos mais recentes da ganância de um estúdio em querer produzir algo padronizado e totalmente massivo, de péssima qualidade, acreditando exclusivamente no grande nome de seu protagonista para uma bilheteria gigantesca em meio a uma temporada concorridíssima de blockbusters de verão. É claro que estamos falando do fiasco X-Men Origens: Wolverine.

O projeto todo em si já começou errado. Naquela época (não que ainda não seja, é, mas muito menos), a Fox comandava seus projetos de forma quase fascista e qualquer diretor que não tivesse um currículo de bilheterias rentáveis ou que tivesse revolucionado o cinema (James Cameron é um dos poucos diretores que recebe total sinal verde do estúdio e não é difícil entender o porquê), era manipulado a sua forma a comandar os filmes, fazendo com que a liberdade criativa de seus realizadores fosse praticamente nula.

Mesmo assim, Gavin Hood se arriscou e tentou dar um toque mais sombrio no projeto e personalizá-lo com suas características. Na primeira exibição deste material, a Fox recusou o que ele havia feito e deu o veredito que Wolverine era um personagem para o público infantil e que o filme não poderia ser sombrio, pois as crianças não gostariam e fez o projeto ter boa parte de sua estrutura alterada e refilmada. Por ironia do destino ou não, durante o processo final do longa, O Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan, com seu monstruoso Coringa e um universo dark, estourou nas bilheterias e fez não apenas a Fox, mas todos os outros estúdios compreender que a verossimilhança e o tom mais sombrio era uma tendência totalmente real, inclusive, nas adaptações de quadrinhos. E por mais inacreditável que pareça, o estúdio fez com que Hood voltasse a seu projeto original. Entretanto, boa parte dos 150 milhões de dólares do orçamento já havia sido gasto, fazendo com que houvesse outra reestruturação em cima do que já havia sido feito para tentar atender esta tendência.

O resultado foi catastrófico como o esperado. Tirando as infinitas desgraças do roteiro envolvendo personagens, núcleo central da trama, entre outros pontos, é muito mais que visível, seja pelo texto ou pela porca edição da película, as misturas destas refilmagens que foram forçadas a fazer parte de um todo. Como estrutura não fica difícil perceber: o começo do longa (a cena que seus pais são assassinados, passando pelos créditos e até sua transformação) possui em bom tom sombrio e coerente com a proposta do diretor, após isso X-Men Origens: Wolverine se resume a uma estupidez recheada de um humor patético e sem graça, com a inclusão de personagens sem qualquer conexão com o público ou realmente relativa a trama e por fim, próximo ao terceiro ato, a desgraça se conclui com a mistura dos dois primeiros atos, com um forçadíssimo tom sombrio, incluindo tantos personagens que o espectador é incapaz sequer de memorizá-los (quem dirá se aproximar emocionalmente) a fim de garantir um (falho) espetáculo visual que causa vergonha alheia em qualquer um, fã ou não.

Quem dera se parasse por aqui. O vilão Deadpool, interpretado pavorosamente por Ryan Reynolds, é uma criatura absurdamente mal projetada que, além de ser mediocremente desenvolvida, seja pelo ator ou o péssimo roteiro e abrangência do personagem, peca em um visual tenebroso e amador, inadmissível para um orçamento destes. Nem o próprio Hugh Jackman consegue salvar a película do fiasco que se coloca por mais esforçado que tente parecer.

O resultado de tanta incapacidade felizmente teve seu devido retorno. Um pouco mais de uma semana para o filme estrear, ele acabou sendo hackeado do estúdio e colocado na internet e todos os fãs puderam verificar a desgraça que havia sido feito com um personagem tão adorado no universo Marvel e boa parte deles decidiram boicotar a película nos cinemas, que só não amargou o vermelho pelos que foram pegos desprevenidamente. E tudo poderia ter sido evitado se X-Men Origens: Wolverine tivesse sido executado pelo seu realizador da forma como foi idealizado desde o inicio, o que fez, obrigatoriamente, o estúdio repensar suas táticas com o universo dos mutantes e X-Men: Primeira Classe se mostrou um feliz pedido de desculpas. Entretanto, ele será devidamente aceito com resultado de Wolverine – Imortal, que se baseia em um das sagas mais prestigiadas pelos fãs.


Nota: 2,5/10


21.7.13

Crítica: Sangue Negro

SANGUE NEGRO
There Will Be Blood

Estados Unidos, 2007 - 158 minutos.
Drama

Direção:
Paul Thomas Anderson

Roteiro:
Paul Thomas Anderson, Upton Sinclair (livro)

Elenco:
Daniel Day-Lewis, Paul Dano, Kevin J. O'Connor, Dillon Freasier, Ciarán Hinds, David Willis

Já em sua abertura, Sangue Negro resume o caráter do personagem principal em uma sequência magnífica de um pouco mais de cinco minutos sem qualquer dialogo: no meio de um deserto, em uma cidade remota nos EUA, Daniel Plainview está dentro de um buraco de garimpo tentando insistentemente achar algo de valioso em meio a um pedregulho. Quando consegue achar prata, o garimpeiro ao tentar subir para superfície através do claustrofóbico espaço pela qual desceu, parte da escada se rompe e ele fratura as pernas. Agonizando ao chão, Plainview em nenhum momento se preocupa com o fato de estar mobilizado dentro de um buraco sozinho no fim do mundo, mas de poder perder a prata que conseguiu. Sob uma trilha sonora poderosíssima e agonizante, aliado a uma iluminação pesada e obscura, a cena tem como por objetivo alertar ao espectador toda a incessante e desenfreada ganância de Daniel, sob uma personalidade antissocial e solitária, caracterizadas por uma natureza de alguém que quer muito mais do que dinheiro: poder. Mais que antecipar o acidente de Daniel, a trilha sonora de Jonny Greenwood já nos prepara sobre todas as intermináveis atrocidades que até então pacata Califórnia irá passar nas mãos do garimpeiro que conseguirá se tornar, ao longo de três décadas, um dos maiores magnatas do petróleo nos EUA.

À medida que avança com sucesso a exploração do petróleo, Daniel é surpreendido pela visita de um jovem que garante ter a localização de uma região com grande quantidade de petróleo em troca de quinhentos dólares. Após certa negociação, Plainview fecha acordo, onde mal sabe ele que lá estará o sucesso e a ruína de sua pessoa como ser humano: a quantidade de petróleo suposta pelo jovem que fora abordado é infinitamente maior ao que se pensava, mas ao mesmo tempo, lá encontrará um inimigo que, igual a ele, busca o poder e o conflito entre ambos, será eminente e surpreendentemente magnífico de se acompanhar.

Paul Thomas Anderson sabe explorar com extremo louvor cada situação que o personagem passa, mais do que isso, deixa claro ao espectador a frieza do ex-garimpeiro perante o mundo: durante sua jornada a conquista do petróleo, inúmeros acidentes acontecem e diversos trabalhadores morrem vitimas da amadora estrutura de trabalho de Daniel, que não sente qualquer ressentimento pela situação. Diante um acidente, seu afilhado HW, criança que é acolhida pelo personagem na intenção persuadir famílias na compra de terras para exploração, é atingido por uma explosão e tem a perda completa da audição. A partir daí, a única conexão de Plainview com o mundo, que não seja o que ele próprio criou internamente, acabará e o personagem cairá de vez em uma psicótica e perturbada mente. O titulo original “There Will Be Blood” (Haverá sangue) é mais que perfeito pra ilustrar toda a condição que este poderosíssimo longa expõe seus personagens. Já o titulo no Brasil também se mostra grato em fazer uma metáfora muito interessante com a maldade do protagonista e o petróleo que o cerca durante todas as inúmeras desgraças ocorrentes.

Como dito brevemente, o mercenário protagonista encontra um rival a sua altura, mas diferente dos demais, em que ele simplesmente os tirava de circulação como bem entendia, Eli é um pregador fervoroso da qual toda a simples comunidade aonde vivem adora. A personalidade de Daniel, por mais autodestrutiva que seja, consegue captar a falsidade imposta pelo seu oponente utilizando a religião para dominar todos a sua volta. Por ironia ou não, é o que causa uma profunda revolta no protagonista que parece ficar incrédulo com as jogadas do jovem pastor, já consegue sentir e admitir pra si próprio sua monstruosa ambição e poder de domínio, enquanto Eli cria uma grande mentira para viver de sua própria hipocrisia. Plainview até tenta fingidamente entrar neste jogo, mas é incapaz mesmo que queira (a cena da falsa redenção do personagem na igreja é simplesmente impagável), o que faz acreditar que, por mais baixas que sejam suas atitudes (e elas não são poucas), ele tem a dignidade de suportar o peso de suas imoralidades, por mais deploráveis que sejam. E por sua própria contradição, é a relação mais próxima que tem com outro ser humano que não seu afilhado que ele manda para longe ainda pequeno. O terceiro ato da película traz o ápice deste conflito com extrema sabedoria, perfeição e uma pitada sádica de vingança, fazendo Sangue Negro ser ainda mais épico do que já era desde sua introdução.

Em toda a sua execução, seja em roteiro ou a primorosa técnica, o filme de Anderson é irrepreensível. Aquelas poucas obras-primas que têm o poder incontestável de se tornar irretocável pelo brilhantismo que se cria e, obviamente, seus atores têm mais do que merecidos méritos, em especial, o poderoso Daniel Day-Lewis. Não há apenas um segundo qualquer que o ator não tome e domine as cenas com uma intensidade e precisão fora da normalidade. É um dos raros casos que se percebe que o artista nasceu para aquele papel e sua conquista pelo Oscar de melhor ator é muito mais que justa. Era obrigatória. Assim como todo cinéfilo deve ver esta obra-prima que irradia a beleza e talento nato de se fazer o melhor que o cinema, atual ou antigo, possa oferecer.


Nota: 10/10

18.7.13

Crítica: Passion

PASSION

França/ Alemanha, 2012 - 105 minutos.
Suspense

Direção:
Brian De Palma

Roteiro:
Brian De Palma, Alain Corneau, Nathalie Carter

Elenco:
Noomi Rapace, Rachel McAdams, Paul Anderson, Karoline Herfurth, Rainer Bock


Faz tempo que Brian De Palma, conceituadíssimo, deixou de fazer clássicos como Scarface ou Carrie, a Estranha e vem mergulhando em desastres depois de 1996 com o primeiro Missão Impossível. Tentando retornar ao gênero que o consagrou no mercado cinematográfico (O que parece estar sendo a última moda em Hollywood. Ridley Scott que o diga.) com Passion. Carregado de besteiras do inicio ao fim, é degradante ver um cineasta de um passado tão aclamado afundar numa desgraça como esta.

A trama, envolvida em um thriller quase erótico, conhecemos a poderosa executiva Christine (Rachel McAdams) que se sente ameaçada pela sua subordinada Isabelle (Noomi Rapace) que dá o grande suporte criativo das campanhas mais importantes da agência onde trabalham. Em uma apresentação importante de uma destas campanhas, a executiva rouba as ideias de sua promissora funcionária e diz que ela faria o mesmo se tivesse em sua posição. A partir daí começa um jogo sedutor e manipulador que, consumido pela perversão, desencadeia um assassinato da quais todos serão suspeitos.

Por mais infeliz que seja a execução de todo o longa, havia um tom de esperança criativa para Passion, que conta com duas atrizes excepcionais como McAdams e Rapace que aqui beiram uma mediocridade incompreensível (parece até proposital). O roteiro desequilibrado, uma técnica apavorante e uma trilha sonora tenebrosa (uma das piores que ouvi há tempos) dão um tom esquisitíssimo para a película e o espectador nunca consegue entender as intenções de seu diretor. O tom exageradamente teatral com uma fotografia inspirada em novelas mexicanas faz parecer que De Palma se autossatiriza a um gênero que dominava tão bem. Mas se o filme for capaz de provocar risos em quem estiver assistindo serão de constrangimentos.  

Uma mistura de técnicas inadmissíveis e de péssimo mau gosto sincroniza uma cafonice sem fim que beira o amadorismo. A já citada trilha sonora não tem qualquer noção de senso, é simplesmente ridícula. Aparece até o meio do segundo ato exageradamente bizarra, depois desaparece totalmente e reaparece em um tom vagabundo de Hitchcock, em claras situações que o texto achou que tinha o mesmo efeito do gênio criador de Psicose que aqui lembram um episódio de telenovelas de quinta. A estranha fotografia finge inteligência em cortes ingratos, fade outs cartunescos, palheta de cores sombrias que parecem forçar um tom noir que parece nunca chegar à película.

Com situações incoerentes e reviravoltas forçadíssimas, diálogos vergonhosos e atores talentosos prestando um serviço ingrato a um longa que tenta enganar seu público (e iludir a crítica), através de estranhezas e irregularidades, certo brilhantismo e complexidade que definitivamente estão longe de Passion. Talvez a única complexidade que apareça aqui é desvendar o verdadeiro motivo de um fiasco como este ir pra frente.


Nota: 3/10

15.7.13

Crítica: Sex and the City 2

SEX AND THE CITY 2

Estados Unidos, 2010 - 146 minutos.
Comédia / Romance

Direção:
Michael Patrick King

Roteiro:
Michael Patrick King

Elenco:
Sarah Jessica Parker, Kristin Davis, Cynthia Nixon, Kim Cattrall, Chris Noth, David Eigenberg, Evan Handler, Willie Garson, Mario Cantone, Liza Minnelli, Penélope Cruz, Miley Cyrus, Jason Lewis

É de aguçar a curiosidade de qualquer crítico em entender como uma série como Sex and the City, vencedora de 8 Globos de Ouro, com um público bem formado e fiel conseguiu desandar os longas que foram para o cinema, mesmo possuindo o próprio criador da série como roteirista junto de Michael Patrick King que, mesmo novato em direção, já havia dirigido alguns episódios da série e entendia todo o conceito da coisa. Se Sex and the City – O Filme pecava em dar ao público em drama apático, Sex and the City 2 entrega aos fãs e a seu público exatamente o que ele quer assistir e ainda sim foi metralhado pela crítica e seu próprio público por razões não muito coerentes.

Na simples trama, Carrie tenta fazer com que seu casamento com Sr. Big não caia na monotonia, enquanto se prepara para o lançamento de seu novo livro. Miranda tenta resolver seus problemas com seu sócio machista, Samantha curte sua solteirice como uma menina de 17 anos e Charlotte tenta não enlouquecer enquanto cuida de seus dois filhos e sente-se ameaçada pela beleza da babá irlandesa que recusa-se a usar sutiã. Com a estreia do novo longa de seu ex-marido, Smith Jerrod, que é financiado por executivos árabes, Samantha conhece o Sheik Khalid que fica surpreso com a determinação e o poder da moça em transformar a carreira de Jerrod, então decide fazer uma proposta irrecusável: levar ela a passar uma semana na exuberante Abu Dhabi, em uma viagem em sua própria companhia aérea e se hospedar em seu luxuosíssimo hotel, para depois terem uma reunião e decidirem como vender esta experiência para as Américas.  Sem pensar duas vezes, ela aceita o convite contanto que possa levar suas três melhores amigas.

Assim como em seu anterior, King pinta o universo das quatro amigas em mundo aquém da realidade em que vivemos. Arrisca a quebrar certos costumes das mulheres árabes para trazer certa aproximação global de feminismo pela paixão incontestável à moda, o que pode aparentar ofensivo a alguns. A película não tem qualquer objetivo de encher o espectador com roteiro de situações melancólicas como foi feito no anterior e sim entregar tudo o que seu público quer ver. Há muita honestidade no trabalho do diretor americano, mesmo que ele seja criticado pela fantasia que cria do mundo real. Afinal, a série não era uma obra-prima (apesar de seu fenômeno) e nunca teve o objetivo de refletir a profundidade da sociedade em que Carrie e suas amigas vivem. Então não vejo o porquê esperar isso do filme.

A riqueza e o luxo fazem parte constante da vida das quatro e sim, estimula um consumismo exagerado de mulheres que parecem ter encontrado o ponto ideal da vida. Mesmo passando na época da crise financeira dos EUA, o que é mencionado no longa, o diretor faz questão de mostrar que todas têm ciência da situação do país e do mundo em geral, a exemplo da cena em que Carrie diz não vender seu antigo apartamento pois o mercado imobiliário não era dos melhores atualmente ou a cena que Miranda decide deixar de ver as desgraças implantadas no jornal para ler a noticia de um marido que estava traindo sua mulher com a babá (que desperta engraçadamente a atenção de Charlotte). Apesar da futilidade que pode aparentar as centenas (sim, centenas) trocas de roupas que elas fazem no filme, não existe nas personagens um tom estúpido e hipócrita de ilusão ao que vivem como, por exemplo, na protagonista de “Os Delírios de Consumo de Becky Bloom”. Assim como o seu público (era o que se esperava, ao menos), elas sabem exatamente o que fazem e optam por este estilo de vida, mesmo que ele pinte uma realidade nada comum e alcançável para boa parte da humanidade e boa graça do longa é iludir o expectador a fim que ele se entretenha com algo bobo, porém, honesto em entregar exatamente o que propõe, não que seja algo espetacular.

É quase que injusto massacrar Sex and the City 2, enquanto há vampiros que espancam mulheres (que, por sinal, acham normal) e dizem ser amor incontido ou um bilionário sadomasoquista que usa sua secretária como um capacho boçal e inaceitável que denigre a imagem de todas as mulheres que simplesmente parecem achar o máximo a situação se baseando no sucesso absurdo e repulsivo de ambos dos casos citados seja em seus romances ou filmes (no segundo caso, ainda se tornará). Em contrapartida, o longa de Michael Patrick King é inofensivo. Impõe feminismo em todas as personagens (Carrie praticamente recusa-se a usar seu nome de casado na cerimônia em que é madrinha porque seu sobrenome a define) e apesar de toda superficialidade ou futilidade, encoraja as mulheres a se valorizarem perante aos homens e não colocá-las como submissas (outra situação que é enfatizada quando a protagonista fica abismada pelo fato de uma mulher árabe andar com um lenço na boca e parecer “não ter voz” como ela mesma diz).

Longe de ser uma obra-prima ou ao menos algo obrigatório a ser visto, a continuação da jornada de Carrie e suas amigas entretém o espectador com divertidas passagens (a ótima cena em que Samantha tem a bolsa rasgada por um árabe e todas as suas camisinhas caem perante religiosos fervorosos que quase entram em colapso ao se deparar com a cena é impagável, aliás, essa rouba todas as cenas que participa) em seu universo bem distante da verossimilhança. E perto das aberrações que vêm surgindo, seus defeitos são indolores e inocentes. Infelizmente talvez seja o motivo por ter sido tão rejeitado, talvez seu público não esteja mais contente com a inocência e prefira se rebaixar a submissão de qualquer idiota com uma conta maior que 10 dígitos.

Nota: 6/10


14.7.13

Crítica: Depois de Maio

DEPOIS DE MAIO
Aprés mai

Drama
França, 2012 – 121 minutos.

Direção:
Olivier Assayas

Roteiro:
Olivier Assayas

Elenco:
Clément Métayer, Lola Créton, Feliz Armand, Carole Combes, India Menuez, Hugo Conzelmann

Em clima de protestos e mudanças que nosso país vem sofrendo com boa parte de sua juventude cansada da situação incômoda e inadmissível que o Brasil passa por inúmeros casos, o clima de Depois de Maio, do francês Olivier Assayas pode ser maior compreendido em sua reconstrução do clima de revolução e rebeldia que tomava conta da geração de 1968. Apesar da boa nostalgia e intenções interessantes, a película escorrega em seu roteiro e atores que, juntos, deixam um tom vazio e indigesto em uma história que perde sua força ao longo de seus 121 minutos.

O drama foca os jovens franceses, em especial, o estudante e aspirante a revolucionário Gilles (Clément Métayer) em meio a febre política da época. Entre protestos e manifestações, o jovem tenta seguir com o seu sonho de pintar e dirigir filmes. Meio incompreendido pelas pessoas que o cercam, inclusive sua namorada, ele vai se adaptando gradativamente a sociedade e procura achar uma maneira de avançar sua parte artística.

A certa admiração e reconstrução da época que Assayas constrói com uma boa técnica e muitas músicas que refletem todo o idealismo que percorria no sangue daquela geração, o roteiro não possui uma narrativa que se esforce em envolver o espectador em sua história. Pelo contrário, o francês parece contar exclusivamente com o conhecimento do público sobre os ideais a serem passados e que fique cabível a nós criamos uma identificação com a película. Algo que seria relativamente fácil de acontecer se não fosse o elenco inexpressivo. Com exceção a adorável Lola Créton (do ótimo Adeus, Meu Primeiro Amor), os atores embargam em modestas e insossas expressões que, mesmo considerando a personalidade dos mesmos e o clima da película, não conseguem criar um vinculo de carisma com quem assiste. A situação se agrava quando isso vem do protagonista que, além de não ser interessante o suficiente, sofre com o amadorismo de Métayer com expressões vazias e um despreparo para o domínio de seu personagem.

A situação melhora quando Créton entra em cena, mas como o disperso roteiro é errôneo em seus desvios narrativos, principalmente quando foca em expor com mais abrangência o drama de outros personagens que não que foram desenvolvidos o suficiente ao ponto de suas escolhas. Tudo fica pior quando o francês força a morte de um deles em uma cena pouco crível e o caso parece indolor ao protagonista, mesmo a personagem em questão fazendo considerável parte de sua vida.

Com muitas questões políticas sendo retratadas, Assayas busca mostrar o desenvolvimento de um jovem como um todo. Revolucionário, que anseia melhorar o mundo com suas próprias mãos e que com típica rebeldia contra regras e leis, vivendo em busca de se encontrar totalmente. Por mais competente e interessante que seja sua técnica e sua história, o espectador consegue sentir o vazio que percorre Depois de Maio e a expressão final de seu protagonista observando um filme dentro do cinema não deixa dúvidas que falta algo ali.

Nota: 5,8/10



13.7.13

Crítica: Camille Outra Vez

CAMILLE OUTRA VEZ
Camille Redouble

Comédia/ Drama
França, 2013 - 115 Minutos.

Direção:
Noémie Lvovsky

Roteiro:
Noémie Lvovsky, Maud Ameline

Elenco:
Noémie Lovsky, Samir Guesmi, Judith Chemla, India Hair, Julia Faure, Yolande Moreau, Michel Vuillemoz

São poucos os artistas que conseguem desdobrar seu talento em diversas áreas de um mesmo filme e o resultado ser satisfatório. Os dois maiores problemas deste tipo de situação são bem simples de entender: a pessoa, cheia de si, acredita que possui um talento e um bom gosto incontestável e toma posse de todas as decisões criativas da película e, em grande parte das vezes, o que leva ao segundo item não menos problemático, é que estas evitam ouvir opiniões de terceiros, o que pode acabar matando um filme artisticamente. O maior exemplo disso, talvez até mesmo o maior dentro da história do cinema, é o indiano M. Night Shyamalan que, engolido por seu próprio ego, afundou sua carreira como nenhum outro cineasta foi capaz de fazer em tão pouco tempo. Felizmente, a cineasta, roteirista e protagonista de Camille Outra Vez, Noémie Lvovsky, apresenta uma abordagem felicíssima em seu longa que sofre o tema batido pelo qual se sustenta.

Na trama, Camille é uma mulher de meia idade, se divorciando, alcoólatra e inconformada pelos rumos que sua vida acabou tomando com o passar do tempo. Para comemorar o réveillon, ela decide reencontrar umas amigas e acaba desmaiando na virada do ano após uma bebedeira. Quando acorda em um hospital, reencontra seus pais que já haviam falecido e posteriormente descobre ter voltado, mesmo em seu corpo de 40 anos, a ser uma menina de 15 aos olhos dos outros. Vendo ali uma chance de reconstruir certos pontos de sua vida, ela começa a tentar modificar seu presente, inclusive se afastando de Éric (Samir Guesmi), seu ex-marido do qual ficou casada por 25 anos.

Como dito, o tema e a estrutura narrativa da película já é mais do que conhecida em Hollywood por filmes como De Repente 30 ou o mais recente 17 Outra Vez. Embora tenham essas semelhanças, o Camille Outra Vez possuí um verdadeiro êxito que seus “irmãos” não conseguiram, que é explorar com profundidade dos sentimentos da protagonista. Ao invés de cair em clichês americanizados como parecer descolada na escola chegando de carro importado e roupas da moda, Lvovsky mantém a imagem da protagonista exatamente da forma que ela é para lembrar ao espectador que ela não pertence mais aquele mundo e apesar de tentador, aquela é uma vaga e ilusória lembrança de um passado distante.

Aproveita também para humanizar o excepcional feito de poder voltar ao passado para tentar salvar seus pais da morte (coisa que qualquer um faria, se pudesse) e tentar aproveitar o maior tempo possível ao lado deles. Por mais comum e clichê que este tipo de retrato possa parecer, Click de Adam Sandler é mais um exemplo, Noémie atinge, seja pela direção, os ótimos diálogos do roteiro ou sua delicada atuação, com intensidade e precisão estas abordagens e consegue envolver o público em sua obra. Sem se prender a besteiras, ela faz sua protagonista a encontrar em tudo o que viveu o sentido de uma vida que parece ter sido apagado ao longo dos anos.

Com uma trilha sonora inspiradíssima, com direito a Nena 99 Luftballons, uma abordagem encantadora e nostálgica, com uma ótima atuação e direção, a cineasta francesa dá ao seu espectador a chance de entrar em seu próprio túnel do tempo e fazermos observar tudo a nossa volta com mais valor, afinal, a vida passa para todos. E mesmo não sendo inovador, sua forma de apresentar merece ser vista.


Nota: 7/10

11.7.13

Crítica: Oldboy

OLDBOY
“Oldeuboi”

Drama/ Thriller
Corea do Sul, 2003 - 120 minutos.

Direção:
Chan-wook Park

Roteiro:
Jo-yun Hwang, Chun-hyeong Lim, Joon-hyung Lim, Chan-wook Park, Garon Tsuchiya

Elenco:
Min-sik Choi, Ji-tae Yu, Hye-jeong Kang, Dae-han Ji, Dal-su Oh, Byeong-ok Kim, Seung-Shin Lee

O cinema asiático é subestimado em nossas terras preconceituosas e indispostas a compreender uma cultura diferente da ocidental. Obras-primas são meramente diluídas em remakes banais que falham na tentativa de reconstruir tudo o que outro cineasta fez. O próximo da vez será o aclamado Oldboy, de Chan-Wook Park e já posso dizer que, assim como David Fincher sendo um excelente diretor não conseguiu trazer a força do dinamarquês Niels Arden Oplev na versão original de Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, Spike Lee muito provavelmente não conseguirá reviver com todo o louvor a adaptação do sul-coreano das HQ’s de Nobuaki Minegishi. Não por falta de competência, mas sim porque é impossível para um americano transmitir com extrema precisão uma cultura que se distancia da nossa como água e óleo.

Lembro-me quando vi um drama chinês tristíssimo chamado Permanent Residence (não há tradução para o português) e fiquei perturbado como o chinês Scud conseguia transmitir a intensa relação entre os protagonistas e mostrar o quão infeliz aquilo tudo era. Um amor não correspondido que lutava com a relutância de um deles (que gostava, mas não conseguia aceitar) e o sofrimento que a situação ia causando em ambos. É uma característica do cinema asiático que aqui é multiplicada por um roteiro extremamente original e completamente desenfreado em ideias doentias e bizarras.

Na adaptação conhecemos o alcoólatra Oh Dae-su que é detido temporariamente após uma bebedeira e é sequestrado misteriosamente no meio da rua, enquanto espera seu amigo usar um telefone público. Em um cativeiro que lembra um hotel barato, ali ele fica por 15 anos. Após quase estar tendo êxito de escapar do local, Dae-su é liberado e acorda na cobertura de um hotel e dentro de uma mala. Perturbado e sendo acusado de assassinar a própria esposa, ele decide se vingar de quem o sequestrou e tenta descobrir o porquê ficou trancafiado durante tanto tempo. Entretanto, conforme vai desvendando os fatos, a realidade vai se mostrando mais perturbadora que poderia se imaginar.

A começar pelo protagonista, vivido intensa e insanamente por Min-sik Choi, é praticamente um universo isolado dentro do longa. A força empregue pelo sul-coreano e sua versatilidade em se adaptar a inúmeras mudanças de humor e sentimentos vividos, impostos e submetidos é arrasadora. O ator consegue expressar com tanta verossimilhança as dores, sofrimentos intensos e devastadores de seu personagem que é impossível o espectador não comprar o poder de cada cena de Oldboy. É quase palpável o quão desesperador e insuportável se torna o mundo para Dae-su conforme é manipulado e humilhado  por Lee Woo-jin (interpretado excepcionalmente por Ji-tae Yu). Sem sombras de dúvidas, sua atuação é memorável e admirável.

Se o material original já é polêmico o suficiente, Chan-wook Park abusa sadicamente do poder de seu audacioso roteiro e inicia uma jornada quase que torturante para público e brutal para seu protagonista. A fotografia não poupa ângulos imaginativos e manipuladores para instigar a imaginação de quem está assistindo todo o show de horror e banhos de sangue capturados de forma bastante crua pelo sul-coreano que aumenta drasticamente o poder de suas cenas. A palheta de cores instável reflete a cultura oriental, principalmente a claustrofobia que os ambientes artificiais transpõem decorrente as construções arquitetônicas de países cuja população é maior do que o próprio país pode conter. A saturação do branco vindo das iluminações destes ambientes beiram o insuportável boa parte das vezes. A trilha sonora inspiradíssima se arrisca com muito êxito em clássicos como Vivaldi, reforçando certo incômodo que a película causa.

Não parando na técnica, Park dilui o roteiro de Oldboy lentamente entre diversas sequências nojentas, bizarras, com uma violência quase interminável e mostra estar se divertindo em implantar certa tosquice, especialmente nas cenas de ação, parecendo uma versão oriental de Quentin Tarantino. Sem se prender na diversão do diretor de Kill Bill, o trash adicionado aqui serve como um respiro ao espectador diante de tudo que se apresentado do roteiro. Este, polêmico (e assertivo) como poucos, não fica no meio termo e avança o sinal vermelho em direção ao insano. Não deverá ser rara a frustração e revolta de certas pessoas com o perturbador desfecho do filme.

Incrivelmente criativo e poderosamente imaginativo, Oldboy entrega ao público uma experiência rara e incomum dentro do cinema. A ousadia do sul-coreano parece ser interminável (e quase irretocável se não fosse um uso levemente exagerado de flashbacks) dentro dos 120 minutos desta obra-prima que é incapaz de deixar ileso o mais cético dos espectadores.


Nota: 9,7/10