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21.6.13

Crítica: Sideways - Entre Umas e Outras

SIDEWAYS – ENTRE UMAS E OUTRAS
Sideways

Estados Unidos, 2004 - 123 minutos.
Drama/Comédia

Direção:
Alexander Payne

Roteiro:  
Rex Pickett (livro), Alexander Payne, Jim Taylor

Elenco:
Paul Giamatti, Thomas Haden Church, Virginia Madsen, Sandra Oh, Marylouise Burke, Jessica Hecht, Missy Doty, M.C. Gainey

Há um momento em Sideways – Entre Umas e Outras, onde Miles (Paul Giamatti) e Maya (Virginia Madsen) estão conversando em uma varanda sobre a obcessão do protagonista com os vinhos fabricados com a uva Pinot Noir. Enquanto ele explica a ela as suas razões, constrói ali uma metáfora de si mesmo. Quando questionada por ele sobre a paixão dela por vinho, outra metáfora é exposta sobre a “vida” que a milenar bebida possui desde sua formação, passando pela “espera” e atingindo ápices que, inevitavelmente, acabarão e que cabe a nós perceber a hora certa de aproveitar o que há de melhor. Aqui, Alexandre Payne assina uma direção crua, poética e divertida, fugindo dos clichês road-movies, apresentando sentimentos bem maduros.

Na adaptação do romance de Rex Pickett conhecemos Miles, um professor de colégio depressivo e alcoólatra incapaz de seguir em frente após seu divórcio. Seu melhor amigo Jack (Thomas Haden Church) está para casar e ele decide convidá-lo, como despedida de solteiro, para irem fazer degustações de vinhos nas vinícolas do vale de Santa Inez, na Califórnia. Não demora para que Jack se envolva com Stephanie (Sandra Oh) que, em crise pré-matrimonial, começa pensar em anular o casamento. Enquanto Miles serve de par para Maya, uma garçonete que, assim como ele, é apaixonada por vinhos.

O diretor americano não tenta embelezar o longa com tomadas, ângulos e ambientações primorosas. Neste aspecto, Sideways – Entre Umas e Outras surpreende pela crueza da película e como ela reflete, simbolicamente, a percepção do protagonista à vida. Por outro lado, se mostra astuta por trabalhar as lentes de forma com que elas expressem as embriaguêses dos personagens. Desfocam quando eles ficam bêbados, tremem quando eles estão tentando andar. A trilha sonora é sutil e penetra no longa apenas quando convém.

Como mencionado, o vinho tem uma importância metafórica dentro da película, em explorar o protagonista através de suas perfeitas técnicas de um sommelier, principalmente, com a uva Pinot Noir. Com dificuldade de cultivação, a uva não se adapta a qualquer clima e há necessidade de um cuidado enorme dos cultivadores para que ela cresça da melhor forma possível. Tentando ser escritor, Miles sequer consegue que um de seus livros sejam aceitos pelas editoras, aliado a infelizes e ininterruptos desapontamentos, nutre uma amargura e melancolia que parecem não ter fim. Assim como a metáfora do vinho feita por Maya, a vida do professor parece ter desperdiçado seu ápice e declina para um inevitável e insípido fim.

Para encarnar os personagens, Payne é certeiro em uma escala de elenco formidável. Mas sem grandes dificuldades é Paul Giamatti que se sobressai. Ator de performances irrepreensíveis é com injustiça que ainda não tenha ganhado um Oscar sequer, pois esforço e merecimento não falta.

Sideways – Entre Umas e Outras termina como um drama que tem um senso de humor apuradíssimo, e com o tom que contradiz a tantas garrafas e metáforas sobre vinho. Se uma queda irreparável da bebida é inevitável, porém na vida, nunca e nada é o bastante para que se declare o fim e Alexander Payne sabe demonstrar isso magnificamente bem.


Nota: 8,5/10

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