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16.6.13

Crítica: Segredos de Sangue

SEGREDOS DE SANGUE
Stoker

Eua / Reino Unido, 2013 - 99 minutos
Suspense

Direção:
Chan-wook Park

Roteiro:
Wentworth Miller, Erin Cressida Wilson

Elenco:
Mia Wasikowska, Nicole Kidman, Matthew Goode, Lucas Till, Jacki Weaver, Alden Ehrenreich, Dermot Mulroney


O cinema asiático possui peculiaridades muito interessantes diante do cinema ocidental. Muitas histórias doentias sob olhares de diretores cujos trabalhos são perturbadores e nem sempre totalmente decifráveis parecem extrair um instinto animalesco preso em cada ser humano, sem grandes problemas. E o resumo de tantas características podem todas ser reflexos do diretor sul-coreano Chan-wook Park, que fez o cinema oriental tomar maiores proporções com sua trilogia visionária da vingança. A vinda deste talentosíssimo diretor para a terra de produções dominadas por executivos ambiciosos causou certo fervor nos fãs que imaginaram até onde o trabalho deste visionário seria atingido. Segredos de Sangue inaugura sua chega a Hollywood tomada por seu estilo recheado de mistérios, porém, com um roteiro que não tem base suficiente para sustentar o que seu cria.

Na história, acompanhamos India (Mia Wasikowska), uma garota misteriosa, que acabou de perder o pai em um acidente violento e está tentando compreender a chegada de seu desconhecido tio Charles (Matthew Goode), que virá a morar com ela e sua mãe Evelyn (vivida por Nicole Kidman). Não demora muito para ela ver com desconfiança as verdadeiras intenções de seu tio e ao mesmo tempo, nutrir uma paixão por ele.

O estilo do sul-coreano emprega toda a película e consegue transmitir com muita precisão um olhar inusitado sob situações comuns em nossa cultura. A palheta de cores da engenhosa fotografia consegue, inusitadamente, unir cores vivas a uma atmosfera sombria sem nunca errar a mão em uma edição ágil e impecável. A trilha sonora sutil abre espaço para envolver o telespectador nos sons transmitidos pelo ambiente. Tudo é feito com tamanha precisão, que há momentos quase palpáveis dos elementos em cena. Impressionante.

Embora tenha uma técnica infalível, a direção de Chan-wook Park vai bem além e embarca o público em sua conhecida mistura de mistérios e tons sexuais, características de seu trabalho. Sua direção de atores é admirável e contribui para expor tudo isso. A intensidade dos olhares transmitidos por Charles é penetrante, com tom sedutor e profundamente manipulador. A doentia conotação sexual do personagem envolve India dentro de um jogo de seduções e superioridade. Tudo parece um despertar instintivo e animalesco de um personagem perturbado por um mundo de padrões, mais preocupados na exposição social de uma situação, do que as reais consequências da mesma, o que desperta e envolve a garota em sentimentos antes resguardados. 

Apesar de possuir o tom perfeito de mistério, o primeiro trabalho de Wentworth Miller (Prison Break) como roteirista falha não fazer jus a toda expectativa que cria. Não há furos, porém, Segredos de Sangue é conduzido por uma técnica inusitada, um trabalho de elenco fantástico (em especial Matthew Goode e Mia Wasikowska), por um diretor conhecido pela sua imprevisibilidade e seus violentos banhos de sangue. Muito mais que gratuitos, fazem uma bela contrapartida a todos os seus elementos e que aqui, resume-se a vagos espirros de sangue.

Mostrando que está longe de ceder seu estilo para agradar a executivos, o diretor de Oldboy precisava ter se arriscado em um roteiro mais corajoso para enfatizar todo o seu inquestionável talento. Mas mesmo assim, Segredos de Sangue merece ser apreciado, pois não são todos os dias que alguém faz o comum parecer realmente diferente e de forma deliciosamente interessante.

Nota: 7/10

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