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27.6.13

Crítica: Queime Depois de Ler

QUEIME DEPOIS DE LER
Burn After Reading

Estados Unidos, 2008 – 96 minutos.
Comédia

Direção:
Joel e Ethan Coen

Roteiro:
Joel e Ethan Coen

Elenco:
George Clooney, Frances McDormand, John Malkovich, Brad Pitt, Tilda Swinton, J.K. Simmons, Richard Jenkins, David Rasche, Olek Krupa

Em tempos onde a comédia se transformou em um gênero batido por pastelões e sátiras sem graças, de situações forçadas e irritantemente manipuladas para arrancar, mesmo que a força, um riso amarelo de quem estiver assistindo (vide os filmes do Adam Sandler), é quase uma benção divina o papel de Queime Depois de Ler. Numa mistura de sátira ao gênero de espionagem, com um roteiro afiadíssimo, de uma ironia e um humor negro sem fim, é uma pena que o longa dos Irmãos Coen tenha sido tão mal interpretado por um público cada vez menos interessado em pensar.

Na divertidíssima trama, um agente da CIA (interpretado por John Malkovich) pede demissão após ser exonerado de seu cargo por ser alcoólatra. Sua mulher (Tilda Swinton), uma executiva independente e arrogante, começa a imaginar o que seu marido, com idade já avançada, irá fazer para se manter já que ela mesma não está disposta a banca-lo. Enquanto ela o traí com o marido (vivido por George Clooney) de um casal de amigos, ele escreve um memorando de seu tempo vivido na CIA que por infelizes circunstâncias acaba caindo na mão de dois personais trainers (Frances McDormand e Brad Pitt). Supondo que o material seja de alta confidencialidade, os dois tentam chantagear o ex-agente a pagar uma alta quantia em dinheiro para ter de volta seus “documentos”. Após um confronto físico entre eles, os personais crentes de estarem com a posse de um arquivo altamente poderoso, decidem ir à embaixada russa a fim de conseguir alguma recompensa. Mal sabem eles que o flerte começa a ser levado mais a sério do que o previsto.

Sem em nenhum momento apelar para estupidezes do gênero, a dupla de irmãos divertem o telespectador com inteligência. Na técnica, utilizam de uma fotografia típica de filmes de espionagem, como lentes que simulam satélites, ângulos impessoais (a primeira coisa focada dos agentes são os sapatos), uma trilha sonora inspiradíssima que sabe dar o tom exato do que o longa precisa. É muito interessante como os Coen manipulam o público com certo drama envolvendo os personagens e da maneira registrada deles, os retiram de cena com a maior impessoalidade do mundo, de forma brilhante. Ou a forma como o tom de Queime Depois de Ler vai se intensificando de forma imprevista, tamanho são os (divertidos) absurdos de seu roteiro ou das situações apresentadas. Um humor muito pelicular e admirável de se experimentar.

Nada, no entanto, teria tanta precisão se não fosse pelo elenco extremamente competente que dispensa apresentações. John Malkovich sempre sensacional, Tilda Swinton sendo megera de forma que só ela sabe fazer, um Brad Pitt surtado, George Clooney interpretando um cinquentão em crise da meia idade engraçadíssimo e Frances McDormand ridiculamente perfeita no papel de Linda Litzke.   

Brincando com o gênero de espionagem sem se transformar em um besteirol, Queime Depois de Ler aguça um humor quase instinto na comédia atual pela falta de perspicácia de uma massa que é incapaz de compreender a inteligência de dois diretores tão talentosos e dão espaço para Sandler, Schneider e os irmãos Wayans fazerem a festa.

Nota: 8/10



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