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17.6.13

Crítica: O Labirinto de Kubrick

O LABIRINTO DE KUBRICK 
Room 237

Documentário, 2012 – 102 minutos

Direção:
Rdney Ascher

Elenco:
Bill Blakemore, Geoffrey Cocks, Juli Kearns

Que Stanley Kubrick era um gênio é inquestionável. O diretor americano, conhecido pelo seu perfeccionismo, proporcionou ao cinema obras-primas tão gloriosas, quanto fundamentais para o desenvolvimento e influência da arte, ultrapassando a própria mídia em si, gerando marcos incontestáveis. O que parece até hoje impossível de acontecer, Kubrick realizou: em um período de 12 anos, realizou 4 filmes dos quais, 3 deles, se tornaram 3 dos maiores filmes de todos os tempos, sendo que 2001: Uma Odisseia no Espaço e Laranja Mecânica estão dentro dos 5 maiores marcos da ficção cientifica de todos os tempos.

Em 1980, o mundo era consagrado por O Iluminado, um clássico atualmente, que não foi reconhecido por todos os seus méritos na época. Mesmo sendo considerando muito bom, o longa era questionado se estava à altura das produções de um cineasta de capacidades ilimitáveis. O tempo foi certeiro e deu a obra seu lugar merecido. Agora, o diretor Rodney Ascher assina O Labirinto de Kubrick, para fazer uma amostra profunda e complexa das inúmeras mensagens subliminares contida neste clássico que aterroriza muitos até hoje e parece estar muito além de fazer uma adaptação do clássico de Stephen King.

Através de inúmeras entrevistas, da qual os entrevistados vão expondo suas teorias por trás da película, o documentário trata de embasa-las o tempo todo com as próprias imagens do filme. No começo, o telespectador pode (com certa razão, uma vez que a análise da obra sobreposta de trás para frente junto da mesma seguindo em ordem normal parece ser algo proporcionado por fanatismo) pender a não acreditar em tamanhas crendices, porém, a medida que os fatos vão sendo ligados a outras obras do diretor, seu próprio histórico de vida e acontecimentos históricos importantes, é uma pequena questão de tempo até você se tornar outro teorista por trás de O Iluminado.

É impressionante a quantidade de detalhes encontrados na obra, sejam por falsos erros de continuidade (dos quais Kubrick era incapaz de cometer, ao menos que fosse propositalmente), quadros com metáforas e simbolismos, os incessantes números que em certa cronologia, todos indicam, assim como a própria máquina de escrever de Jack, a referência ao nazismo. Porém, a mais interessante e conspiratória, de certa forma, altamente perturbadora, é a forma como o diretor americano coloca entrelinhas ao público que as imagens que vimos da viagem espacial da Apollo 11 eram puramente fictícias e mostra-se reveladora a própria participação de Kubrick na mentira construída pelo governo americano. São impressionantes os embasamentos feitos através das próprias técnicas do diretor, as mensagens estampadas até mesmo no tapete que Danny brinca momentos antes de uma bola rolar até ele. Não são todos os dias que alguém tem a audácia de tocar em assuntos tão delicados.

Mas do que isso, o documentário mostra, de forma hilária, a resposta do diretor em relação à insatisfação de Stephen King com a adaptação do seu material. Trabalho de gênio. Assim como também mostra a crítica social que O Iluminado faz através de estereótipos e personagens entrelaçados ao simbolismo do próprio papel do homem dentro da sociedade. Muito mais que interessante, é assustador ver a capacidade do diretor em fazer um mundo de ideias e mensagens quase imperceptíveis ao telespectador comum.

O Labirinto de Kubrick é uma oportunidade quase única de proporcionar uma análise profunda e complexa não apenas deste clássico (do qual você sente-se obrigado a assisti-lo novamente para ver tudo o que foi mostrado), mas serve como um delicioso exercício para expandir a mente e explorar ao extremo esta maravilhosa arte que é o cinema.


Nota: 8,5/10

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