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19.6.13

Crítica: O Diabo Veste Prada

O DIABO VESTE PRADA
The Devil Wears Prada

Estados Unidos, 2006 - 109 minutos.
Comédia

Direção:
David Frankel

Roteiro:
Aline Brosh McKenna, Don Roos

Elenco: 
Meryl Streep, Anne Hathaway, Emily Blunt, Adrian Grenier, Simon Baker, Daniel Sunjata, Gisele Bündchen, Tracie Thoms, Jaclynn Tiffany Brown

Entrar no mundo na moda é o sonho de milhares de pessoas. Participar de festas sofisticadas com a alta sociedade, ser assediado pelos fotógrafos, estar conectado as principais tendências do mundo pode parecer ser o trabalho aparentemente perfeito. Errado, muito errado. A maioria destes sonhadores não faz a menor ideia do quão complexo é viver dentro de um mundo onde cada dia é uma novidade e se você não souber se adequar a ela, será engolido. Para mostrar um pouco da vida difícil de quem vive por trás dos bastidores de uma das profissões mais glamourosas do mundo, o diretor David Frankel adapta o divertido romance de Lauren Weisberger, O Diabo Veste Prada. Sob uma estrutura já cansada, o longa brilha pelas suntuosas atuações, um roteiro afiado e uma esmagadora Meryl Streep.

Na trama conhecemos Andy, uma jovem jornalista que vai tentar a vida na corrida Nova York. Após ser chamada para fazer entrevista na poderosa Runway, da qual ela sequer tinha conhecimento, é contratada para ser a segunda assistente da editora-chefe da revista, a iconográfica Miranda Priestley (vivida por Meryl Streep). Não demora muito para a inocente jovem descobrir que este não é um trabalho qualquer e que se quiser continuar nele, terá que entrar de corpo e alma.

A técnica de Frankel é adorável. A direção de arte, aliado ao belíssimo trabalho de figurino de Pat Fields, transborda sofisticação e extremo bom gosto. A sutileza em que os ambientes são compostos, assim como seu estereótipo criado como padrão de luxo e beleza atinge uma verossimilhança impressionante com o mundo real da moda. A fotografia muito precisa, capta com muita intensidade tomadas da cidade de Nova York (aliado aos efeitos sonoros que passam ao telespectador o constante movimento da cidade) e da charmosa Paris. A trilha sonora surpreende pela agilidade de pegar no ar as necessidades das cenas e sequências, vinda de artistas como U2, Madonna e Theodore Shapiro.

O roteiro, apesar de caminhar em linhas já conhecidas e não apostar em uma bem-vinda inovação, em sua grande maioria é composto por situações e diálogos afiadíssimos (que trarão graça para os conhecedores do mundo da moda). Ao invés de dar um tom pastelão e forçado, o texto traduz com sutiliza o humor de quem vê o mundo fashion sob olhos leigos. Há certa ridicularização, mas engraçadíssimas em tom inocente da protagonista. É interessante como O Diabo Veste Prada consegue atravessar as roupas em si e mostrar ao telespectador (um pouco, ao menos) o estilo de vida de pessoas que vivem em um mundo à parte da civilização “comum”. Quem já teve alguma experiência com moda, sabe que é um trabalho sugador. Não existe hora para ir embora, dias se tornam noites e vice e versa. As festas são os breaks de descanso para que toda uma equipe corra por mais 6 meses para criar do zero outra coleção que deve estar a altura de elogios e agradar seu criterioso e seleto público-alvo. Devem sempre estar cientes de todas as novidades de todos os ramos, seja arquitetura, música, cinema, entre outras, assim como mergulhar atrás de livros de história em busca de tendências que possam repaginar e trazer novamente à moda. Inocente a pessoa que imagina que o universo vive apenas sob a superficialidade do comercio e estações.

Para dar o tom perfeito à película, o elenco é composto pela ótima Anne Hathaway, uma irritante e engraçada Emily Blunt, um divertidíssimo Stanley Tucci, porém, quem rouba todas as cenas, mais do que o de costume, é Meryl Streep. Seus olhares, a fala mansa e gestos são ímpares e, sem dúvidas, transforma Miranda Priestley em um dos personagens mais incríveis dos últimos anos. É impressionável a presença de cena da atriz que, literalmente, não precisa abrir a boca para contagiar. Sua conexão com Anne Hathaway é enorme e as melhoras cenas do longa ficam por conta dos pedidos inusitados da editora-chefe para sua assistente que não faz a menor ideia de como realizá-los.

Claro que O Diabo Veste Prada não poupa alguns sermões clichês para menininhas que sonham entrar em um mundo de poder, mostrando que o caminho nem sempre é esse. Mas esqueça essas bobagens, Miranda está requisitando a sua presença e precisa ser agora!


Nota: 7,5/10

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