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15.6.13

Crítica: Depois da Terra

DEPOIS DA TERRA
After Earth

EUA, 2013 - 100 minutos
Ação / Ficção científica

Direção:
M. Night Shyamalan

Roteiro:
M. Night Shyamalan, Gary Whitta, Will Smith

Elenco:
Jaden Smith, Will Smith, Sophie Okonedo, Zoë Kravitz, Glenn Morshower, Sacha Dhawan, Jaden Martin


A ideia de desaprender algo, principalmente quando se é um profissional naquilo que se faz, soa um tanto quanto absurda e esquisita, se não for correlacionada com alguma doença que o torne incapaz. E por mais inusitadas que sejam estas circunstâncias, elas podem realmente acontecer e M. Night Shyamalan é a prova viva e continua deste degenerativo ciclo. Depois da Terra, seu novo filme, avança novamente as barreiras da mediocridade, do insano e gera no telespectador um sentimento bem conhecido de seus últimos trabalhos: incredulidade.

Na trama, por uma série de motivos, a Terra vai reconstruindo todo seu ecossistema de forma com que fique inabitável para os seres humanos, fazendo que com migremos para outro planeta. Lá, o modo de vida apesar de agradável, é afetado por criaturas nativas denominadas “Ursa” que, embora sejam cegas, conseguem rastrear os humanos pelo medo. Para sua última missão, o general Cypher (Will Smith), que é um dos responsáveis pela segurança da população, decide levar seu filho Kitai (Jaden Smith) a fim de terem uma relação mais próxima. No meio do caminho um acidente ocorre, fazendo que a nave despenque na Terra, cuja superfície agora é letal para a vida humana. Com a nave partida e gravemente ferido, o comandante coloca seu filho na missão de encontrar um sinalizador nos destroços da embarcação, enfrentando todas as modificações mortais do planeta.

A começar pelo roteiro que, apesar da interessante premissa (que, de fato, fica apenas nisso), é uma babaquice previsível e com inúmeros furos que não precisam do menor olhar clinico para enxergá-los. O tempo todo, o texto tenta usurpar ideias de inúmeros filmes, porém, por mais ridículo que soe, é no game (assim como a história geral do personagem) de Tarzan, do aposentado Playstation 1, que boa parte da estrutura se sustenta. Há, pelo menos, quatro sequências que são tão parecidas que o indiano deveria ser processado por plágio e por estupidez da obviedade. É claro que tudo é camuflado pela parte sci-fi do longa, mas até ângulos do game são usados. Episódios como Tarzan fugindo dos macacos, pulando da cachoeira e se transformando em um homem (no filme esta transformação é voltada para o caráter do personagem), briga com leopardo, e a própria forma como o garoto que é criado por gorilas escapa da morte é idêntica (dentro da ambientação e proposta da película) a de Kitai. Sim, é pra ficar perplexo com a mediocridade de um diretor que, em menos de 15 anos, saiu da premissa de ser um dos melhores diretores da sua geração para virar um dos piores, se não o mais. É lamentável.

Maravilhoso seria se os problemas de Depois da Terra parassem por aí. A técnica de Shyamalan é pavorosa. O design de produção é tão absurdo que passa da barreira do questionável, numa tentativa extremamente falha, e destrói os limites da própria física, utilizando a própria nave como exemplo, que apesar de inúmeras tecnologias, não possui portas de pressurização, botões com qualquer identificação no painel que lembra um casulo de abelha e usa, acreditem, lonas de plástico para dividir um ambiente do outro. E isso é apenas o começo. A ambientação do longa, seja na Terra (que novamente lembra o game do Tarzan em uma versão pós apocalíptica) ou no planeta onde vivem, ultrapassa o mal gosto e atinge o amadorismo. É de se questionar um orçamento de 130 milhões de dólares e notar que a produção utiliza de pré-moldados de plástico o tempo todo e parece que ninguém está se importando com isso. Nada parece bem produzido. A impressão que se tem é que houve uma greve nos departamentos de design e efeitos especiais e o indiano simplesmente decidiu usar os rascunhos como a versão final de tudo. A trilha mal produzida não sabe se desenvolver e por hora é esquecida quando se convém e praticamente nem se nota sua existência. O que é gravíssimo.

Se uma sucessão de desgraças ininterruptas poderiam ser amenizadas pelo carismático Will Smith, a incompreensível e revoltante direção de atores do diretor de Fim dos Tempos afunda de vez sua oportunidade de não ser um total fiasco. Se Smith, veterano e talentoso, consegue ser aprisionado em uma monotonia sem fim e expressões sem qualquer sentimento (o personagem também não ajuda), quem dirá seu filho. O garoto não demonstra o menor talento para tal, aliado a tenebrosa direção de Shyamalan, a atuação de Jaden leva o telespectador a crises de risos involuntárias tamanho o constrangimento e a vergonha alheia de todos os seus minutos em tela. É sofrível de ver.

Numa tentativa de dar visibilidade ao seu filho, Will Smith procurou a pior pessoa que poderia para transpor seu péssimo roteiro para os cinemas. A única coisa boa de Depois da Terra, é que felizmente não precisamos ter que ver aqui Mark Wahlberg dialogando com uma planta de plástico como em Fim dos Tempos, a fim de tentar entender o porquê a natureza estava se rebelando contra a humanidade. Mas se isso por acaso se tornar verdade, que comece por M. Night Shyamalan, por favor.

Nota: 2,5/10

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