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14.5.13

Crítica: Uma Ladra Sem Limites



UMA LADRA SEM LIMITES
Identity Thief

2013, EUA - 111 minutos
Comédia

Direção:
Seth Gordon

Roteiro:
Craig Mazin

Elenco:
Jason Bateman, Melissa McCarthy, Robert Patrick, Amanda Peet, Genesis Rodriguez, T.I., Morris Chestnut, John Cho, Jon Favreau, Eric Stonestreet, Jonathan Banks

O gênero comédia anda sofrendo em Hollywood. A falta de criatividade e de inteligência dos roteiros cada vez mais insossos serve de palco para shows de histerismos, situações forçadas e bullying em cima de estereótipos clichês. Uma Ladra Sem Limites se encaixa em todos os exemplos com pouquíssimo êxito em seus propósitos, que se segura em Melissa McCarthy para não afundar no fiasco total.

Sandy Patterson (vivido por Jason Bateman) é um cara comum, cuja vida reflete o sonho americano. Em um dia qualquer, Sandy cai em golpe via telefone e tem seu cartão clonado por uma mulher problemática a fim de resolver seus problemas financeiros. Se passando pelo dono do cartão já que aproveita o nome feminino do homem, ela estoura todos os limites de crédito. Quando Patterson se vê enrolado por estes problemas que também ameaçam seu emprego, ele é obrigado a ir atrás da mulher e fazê-la se admitir culpada.

Depois do divertido “Quero Matar Meu Chefe”, esperava-se que Seth Gordon entendesse o espírito inovador do gênero e não retornasse à estaca zero, como as besteiras produzidas por ele em comédias indigeríveis como Surpresas do Amor. A lição de moral que Uma Ladra Sem Limites quer transmitir beira, se não é, um absurdo. Gordon utiliza de todos os clichês mais usados e cansativos do meio (a mulher gorda folgada e problemática que é ridicularizada, e o cara comum e perfeito que sofre nas mãos de terceiros, principalmente no trabalho, por sua passividade) para, através do problema causado pela mulher, obrigá-los a conviver juntos por um tempo e compreender os dramas vividos por ambas as partes e suas motivações. Não bastasse tratar o telespectador como idiota, o drama empregue no longa é carregado e forçado demais. Se é que alguém pode ser envolvido por tal situação e acreditar que realmente uma pessoa que é roubada, agredida, envolvida em um confronto de acerto de contas com traficantes, entre outras inúmeras ocorrências originadas de uma pessoa de caráter repulsivo, por fim, ainda querer se tornar amiga da pessoa e tudo o que se tem direito no fim dos episódios de Teletubbies.

Mesmo que ignorássemos todos os absurdos do roteiro e víssemos Uma Ladra Sem Limites como diversão, ainda sim seriamos decepcionados. Como dito, o papel vívido por Melissa McCarthy não beira o total desastre pela competência pessoal e esforçada (levianamente) da atriz, que possui muito mais êxito no engraçado Missão Madrinha de Casamento. Jason Bateman vive aqui exatamente o mesmo personagem que viveu no longa anterior do diretor, Quero Matar Meu Chefe, apenas com propósitos diferentes, o que não empolga. Se não bastassem as incompetências de direção e roteiro, o longa é provido de falhas técnicas. Note a sequência Sandy encontra Diana pela primeira vez e começa a segui-la com um carro alugado. Percebendo que está sendo seguida, a mulher freia o carro com tudo, amassando ligeiramente o carro do homem. Após um conflito de agressões físicas, Diana foge com o carro de Sandy, que aparece intacto. A sequência em que o homem é atacado por uma cobra e espancado com um bastão pegando fogo e não aparece com uma queimadura sequer ou qualquer indício da mesma. Pior que isso, nada acontece a ele, mostrando a falta de verossimilhança do diretor.

A verdade é que nos últimos anos, o cinema vem sofrendo com a falta de boas comédias. Entre besteiróis e comédias estúpidas, dá para contar nos dedos as comédias inovadoras e divertidas dos últimos 5/10 anos. E, com certeza, Uma Ladra Sem Limites não se encontra na lista.

Nota: 3,5/10


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