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24.5.13

Crítica: Terapia de Risco

TERAPIA DE RISCO
Side Effects

EUA, 2013 - 106 minutos
Suspense

Direção: 
Steven Soderbergh

Roteiro: 
Scott Z. Burns

Elenco:
Jude Law, Rooney Mara, Chaning Tatum, Catherine Zeta-Jones, Polly Draper, Vinessa Shaw


Poucos diretores atualmente têm talento para inversão de gêneros ou uma boa mescla deles dentro de um único filme. É comum ver como resultados o extremismo de tons, a falta de um roteiro e uma direção que consiga esta transição de forma crível e sutil. Defeitos bem longe de Soderbergh e seu Terapia de Risco que, entre uma crítica à indústria farmacêutica e um thriller instante, faz um dos melhores filmes do ano até o momento.

Na trama somos apresentados a Emily (Rooney Mara), uma jovem mulher que aguarda seu marido (Channing Tattum) sair da cadeia após fazer negociações ilegais envolvendo a bolsa de valores. Quando ele finalmente sai, ela inesperadamente entra em um estado de ansiedade e depressão. Após um estranho acidente de carro, ela é abordada pelo psiquiatra Dr. Banks, que logo entende o verdadeiro sentido do acidente. Propondo terapia sob um coquetel de medicamentos que parece não fazer efeito, o psiquiatra aceita expô-la a um novo antidepressivo que acaba de chegar ao mercado. Os efeitos do remédio logo começam aparecer e, consequentemente, seus efeitos colaterais. Quando Emily mata alguém, sob misteriosas circunstâncias, a dúvida sobre os verdadeiros efeitos colaterais do remédio entram em jogo.

As técnicas usadas por Soderbergh para manipular o telespectador não são totalmente originais (lembram, vagamente, as técnicas usadas no francês Dentro da Casa), porém, possuem peculiaridades ímpares do diretor. O roteiro bem inscrito amarra todas as pontas e não escapa ao público mais atento as surpresas e competências do diretor em manipular sob ferramentas críveis e inteligentes.

A princípio, Steven apresenta um drama com tendências melancólicas. Sob uma fotografia cinzenta e sombria, bem semelhante ao seu outro filme Contágio, o diretor americano vai explorando o universo de uma pessoa problemática que não consegue lidar com uma depressão que parece a isolar cada vez mais (boa parte do tempo, os ângulos desfocam o rosto de terceiros ou os cortam dentro do possível). A palheta de cores só destaca as cores vivas dos anúncios e dos frascos de remédios que pintam uma solução bonita para seu público-alvo. Quando Emily começa a ser afetada positivamente pela nova medicação, Soderbergh é sábio em não mudar o tom de cores, mantendo firmemente os ambientes frios e sombrios, afinal, estes mesmos medicamentos vão reverter esta situação e colocar o longa dentro de outro tom que exige uma técnica igualmente eficaz. A trilha sonora calma, porém, perturbadoramente maliciosa orquestra e faz uma ligação perfeita com o thriller que o longa irá adotar.

Aí, Terapia de Risco saí do contexto analítico para se tornar um mix de conspirações doentias. O que pode decepcionar o telespectador que esperava um frenesi parecido com Réquiem Para Um Sonho de Aronofsky. Nada disso, a película vai se aprofundando nas verdades por trás das motivações de uma pessoa que facilmente se passa como normal, enquanto encontra motivos inconscientes para destruir a vida de pessoas a sua volta, sem qualquer remorso e com um egoísmo fora do comum a fim de tentar consertar a sua própria. Expor esta linha de pensamento em junção à crítica a indústria farmacêutica, mostra o quão vulneráveis pessoas problemáticas (e inevitavelmente a sociedade) estão. Quando alguém toma um remédio, vê nele a cura, o que nem sempre acontece. Os efeitos colaterais são tão violentos que podem levar esta mesma pessoa a se tornar mais doente do que estava, sendo obrigada a tomar outros remédios para conter os efeitos negativos de um, da qual este novo também tem, precisando assim de outro e outro e assim sucessivamente. 

Para encarnar os protagonistas principais, a competente direção de atores conta com um ótimo Jude Law (com um sotaque adorável) vivendo o psiquiatra, uma surpreendente Rooney Mara, atriz que ascendeu em 2010 em A Rede Social e vem dominando todos os projetos que vêm participando e uma diabólica Catherine Zeta-Jones encarnada na Dr. Siebert.

Sem apelar para o exagero e mantendo a coerência durante todo seu tempo, Terapia de Risco se mostra com uma verossimilhança à nossa realidade cheia escândalos cada vez mais bizarros que a insana ideia do longa pode não ser tão louca assim.

Nota: 9/10

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