Procure uma crítica

25.5.13

Crítica: Porto Seguro

UM PORTO SEGURO
Safe Haven

EUA, 2013 - 115 minutos
Drama / Romance

Direção:
Lasse Hallström

Roteiro:
Leslie Bohem, Dana Stevens, Nicholas Sparks (romance)

Elenco:
Julianne Hough, Josh Duhamel, David Lyons, Mimi Kirkland, Noah Lomax, Cobie Smulders, Robin Mullins


As fãs de Nicholas Sparks batem o pé e juram de pés juntos que os livros do escritor galanteador não são todos iguais. Mas a pura realidade é que, além das obras possuírem capas descaradamente iguais, a frágil, porém, imbatível (comercialmente) estrutura se repete até não poder mais. Não é diferente aqui na adaptação de Um Porto Seguro.

Na previsível trama, uma jovem foge da cena de um crime que aparentemente cometeu e abriga-se em Southport, escondendo de todos seu passado. Tentando reconstruir sua vida, Katie logo conhecerá Alex, um viúvo com dois filhos da qual se apaixonará.

É com dificuldade que tento resumir a trama sem dar qualquer tipo de spoiler. Não que eles sejam, de fato, surpreendentes no longa que, de tão previsível, é possível entrever e encaixar todas as peças em menos de 5 minutos. Literalmente. Desconsiderando, é claro, que o público-alvo do filme sequer se importa com isso. Mas para manter o mínimo de integridade ou graça de Um Porto Seguro, prefiro me conter.

A película é, como dito anteriormente, montada sobre moldes da fábrica Sparks que, por sinal, faz muito dinheiro. Tanto, que o escritor abriu sua própria produtora para produzir as adaptações de seus próprios livros. Esperto, não? O mesmo não pode se dizer as desiludidas e melosas moças que leem suas obras e não parecem se enjoar de comprar o mesmo conteúdo, sobre nomes e situações diferentes. Às vezes, vírgulas mudam, e elas encaram com relevância tão notável ao ponto de enxergar uma reinvenção naquilo. Todo o contexto indigesto de tão clichê em pleno século XXI, não chega a ser tão ingrato quanto os livros de Stephenie Meyer, que definitivamente fazem questionar o Q.I e o bom senso humano de quem compra seus livros ou no caso das aberrações escritas por E.L James (da qual me recuso a denominar “livros”), que abandonam qualquer dignidade.

Dentro da mesmice, o diretor sueco Lasse Hallström nada faz para mudar o quadro. Pelo contrário, repete as mesmas besteiras de Querido John (outro livro de Spark que também foi dirigido por ele), como também mantém Josh Duhamel e Julianne Hough como bonecos de cera que, literalmente, seguem toda uma cartilha de expressões minuciosamente pensadas para tirar suspiro das mais desesperadas. Sem contar o exagerado trabalho de maquiagem que Hough é submetida. Em nenhum momento do longa, seja debaixo de chuva, dormindo, ou suada, sequer notamos qualquer olheira ou deformidade em uma pele tão impecável quanto falsa. Mostrando um desejo compulsivo das leitoras de Spark (e consequentemente de suas adaptações) em se adentrarem em um mundo longe da realidade. Tão frágil e mentiroso quanto a trama deste filme.


Nota: 3,5/10

Nenhum comentário:

Postar um comentário

(Comentários de baixo calão serão moderados e excluídos)