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26.5.13

Crítica: Os Sonhadores

OS SONHADORES
The dreamers

Itália/França/Reino Unido/EUA – 115 minutos
Drama

Diretor: 
Bernardo Bertolucci

Roteirista: 
Gilbert Adair

Elenco: 
Michael Pitt, Louis Garrel, Eva Green, Anna Chancellor e Robin Renucci

É difícil expressar o significado e o poder da arte dentro da vida, mas por sua definição ela tem como objetivo expressar, questionar, inspirar, refletir (entre outras coisas maravilhosas) a visão de um artista perante a um tema ou vários ao mesmo tempo, moldada sobre um meio (cinema, pintura, música...) fazendo arrancar de nós os mais complexos sentimentos e pensamentos. Dentro destes conceitos, posso dizer que Os Sonhadores de Bernardo Bertolucci é uma obra-prima junto de um conjunto de artes dificilmente vistas no cinema, com uma provocação tão polêmica quanto suas imagens.

O longa conta a história de Matthew, um jovem americano que vai fazer intercâmbio na França para aprender mais sobre a língua e fugir da Guerra do Vietnã. Apaixonado por cinema, ele sempre comparece as sessões de clássicos junto de um grupo denominado “Fanáticos por cinema” na cinemateca de Paris. Após a demissão do diretor e fundador do local, os estudantes criam protestos para reivindicar a causa. Em meio ao confronto com a polícia, o jovem conhece Isabelle (Eva Green) e Theo (Louis Garrel) dois irmãos que compartilham gostos muito semelhantes aos dele. Não demora muito para os três ficarem amigos e Matthew conhecer a intimidade dos irmãos, que vai muito além do companheirismo.

Para apreciar Os Sonhadores é necessária, assim como toda pura arte, muita mente aberta. As provocações do diretor italiano ultrapassam o ousado roteiro e penetram em uma fotografia sem qualquer pudor ou restrição, formada por ângulos nada convencionais. A mistura da provocação com a sensualidade beiram limites extremos. Juntos de uma clara homenagem ao cinema e toda forma de cultura possível. A cada suposição imaginativa do trio vem carregada de referências culturais. Sejam as conexões com clássicos filmes, da qual Bertolucci faz questão de incorporar na edição, acompanhada da trilha sonora formada por clássicos da época como The Doors, Bob Dylan e Jimi Hendrix. A ambientação do longa literalmente respira arte. Sejam nos inúmeros quadros e fotografias que decoram o imundo apartamento dos irmãos, cenário praticamente absoluto da película, ou pelo estilo de vida que a própria Paris levava (e de certa forma ainda leva até hoje).

O diretor italiano também aproveita para usar o roteiro para questionar e refletir em afiados diálogos, assuntos como a política (na qual a época ultrapassava praticamente uma revolução com os protestos da população em Maio de 1968), moral, estilo de vida e o existencialismo. O incesto vivido por Isabelle e Theo é formado por uma estranha e inocente conexão de dois indivíduos que parecem a divisão abstrata de uma alma em dois corpos, o que faz com o que o telespectador consiga enxergar aquilo de forma menos agressiva, principalmente nas cenas de intensa nudez. O convite para Matthew em conhecer todo aquele universo é restrito primeiramente para que Bertolucci consiga encaixar o público dentro de sua obra. Uma vez introduzido, o público, assim como o jovem, se envolve em mundo isolado de qualquer restrição ou interferência da sociedade. Dentro disso, o italiano não poupa Os Sonhadores de expor um estilo de vida instintivamente inconsequente, imprudente e incrivelmente inspirador. Mais que isso, perigosamente sedutor.

Ao fim, após tanto discutir com Theo sobre as atitudes que nós como cidadãos deveríamos tomar, ao invés de só falar, finalmente Matthew consegue extrair uma atitude do irmão de Isabelle. Muito diferente do que ele esperava. Mas quem pode culpar um homem de lutar pelo o que acha certo enquanto todos dizem que ele está errado?  Matthew então o deixa ir. Sob “Non, Je Ne Regrette Rien”  de Piaf, os créditos descem inversamente, colaborando para cada verso (e significado) da música. Dentro de tanto, a frase de Igor Stravinsky ecoa “Se tudo fosse permitido, eu me sentiria perdido num abismo de liberdade.”.


Nota: 9,5/10

Um comentário:

  1. A boa música. Novamente Bertolucci ocupa o padrão cinéfilo entre sexo e política. Os Sonhadores é uma história interessante e cativante amor diretamente ligada ao contexto político-cultural aconteceu na primavera de '68 tumultos na cidade de Paris, capturando perfeitamente cenários e ambientes. Uma fita sedutor, com um grande elenco sobre todos os atores de cinema Eva Green (Isabelle) e Louis Gardel (Theo), surpreso com a simplicidade e graça encarnado quando alguns personagens e complexo coloridas, como Michael Pitt, que, completando o trio, e ao abrigo de um apático, alucinado enquanto aparentemente atira trabalho com interpretação meticuloso, embora às vezes um pouco inútil. No geral, é um drama de amor cheio de ideais e descobertas que adora o cinema.

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