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27.5.13

Crítica: Napola - Antes da Queda

NAPOLA – ANTES DA QUEDA
Napola – Elite für den Führer

Alemanha, 2004 – 115 minutos
Drama/ Guerra/ Esporte

Direção:
Dennis Gansel

Roteiro:
Dennis Gansel, Maggie Peren

Elenco:
Max Riemelt, Tom Schilling, Jonas Jägermeyr, Martin Goeres


A maioria dos filmes que retratam a época do nazismo já começam com todos os elementos e detalhes que o mundo ficou sabendo a partir dos planos diabólicos de Hitler. Uma visão que normalmente explica a alienação feita pelo Terceiro Heich, mas não mostra além de palavras quais eram as visões que os cidadãos alemães tinham sobre o nazismo. Sendo assim, nada melhor que um alemão para fazer isso, aí entra Dennis Gansel e seu Napola – Antes da Queda.

A trama já começa no meio da guerra, 1942, com o jovem boxeador Friedrich Wiemer, filho de uma família simples e trabalhadora bem contrária às alienações de Hitler. Quando o jovem é visto por um dos superiores de uma das escolas de educação do ditador lutando em um ringue, ele é convidado a ir para Napola para receber os treinamentos oferecidos para os filhos da alta sociedade alemã. Vendo tudo como uma grande oportunidade de crescimento, Friedrich falsifica a assinatura do pai e embarca para a escola. Com o passar do tempo, o jovem vai descobrir as atrocidades e alienações do nazismo.

Tendo referências nos contos do avô que era um dos professores em uma das escolas de Hitler, Napola – Antes da Queda pode causar certo estranhamento aos desavisados pela visão dada por Gansel que, muito inteligente, constrói um roteiro consistente e observador de toda a ditadura sem, de fato, ser apelativo ou mostrar o que todos estão cansados de saber. O longa percorre entrelinhas, mas com muita profundidade as loucuras incentivadas pelas escolas do Führer. Mais do que isso, crava o roteiro na falta de expressão e a inocência de crianças submetidas a atrocidades e alienações perturbadoras a fim de seguir um conceito suicida e repugnante.

O diretor alemão também abre espaço para um relacionamento incomum entre Friedrich (Max Riemelt) e Albrecht (Tom Schilling). De um lado temos o boxeador de família humilde e de outro temos um jovem rico, de uma família muito poderosa, que ama escrever e não acredita nem um pouco na violência. A relação de Albrecht com seu pai que sequer leu um de seus textos ou poesias deixa bem claro, junto do discurso de um de seus professores, que estão em uma época em que as palavras de nada valem e que a nação precisa de ações. Assim as palavras do jovem ecoam entre as nevascas do rigoroso inverno alemão e só afeta quem deveria quando ele decide dizer o que realmente pensa. É entre a punição e as desgraças que a afeição entre os jovens começa aparecer.

Como todo bom diretor europeu, Gansel não tem pressa em narrar Napola – Antes da Queda e utiliza sabiamente de uma fotografia bela, atuações muito tocantes, uma ambientação convincente e uma trilha sonora delicada, as marcas que o nazismo vai deixando conforme penetra em mentes puras e vulneráveis seus horrores e, acima de tudo, a frieza com que eram tratados, pratica não exclusiva apenas aos não puros, como Hitler definia sua criação. Dentro de um show de monstruosidades, uma história de amor restrita é minuciosamente implantada e grandiosamente apreciada.

Nota: 8,5/10



4 comentários:

  1. filme maravilhoso , epoca linda , com muita disciplina na vida dos jovens

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  2. Não conhecia o filme, mesmo sendo se 2004. Uma das primeiras coisas que chamaram a atenção foi a fotografia. As atuações foram convincentes e o envolvimento entre os dois garotos protagonistas, apesar de singelo, foi tocante. Ótimo filme!

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  3. É sempre chocante ver um filme baseado em fatos reais, realmente bem feito. Um show.

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  4. Um filme lindo, que deixa um nó na garganta ao ver crianças e jovens submetidos aquelas atrocidades...

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