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30.5.13

Crítica: A Jovem Rainha Vitória

A JOVEM RAINHA VITÓRIA
Young Victoria

Inglaterra, EUA, 2009 - 105 minutos.
Romance

Direção:
Jean-Marc Vallée

Roteiro:
Julian Fellowes

Elenco:
Emily Blunt, Rupert Friend, Paul Bettany, Miranda Richardson, Jim Broadbent, Thomas Kretschmann, Mark Strong, Jesper Christensen, Harriet Walter, Jeanette Hain, Julian Glover

Muitas sonham ter o poder de ser rainha um dia, sem imaginar a força política e restritiva que a posição privilegiada tem. Os encantos de terem todos aos pés e ter seus pedidos atendidos por servos 24 horas por dia à disposição têm altos custos e sacrifícios. Para desmistificar a posição ao público feminino, o canadense Jean-Marc Vallée constrói um retrato do reinado da Rainha Vitória em moldes reais do fantasioso filme com Anne Hathaway, O Diário da Princesa, sem apelar para um drama exagerado demais.

A história começa retratar desde a infância de Vitória, que sofria com as rigorosas regras da mãe e de seu conselheiro Sir. Conroy (Mark Strong). Quando seu tio, o rei Guilherme IV morre, começa uma manipulação para que a garota assine a regência, alegando incapacidade de reinar por seu jovem demais. Decidida, a garota se recusa e logo se torna rainha, tendo que arcar com suas obrigações sem a certeza de que está preparada. Para aproveitar da inexperiência da garota, o rei Leopoldo (Thomas Krestchmann) envia seu sobrinho Alberto (Rupert Friend) para seduzir Vitória e influenciar em suas decisões. O plano sai pela culatra quando os dois começam viver um romance de verdade.

Apesar de ter feito muito em seu reinado, o maior de uma rainha inglesa até hoje, as questões políticas ficam em segundo plano aqui. O roteiro simples é construído de forma que o tema serve como uma base construtiva da personalidade da protagonista e não como lição de história. Dentro das paranoias de sua obsessiva mãe, Vitória passou uma infância repleta de restrições anormais até mesmo para a época. Com medo de que a garota fosse vítima da ambição de alguém em roubar seu lugar de direito, a garota tinha que descer as escadas acompanhada e segurando a mão de sua serva, toda a comida que queria era experimentada por um empregado para ter certeza que não estava envenenada e nunca, jamais, deixava os portões do palácio. E isso se estendeu até a maior idade. Toda essa superproteção acabou deixando a jovem inexperiente e inocente sobre as decisões que deveria tomar futuramente. Em uma época que a burocracia reinava e a falsidade era praticamente um pré-requisito para as pessoas que cercavam os reis e rainhas, Vitória se via em um mar de solidão, cercada pela incerteza de suas próprias decisões.

Com um roteiro modesto, as técnicas de Vallée elevam A Jovem Rainha Vitória. A começar pela fotografia que carrega uma belíssima iluminação e interessantes ângulos, entretanto, é a direção de arte que rouba o fôlego. Um impressionante e maravilhoso trabalho de ambientação é feito, com detalhes ricamente expostos, encantando pelo bom gosto e precisamente capturados. Não parando por aí, o figurino espanta bela perfeição do design e acabamento. A qualidade fica evidente a cada cena e aparenta não ter sido economizado um centavo sequer para que isso ficasse evidente. A trilha sonora composta por Ilan Eshkeri é bonita e muito delicada, servindo perfeitamente ao propósito do longa.

A ideia de apresentar a película como um romance e não uma biografia política ao todo, é um tanto quanto inusitada, porém, compreensível. A maioria dos casamentos, se não todos eles, eram previamente arranjados nessas posições devido a inúmeros interesses entre as famílias, com intenções de aumentarem seus poderes. Até onde se sabe, o único casamento a quebrar esta regra foi o de Vitória, onde a jovem realmente se casou por amor.

Outro acerto do diretor canadense fica na direção de atores e escolha de elenco. Emily Blunt parece encantar naturalmente e será fácil sua conexão com o público feminino, assim como Rupert Friend como Albert. Todo o elenco secundário composto por Paul Bettany, Miranda Richardson, Jim Broadbent e Mark Strong tem ótimas presenças de cenas e colaboram muito para a fluidez do filme.

Mostrando que a vida de rainha não é a aparentada em longas como O Diário da Princesa, A Jovem Rainha Vitória conta com a herança europeia de possuir toda a calma do mundo para contar suas histórias, que neste caso, conta com um ótimo elenco, excelente técnica e um roteiro que, pela simplicidade, peca em não explorar mais do que o amor de uma rainha que teve inúmeros feitos. Mas mesmo assim, um romance verdadeiro que entrou para a história.


Nota: 7,5/10

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