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4.5.13

Crítica: Em Transe


EM TRANSE
Trance

Reino Unido, 2013 - 101 minutos.
Suspense/ Thriller

Direção:
Danny Boyle

Roteiro:
Joe Ahearme, John Hodge

Elenco:
James McAvoy, Vincent Cassel, Rosario Dawson, Matt Cross, Wahab Sheikh, Danny Sapani, Tuppence Middleton

Apesar de achar Danny Boyle um ótimo diretor, confesso que de alguma forma o considero superestimado. Embora possua um estilo próprio de narrativa e de entregar ótimos filmes, boa parte deles apresentam defeitos e não se completam totalmente por motivos diversos. Não é diferente em “Em Transe”. Com um roteiro demasiadamente confuso, Boyle tenta ganhar o telespectador da forma mais rasteira e previsível dentro deste gênero: reviravoltas.

Na trama, acompanhamos um assaltante (James McAvoy) de obras de arte que dá um golpe errado. Quando ele leva uma pancada na cabeça e acorda com amnésia, começa a ser pressionado por sua própria quadrilha, que contrata uma hipnotizadora para descobrir aonde foram parar as obras de arte que ele escondeu.

O roteiro pode aparentar mais inovador do que ele realmente é para o público menos avisado. Com toques de “Amnésia” e “A Origem” de Christopher Nolan, o texto também busca levemente um frenesi de “Clube da Luta” de David Fincher. Mesmo não sendo totalmente novo, o diretor inglês personaliza tudo ao seu estilo próprio. Acompanhado dos excelentes Vincent Cassel, James McAvoy, e uma competente Rosario Dawson assim como um bom elenco de apoio, o diretor de Quem Quer Ser um Milionário constrói uma trama inteligente e muito envolvente ao público. Assim como no recente “Dentro da Casa”, Boyle emerge o telespectador de forma que mal consegue se distinguir a realidade da ficção e conduz quem assiste a entrar em um divertido e surreal jogo de adivinhações para tentar entender o que realmente aconteceu. Mérito ao excelente trabalho de fotografia e edição.

Os problemas entram a partir do terceiro ato do longa. Na tentativa de parecer complexo e inovador, Em Transe vai modificando seu desfecho a cada nova informação para gerar uma sensação de surpresa na mente do telespectador. Com várias reviravoltas, a confusão é iminente à cabeça de quem assiste. Mais do que isso, destrói o primeiro e segundo ato, apresentando furos na real motivação de um dos personagens principais (para não gerar spoilers), ignorando também a falta de necessidade das situações extremas chegadas, alimentadas por uma vingança direcionada apenas a um personagem, onde outros são eliminados de forma impulsiva.

Diferentemente dos filmes citados anteriormente, o filme de Danny Boyle cria um impasse em querer ser mais complexo do que realmente é. Neste jogo divertido, nada se torna no fim memorável. Pelo contrário, ao fim da projeção, é uma questão de minutos para se esquecer de tudo o que foi visto durante os 101 minutos. E nesta indesejada despretensão, a força de “Em Transe” vai embora e a superestimação do diretor aumenta.

Nota: 7/10

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