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7.5.13

Crítica: Camille Claudel, 1915


CAMILLE CLAUDEL, 1915

França, 2013 – 95 minutos.
Biografia/ Drama

Direção:
Bruno Dumont

Roteiro: 
Bruno Dumont

Elenco: 
Juliette Binoche, Jean-Luc Vincent, Emmanuel Kauffman, Marion Keller

A escultora francesa tem sua trajetória de vida moldada superficialmente à de Edith Piaf. Ambas extremamente talentosas, cuja vida pessoal absurdamente turbulenta, foi suficiente para desestabilizá-las. Apesar de tudo, as francesas se mantinham em um porto seguro: os amores de suas vidas. Quando Marcel morreu em um acidente de avião, a vida de Piaf foi abaixo, aliada ao seu estilo de vida exagerado. O mesmo acontece com Claudel que, rejeitada por seu amor, emerge dentro de suas próprias paranoias e loucuras. E é exatamente aqui que começa Camille Claudel, 1915.

Após seu surto total, a escultora é levada para o manicômio Ville-Evrard. Quando a 1ª Guerra Mundial explode, Camille é transferida para Villeneuve-lès-Avignon até o fim de sua vida. O longa é  baseado nas cartas entre a escultora e seu irmão Paul, junto de seus registros médicos.

A abordagem de Bruno Dumont é desestereotipar a loucura de Claudel. Embora tivesse um gênio difícil, portadora de esquizofrenia, assim como suas crises de surto, o que mais vemos é a escultora francesa tentando entender como realmente chegou aquele lugar, assim como a falta de notícias de sua família e falta de interesse de seus chegados em ajuda-la a sair daquele terrível lugar. Em um local de difícil acesso e distante das cidades, a grande maioria dos internados possuem graves doenças mentais mostrando extrema instabilidade emocional, até mesmo física, e a dificuldade de Camille de se adaptar a um lugar socialmente infernal, infinitamente solitária e envolvida em seus campos de distorção da realidade.

Para atingir com sucesso seus propósitos, o diretor francês retira do longa qualquer trilha sonora. Utiliza maravilhosamente dos sons emitidos do ambiente para mostrar o quão enlouquecida Camille se sente. A fotografia lindamente opaca é dona de planos longos e em sua grande maioria feitos à mão. Muito ajuda a precisa edição. Porém, quem carrega o longa é Juliette Binoche. A atriz sabe incorporar a escultora magnificamente bem, sem exageros, e comove o telespectador com sua imensa (e aparente) dor diante a situação que se encontra, assim como também é obrigada a estagnar seu talento. Delicada, Binoche expõe sensivelmente a fragilidade de Camille, seu intenso tédio e a depressão de passar décadas trancafiada e desperdiçando seu dom.

 Sábio, Dumont responde tão silenciosamente ao público quanto a pergunta do médico ao irmão de Claudel, se realmente a internação após anos e sinais visíveis de melhora eram realmente necessárias. O silêncio do irmão permanece, assim como o talento da escultora que morreu sendo obrigada a negar ao mundo seu dom.

Nota: 8/10

Um comentário:

  1. Esse filme gerou um sentimento estranho em mim. Ao mesmo tempo que fiquei entediado em alguns momentos, fiquei maravilhado pela atuação da Juliette Binoche...

    Acredito que se eles tivessem contado a história começando EXATAMENTE na morte do Rodin teria sido mais interessante.

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