Procure uma crítica

31.5.13

Crítica: Além da Escuridão - Star Trek

ALÉM DA ESCURIDÃO – STAR TREK
Star Trek Into Darkness

Estados Unidos, 2013 – 132 minutos
Ação/ Ficção Científica

Direção:
J.J Abrams

Roteiro:
Roberto Orci, Alex Kurtzman, Damon Lindelof

Elenco: 
Chris Pine, Zachary Quinto, Zoe Saldana, Karl Urban, Simon Pegg, John Cho, Benedict Cumberbatch

O recomeço de Star Trek nos cinemas tem praticamente os mesmos motivos que o da franquia 007: ambos atingiam um público de maior idade e fadados à canseira, precisavam de uma remodelagem que agradasse um público maior, se adaptasse ao mercado de hoje e conseguisse manter os fãs dos originais dentro desta jornada. Apesar de extremamente bem sucedidos, os longas do espião britânico tiveram inspirações notórias em uma década tomada por terrorismo, conspirações e ameaças globais. Sendo assim, o trabalho de J.J Abrams no primeiro reboot de Star Trek era exemplar e muito empolgante, apesar de ter sacrificado um bom vilão para desenvolver e “apresentar” os iconográficos personagens ao novo público. Agora em Além da Escuridão – Star Trek (título irritamente mal formulado para o Brasil), o criador de Lost se redime e constrói um vilão tão divertido e ameaçador em uma versão oposta, mas igualmente poderosa ao Coringa, de Christopher Nolan. E podem dar todos os créditos a Benedict Cumberbatch.

Após uma missão em que expõe indevidamente a Enterprise para salvar Spock, Kirk perde a posição de capitão e consequentemente sua nave. Após um atentado em uma base da organização em Londres, os comandantes e superiores da Frota Estrelar descobrem que o ato vem de alguém de dentro, que logo identificado pelo nome de John Harrison, uma criatura altamente violenta disposta a se vingar a qualquer custo, colocando letalmente toda a tripulação de Kirk que é reorganizada em uma nova missão que tem como objetivo eliminar o sujeito.

Assim como no filme anterior, as menções a outros filmes antigos da franquia são feitos, entretanto, como se especulava, uma inspiração maior (mas não remake) vem de “A Ira de Khan”. E a essa altura, não seria mais novidade para ninguém que J.J Abrams colocaria Cumberbatch para viver um dos maiores vilões da franquia. Diferentemente de Nero (vivido por Eric Bana), cuja motivação e história não eram das mais atraentes, a remodulação de Khan feita pelo diretor impressiona. A comparação com a criatura doentia vivida por Heath Ledger em Batman: O Cavaleiro das Trevas é feita pela maneira manipuladora e incorruptível que ambos os personagens se motivam. Apesar das motivações se dividirem em extremos opostos, a forma indestrutível e inabalável com a qual eles são construídos os colocam próximos de certa maneira. E do mesmo jeito que Ledger foi fundamental para a encanação do palhaço, o protagonista da série Sherlock Holmes modula maravilhosamente esta criatura complexa. Difícil não perceber a veracidade da performance do ator britânico perante ao resto do elenco que continua muito competente. Novamente lembramos da película de Nolan, quando Ledger tomou o lugar de Bale, mesmo sendo o antagonista. Mas aqui, Abrams se contem e apesar de ter excelentes aparições e um ótimo tempo em tela, a permanência do Coringa era bem mais predominante.

As competências de J.J vão muito além de Khan, entregando tudo o que se espera de uma continuação de um blockbuster deste nível. Os roteiristas construíram uma história amplamente superior à primeira, envolvendo uma ameaça muito maior, mas sem cair no maior erro de Hollywood que é esquecer-se de desenvolver a história (que aqui é ótima, interessante e envolvente), colocando os personagens em segundo plano para abrir intermináveis sequências de efeitos especiais. Não que Além da Escuridão – Star Trek negue um segundo sequer de momentos eletrizantes de efeitos especiais (maravilhosamente bem construídos), mas realmente há uma motivação para as intensas sequências de ação. Não são meras desculpas para encher as telas.

No quesito técnico, Abrams finalmente conseguiu encontrar um equilíbrio entre “marca registrada” e objetividade que seus flares trazem. A fotografia possui inúmeros deles durante toda a projeção, mas com muito mais foco que Super 8, por exemplo, que chegava a irritar tamanha quantidade clarões e borrões durante o filme. O diretor de Missão Impossível 3 também não decepciona na sua primeira utilização do 3-D. Com uma fotografia impecavelmente construída, a tecnologia se beneficia da super exposição e de uma profundidade ainda difícil de se encontrar em um formato cada vez mais utilizado em longas deste porte. Com certeza, a experiência é ampliada positivamente e só induz ainda mais a imaginação do telespectador com o todo.

Com um humor mais contido (realmente necessário) que o anterior, mantendo todos os acertos (a trilha sonora de Giacchino continua esplendida) e consertando os erros do primeiro, Além da Escuridão – Star Trek rompe a maldição das continuações hollywoodianas e entra para uma pequena lista onde o segundo capitulo é superior ao primeiro. E prepare-se, a nova jornada do Capitão Kirk está de tirar o fôlego!

Nota: 10/10


Nenhum comentário:

Postar um comentário

(Comentários de baixo calão serão moderados e excluídos)