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8.5.13

Crítica: Adeus, Minha Rainha


ADEUS, MINHA RAINHA
Les adieux à la reine

França, 2012 – 100 minutos.
História/Drama

Direção:
Benoît Jacquot

Roteiro:
Benoît Jacquot, Gilles Taurand, Chantal Thomas    
                        
Elenco:
Léa Seydoux, Diane Kruger, Virginie Ledoyen, Noémie Lvovsky, Xavier Beauvois

Maria Antonieta viveu uma curta e conturbada vida. Odiada pelos franceses por seu casamento arranjado com Luís XVI a fim de consolidar laços entre dois inimigos históricos e influenciar as decisões do rei a favor da Áustria. Não bastasse isso, em meio à crise financeira, Antonieta gastava rios de dinheiro com seu estilo de vida luxuoso e altamente abundante. A fervorosa rainha também era acusada por alguns estudiosos a ter influencia direta na decisão da Revolução Francesa. E é dentro deste período determinante para o país que Benoît Jacquot inicia Adeus, Minha Rainha. Embora muitos dizerem que Antonieta fez tudo por merecer seu destino, o diretor francês mostra como ela foi vitima de suas próprias manias e condenada a ter sua vida manipulada em um jogo de interesses.

A trama apresenta a pacata Versalhes vivendo uma vida muito diferente da conturbada Paris. Entre extravagâncias, festas e luxo, a cidade se distancia da realidade que a França se encontra. Quando é anunciada a tomada de Bastilha, nobres e servos se apavoram para deixar a cidade, principalmente após correr uma lista com mais de 200 nomes que os revolucionários apontam que devem morrer. Diante a situação, o rei prepara-se para deixar Versalhes, logo após iria Maria Antonieta. Porém, a rainha está mais preocupada em salvar a duquesa Gabrielle de Polignac, a qual nutra uma afeição maior que amizade, nem que para isso ela seja obrigada a usar sua maior arma: a sedução.

Para fugir das abordagens já criadas da personagem e para conseguir atingir o telespectador de outra maneira, Jacquot utiliza a leitora de Antonieta, Sidonie Laborde (vivida por Léa Seydoux) para fazer a transição entre a vida da rainha e a do resto dos empregados. Invejada pela preferência de Maria em relação aos outros empregados, Laborde é obrigada a fingir ódio a sua senhora enquanto nutre um amor platônico por ela. É através dela que vemos as extravagâncias de Antonieta, suas crises histéricas, assim como sua passividade dentro de uma vida moldada pela manipulação.

Para viver a personagem, o diretor francês escala a excelente Diane Kruger, que executa um ótimo trabalho. Sua interação com Seydoux é empolgante e muito ajuda o elenco secundário competente.  A direção de arte capta com beleza e precisão a ambientação, os luxuosos figurinos e maquiagens, fotografados em uma palheta de cores vivas e intensas. A trilha sonora esperta, orquestra muito bem as mudanças de tom que o longa vai atravessando ao longo de seus 100 minutos.

O que Adeus, Minha Rainha mostra de fato, são as atitudes que Antonieta é obrigada a tomar, em prol das manipulações. Seu contido romance com Polignac é mais do que especulações entre os subordinados. Tornam-se visíveis quando a situação em Versalhes aperta. Benoît mostra as insatisfações da geniosa rainha em nutrição ao seu estilo de vida. Estilo que levou muito mais que um dinheiro que a França não tinha: sua vida. Apesar de manter uma relação respeitosa com o rei, da qual possuía dois filhos com ele, é claramente perceptível o quão distantes eles eram. Há uma cena em que Antonieta questiona Luís XVI se era a primeira vez que ele entrara em seu quarto e o mesmo responde que sim. Dentro de suas insatisfações, a inocente Sidonie não compreende realmente o que sua madame sente por ela. Ora são melhores amigas, outra Maria nem olha em sua cara e faz questão de abusar das formalidades da época. Porém, para salvar sua amada, L'Autre-chienne (como era chamada pelos franceses) mostrará que neste mundo de egos e poder, sobrevivem os mais fortes, nem que para isso ela precise sacrificar a sua mais leal serva.

Adeus, Minha Rainha perde um pouco de impacto no final por não fechar completamente sua história, que se preocupa em explicar-se ao telespectador antes do longa começar, e fica vago ao final da projeção, deixando apenas os mais conhecidos de história saber o fim que levou a iconográfica rainha.

Nota: 8/10

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