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14.4.13

Crítiica: Oblivion

OBLIVION

EUA, 2013 - 126 minutos.
Ficção científica

Direção: 
Joseph Kosinski

Roteiro: 
Joseph Kosinski, Karl Gajdusek, Michael Arndt

Elenco: 
Tom Cruise, Morgan Freeman, Olga Kurylenko, Andrea Riseborough, Nikolaj Coster-Waldau, Melissa Leo



Há três anos, quando Tron – O Legado estreou, criou-se certa expectativa sobre a estreia também do arquiteto Joseph Kosinski na direção de seu primeiro longa. O universo deslumbrante e empolgante criado por ele mostrava-se inovador também pelo fato de todo o estiloso design composto ser, de fato, funcional. Infelizmente a complexidade visual não foi rebatida à altura pelo roteiro. Agora, em Oblivion, os erros são exatamente os mesmos. Até pior. Se considerarmos que, apesar do roteiro de Tron não ser perfeito e original, não dependia de sugar uma variedade de projetos.

A trama se passa em 2077. Jack Harper (Tom Cruise) é o responsável pela manutenção de equipamentos de segurança em um planeta Terra irreconhecível, visto que a superfície foi destruída devido a confrontos com uma raça alienígena. O que restou da humanidade vive hoje em uma colônia lunar. Jack irá para este local junto de sua namorada e assistente Victoria (Andrea Riseborough) em duas semanas, já que estão perto de terminar seus trabalhos na Terra. Só que, um dia, ele encontra destroços de uma nave que traz uma mulher dentro. Ao conhecê-la, tudo o que Jack sabe até então é posto em dúvida. É o início de uma jornada onde ele precisará descobrir o que realmente aconteceu no passado.

A sinopse já denuncia a falta de criatividade do roteiro. Tudo é irrelevante a princípio pelo trabalho espetacular de direção de arte de Kosinski que faz da ambientação de Oblivion, um universo rico e ímpar. Além da fotografia acertada dentro de uma palheta de cores dessaturada e opaca, o design arquitetônico dos lugares, naves, armamento e todos os outros elementos que completam a ambientação são de extremo bom gosto. A trilha sonora soma pontos neste quesito. Tom Cruise convence como o herói americano, apesar de se mostrar claramente limitado em suas expressões. Cumpre bem também seu papel Riseborough como Victoria, assim como Olga Kurylenko, Morgan Freeman e Nikolaj Coster-Waldau. E para por aqui.

Todo o esforço que o novato diretor tinha para construir Oblivion limita-se novamente em seu visual. O roteiro da película suga diversos pontos de inúmeros filmes do gênero e cria uma salada genérica. Começa-se pela animação Wall-E (Individuo, sozinho, tentando consertar a Terra), A Ilha (Os personagens vivem em uma realidade criada e manipulada, criando objetivos que jamais poderão ser alcançados), Lunar (O astronauta que vive sozinho, a espera do término de seu serviço para ir embora, quando acidentes ocorrem e o fazem questionar todo seu ambiente) e Controle Absoluto. Este último me recuso a citar para não criar spoilers do núcleo central da trama. Mas qualquer um que já viu os longas citados, sabe exatamente o que esperar e não esperar do longa de Joseph Kosinski. Apesar de citar vagamente os plágios do filme, o fiz de forma que mantenha alguma integridade em sua trama. Porque não há, literalmente, um elemento usado no roteiro que seja de caráter original. A cada minuto de Oblivion, a sensação que o telespectador mais antenado terá é de um grande “previously” de boa parte das ficções cientificas criadas nos últimos 10 anos, além de outras referências de clássicos. Uma pena.

Mesmo que tentemos excluir todo o plágio do roteiro, o mesmo é confuso, cheio de furos e com um final mais abstrato do que deveria. Enrosca-se em querer criar reviravoltas e de certa forma, não consegue criar um vinculo entre os personagens e o público, o que deixa ainda menos perceptível as verdadeiras intenções do diretor.

Por fim, assim como Tron – O Legado, o que resta ao telespectador é o espetáculo visual e o deslumbre de uma arquitetura invejável. Infelizmente para Kosinski, isso não é tão eficaz quanto o longa anterior, que pecava pela simplicidade.

Nota: 4,5/10

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