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20.4.13

Crítica: A Morte do Demônio


A MORTE DO DEMÔNIO 
Evil Dead

EUA, 2013 - 91 minutos.
Terror

Direção:
Fede Alvarez

Roteiro:
Fede Alvarez, Rodo Sayagues, Diablo Cody

Elenco:
Jane Levy, Lou Taylor Pucci, Shiloh Fernandez, Jessica Lucas, Elizabeth Blackmore, Jim McLarty, Lorenzo Lamas, Rupert Degas, Phoenix Connolly

Quando Sam Raimi dirigiu A Morte do Demônio em 1981, assim como Tarantino, ele consolidou um subgênero dentro de um gênero, onde ele próprio ditava (e dita) as regras. Com a chegada das continuações que passaram do horror trash para o terrir (terror com comédia), Raimi colocou sua quadrilogia como uma das mais cults da história do terror. E anunciar um remodelagem em um material tão adorado pode significar problemas.  Felizmente os produtores do original, junto do próprio diretor, adoraram a ideia do uruguaio Fede Alvarez em voltar à franquia, alterando seu tom. Diferentemente de O Segredo da Cabana, que faz uma (quase) sátira em sua homenagem ao gênero, Alvarez volta às origens, sabendo homenagear seu primogênito a seu modo, utilizando todas as ferramentas possíveis e fazer o telespectador lembrar-se da verdadeira essência do terror. E isso é ótimo.

Na trama, cinco jovens viajam para uma cabana no meio da floresta para ajudar uma de suas amigas a sair do seu envolvimento com as drogas. Não demora muito para um deles encontrar um porão com um livro de rituais satânicos, onde, sem querer, invocam um demônio que condena macabramente a vida de cada um deles.

Sem caminhar rigorosamente a trama do longa original, Alvarez sabe utilizar os principais contextos da franquia sem imitar tudo o que já foi feito. Semelhante ao que JJ. Abrams conseguiu fazer com sua releitura de Star Trek. O tom muda (bem mais sombrio), a motivação dos personagens também, porém, o contexto de tudo permanece intacto. Com tudo bem estabelecido e com atores bem dispostos, A Morte do Demônio começa a sua divertida viagem para resgatar as origens de um gênero mais que saturado. O diretor uruguaio consegue apresentar os elementos clichês, mostrar ao público que a partir daquele momento algo acontecerá e ainda sim, assustar o telespectador. É como se alguém dissesse que vai te dar um susto e ainda sim, você se assustar. Consegue te pregar a mesma peça durante 91 minutos sem fazê-la perder a graça. Para isso, a sua direção de arte junto do roteiro, inspiradíssimos, utiliza das formas mais repugnantes, nojentas, sanguinolentas, bizarras e macabras para amedrontar e divertir o telespectador. Claro que a película não se leva a sério de verdade, apenas não caminha pelo trash tão grosseiramente quanto o de 1981.

Tantos ótimos elementos entram em sintonia com a deliciosa trilha sonora que não permite que quem assista (o filme) tenha um segundo de paz. É interessante ver o controle de Alvarez durante cada absurdo apresentado em tela. Assim como em um túnel de terror de parque de diversões, Fede sabe desenvolver o longa de forma que, conforme avança, um nova surpresa ainda mais macabra se apresentará. Por fim, depois de tantos sustos, a diversão foi garantida e você se lembra rindo do medo que passou. O resgate do terror/horror mais puro e ingênuo que existe.

O único problema deste gênero é, por razões obvias, não estabelecer uma pressão psicológica com público. Simplesmente não existe, apesar da diversão, algo que realmente perturbe. Tudo se resume a parte física da coisa, sem, de fato, entrar na mente de quem assiste. Então o slogan “O Filme Mais Apavorante Que Você Verá Nesta Vida” pode ser considerado, talvez, uma propaganda enganosa. Mas não se engane, A Morte do Demônio é diversão garantida e uma homenagem felicíssima ao original. O melhor túnel do terror desde [REC].

Nota: 8,7/10

[PS: Fique até o final da exibição. Existe uma cena pós-crédito.] 

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