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14.4.13

Crítica: Mama


MAMA

Espanha / Canadá, 2013 - 100 minutos
Terror

Direção:
Andrés Muschietti

Roteiro:
Neil Cross, Andrés Muschietti, Barbara Muschietti

Elenco:
Jessica Chastain, Nikolaj Coster-Waldau, Megan Charpentier, Isabelle Nélisse, Javier Botet, Daniel Kash



O curta Mama parecia intrigante e interessante o suficiente para obter certa repercussão e, na ideia de transformá-lo em longa, atrair o cineasta Guillermo Del Toro para o financiamento do filme. Mas a sensação que temos ao final da película é bem clara: nem tudo precisa de respostas. Neste caso, as respostas ao intrigante curta vêm inspiradas entre os clichês do gênero ou o apoio de outras obras, como O Labirinto do Fauno.

Na trama, um executivo perde a cabeça e comete uma chacina, matando colegas do trabalho e sua esposa. Para não ser preso, ele foge com Victoria e Lilly, suas duas filhas pequenas. Irritado com o questionamento das garotas, o homem perde o controle do carro e cai em uma ribanceira. Desnorteado, o executivo decide se esconder com as garotas em uma cabana abandonada no meio de uma floresta. Arrependido das atrocidades que cometeu, ele decide se matar, deixando as garotas sozinhas naquele lugar. Apenas cinco anos depois, as garotas são encontradas acidentalmente em condições desumanas. Quando questionadas sobre sua sobrevivência, uma das garotas diz terem sido cuidadas por Mama. Indo morar com seu tio Lucas (Nikolaj Coster-Waldau) e sua namorada Annabel (Jessica Chastain), coisas misteriosas começam a acontecer. Quando Lucas sofre um acidente, a namorada de personalidade individualista e forte é obrigada a encarar a situação sozinha e descobrir que não está sozinha com as garotas na casa.

A principio, o roteiro de Muschietti mostra força e instiga Mama. A criatura definitivamente é assombrosa. O jeito animalesco das garotas após cinco anos perdidas em uma floresta, de fato, convencem o telespectador da bizarrice de terem sido cuidadas por um fantasma. A ideia de fazer da película uma fabula que se tornou um conto de horror, é divertida (apesar de já ter sido apresentada no tenebroso “A Dama na água" e no lindíssimo “O Labirinto do Fauno). Sendo assim, forçar a maternidade em uma mulher longe destes instintos, é uma ideia interessante, principalmente se considerarmos o desfecho da história. O problema de Mama começa quando o estreante diretor limita-se a explicar e ampliar seu curta sem acrescenta-lo algo que realmente fuja dos clichês do gênero, aproveitando boa parte dos 100 minutos para tentar amedrontar o telespectador com bobagens manjadas.

Acredite, isso não falta. Temos os truques baratos de câmera, o som explosivo e alarmante para o (falso) elemento surpresa, o efeito “instagram” que predomina nos flashbacks do passado da alma penada. Isso tudo aliado a um roteiro que suga também o terror asiático com suas clássicas historias de fantasmas atormentados e isso fica evidente a cada passo do desfecho. As verdadeiras surpresas da película ficam com o relacionamento (medonho) das garotas com a criatura do título. Porém, ao expor as verdadeiras motivações de Mama, outro filme vem à mente e todo o esforço parece perdido: o recente A Mulher de Preto.

Com uma premissa intrigante, Mama falha em dar vida a um curta sem, impreterivelmente, ter um conteúdo apropriado a premissa que criou. Vagando entre historias e elementos já utilizados em demasia, tudo não torna-se frágil demais pela competência de seu elenco e bons momentos que mescla entre o original e o clichê. Porque se tudo dependesse de seu diretor, Mama despencaria ao fiasco.

Nota: 6/10

2 comentários:

  1. Na verdade o pai das crianças não se mata, assim como Lucas não sofre um acidente pelo espectro em que ambas situações são obras da Mama. Quanto ao fiasco é questão de opinião.

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  2. Olá anônimo. Os fatos que você citou são verdadeiros. Porém, em uma crítica, a intenção não é revelar na sinopse os acontecimentos que alterem o impacto do telespectador e sim expor a história de forma que o público entenda o que o longa aborda. Omiti estes dois fatos exatamente por isso. Espero que entenda. Abraço.

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