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7.4.13

Crítica: G.I Joe: Retaliação

G.I JOE: RETALIAÇÃO
G.I. Joe: Retaliation 

EUA , 2013 - 110 minutos.
Ação

Direção: 
Jon M. Chu

Roteiro: 
Rhett Reese, Paul Wernick

Elenco: 
Channing Tatum, Bruce Willis, Dwayne Johnson, Adrianne Palicki, CJ Cotrona, Ray Stevenson, Joseph Mazzello, Ray Park, Walton Goggins, RZA, Arnold Vosloo, Elodie Yung, Byung-hun Lee, Jonathan Pryce, Faran Tahir

Foi uma diferença nada convencional de 4 anos entre um filme e outro. O orçamento caiu de 185 milhões para 130. O elenco da continuação foi praticamente remodulado por completo. Essas entre outras decisões foram as saídas encontradas pelos executivos para não fazer de G.I Joe: Retaliação o fracasso comercial que foi o primeiro. Sim, comercial. Não espere que nenhuma decisão tomada neste filme teve maior comprometimento que o financeiro. O longa foi adiado em quase 10 meses. Surgiram os temerosos boatos que a película passava por refilmagens, além da conversão digital para o 3-D. Ambas as decisões, após o fechamento da pós-produção, podem significar catástrofe.  Ainda mais se considerarmos que os boatos da refilmagem vieram após uma pesquisa que mostrou que todos os filmes que Channing Tatum estreou no último ano se tornaram ótimas bilheterias e a ideia primaria dos produtores era cortar praticamente todo o elenco original, incluindo Tatum. A ideia de reabrir o filme e incluir o ator logo se apresentou bizarra, mas vindo de executivos decididos a ganhar dinheiro a todo custo, esta poderia ser uma possibilidade incrivelmente absurda, que se tornaria real. O resultado do filme é, surpreendentemente, superior ao primeiro que era uma babaquice sem fim. Se os boatos da inclusão de Tatum eram verdadeiros ou não, não podemos afirmar, pois não há qualquer corte durante a projeção que indique tal feito. Mas a decisão normalmente errônea do estúdio em reeditar um filme já fechado, parece ter surtido feito positivo em G.I Joe: Retaliação.

Na rasa trama, os Joes estão em uma missão para o resgate de armamento nuclear quando são violentamente atacados pelas forças de defesas americanas a pedido de Zartan que se passa pelo presidente do país. Desolados, os sobreviventes Roadblock (Dwayne Johnson), Jaye (Adrianne Palicki) e Flint (D.J. Cotrona) vão atrás de ajuda para entender quem está por trás da conspiração. Enquanto isso, Storm Shadow tenta se infiltrar em uma base secreta na Alemanha a fim de libertar Cobra e prosseguirem com o plano de dominar o mundo.

Com a eliminação de praticamente todo o elenco original, o longa também altera seu tom. Deixa-se de lado o apelativo e irritante humor de “A Origem de Cobra”, e constrói-se algo mais sério, sem (tantos) exageros da película anterior que era um (irritante e chato) show de stand-up de Marlon Wayans. Foi retirada também a quantidade exagerada de parafernálias tecnológicas incríveis para se criar um filme mais “pé no chão” e, de certa forma, mais fiel à proposta dos brinquedos baseados. Aqui também saiu Stephen Sommers, (do péssimo Van Helsing – O Caçador de Vampiros e o bobinho A Múmia) e entrou Jon. M Chu (Justin Bieber – Nunca Diga Nunca, Ela Dança, Eu Danço 2) para comandar, na teoria, esta continuação. Na teoria porque, desde o princípio, G.I Joe é um projeto ordenado por seus executivos e a falta de um pulso criativo que “Retaliação” precisava fica gritante a todo instante. Ao menos, todos tiveram o bom senso de não deixar o filme mais insuportável que seu anterior.

Dentro da formula já montada, pouco o diretor tem a acrescentar. Aprimora (com muito menos dinheiro) os efeitos do longa em relação ao anterior, aproveita-se muito bem do carisma de Dwayne Johnson e Bruce Willis para segurar todo o mediano e quase inexpressivo elenco. Apesar do filme contar com personagens interessantes, pouco disso é explorado organicamente no roteiro, abrindo espaço, é claro, para seus visuais. Dentro disso, M. Chu evolui o que já havia sido criado e não deixa a desejar. Mostra um domínio mais inteligente nas sequências de ação que Sommers, mas nada que, de fato, venha a entusiasmar. Com exceção as divertidas sequências entre Storm Shadow e Snake Eyes e a absurda sequência nas montanhas de gelo (que lembram o Tibet e talvez seja). Com uma frequência positiva quase nula, é de parabenizar o trabalho feito no 3-D convertido. Mesmo não possuindo a tridimensionalidade que as câmeras que captam no formato têm, a conversão é feliz e sabe explorar profundidade e aproximação com precisão. Tudo flui dentro de diálogos e situações muito mais divertidas que o anterior.

A verdade é que não dá pra esperar muito de um filme como G.I Joe: Retaliação, a não ser honestidade. Melhor que o primeiro (também não havia como ficar pior), o projeto de aproveita exclusivamente de uma oportunidade de mercado, a emergente indústria de brinquedos que anda tomando Hollywood. Não há nada aqui que marcará a vida de ninguém, mas, pelo menos, não o fará querer arrancar os olhos durante a projeção. Entretenimento descartável.

Nota: 6/10

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