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6.4.13

Crítica: Direito de Amar


DIREITO DE AMAR
A Single Man

EUA, 2009 - 101 minutos.
Drama

Direção:
Tom Ford

Roteiro:
Tom Ford, Christopher Isherwood, David Scearce

Elenco:
Colin Firth, Julianne Moore, Nicholas Hoult, Matthew Goode, Jon Kortajarena, Paulette Lamori, Ryan Simpkins, Ginnifer Goodwin

 * Indicado ao Oscar 2010

Raro ver um artista se dar bem longe de sua zona de conforto. Aqui, o estilista Tom Ford deixa as tesouras de lado para embarcar em seu primeiro trabalho como diretor. Excepcionalmente belo e emocionante, Direito de Amar mostra as máscaras que criamos dentro de um mundo vívido de aparências.

A trama, baseada no livro homônimo de Christopher Isherwood, acompanha George, um professor dilacerado pela recente morte de seu parceiro de longa data em um trágico acidente, que não vê mais razão em viver.  Planejando o suicídio, o professor passa o dia executando deveres para deixar tudo o mais perfeito possível após sua morte. Porém, dentro destes processos, alguns momentos mostrarão que talvez a vida ainda possa valer a pena.

O estreante diretor e Colin Firth conseguem expressar em George o verdadeiro sentido da palavra dor. Em uma fotografia absolutamente impecável, uma trilha sonora lindíssima, e uma atuação inspiradora, o personagem é explorado de forma complexa e belamente composto. O elenco secundário não fica por baixo: Julianne Moore, Nicholas Hoult e Matthew Goode dão o suporte mais que necessário para a construção do protagonista.

Apesar de se esperar uma estética estilosa e bela, é surpreendente como a direção de arte orquestrada majestosamente por Tom Ford é eficaz. Interrompe a palheta opaca de cores da fotografia para uma película lindamente vívida quando George se sente vivo e conectado a de alguma forma a outro ser humano e não em sua infinita solidão. Utiliza de closes e tomadas captadas com extrema precisão para tornar tangíveis os sentimentos expressos e flagrados pelo professor. É como se conseguíssemos sentir literalmente o universo a volta de George. Além do, claro, impecável figurino e ambientação. Muito mais que extremo bom gosto, as escolhas do diretor texano são extremamente relevantes para a sua mensagem.

O incansável perfeccionismo do protagonista o lembra do personagem que ele próprio deve aparecer dentro de uma sociedade sessentista preconceituosa. Ao lado, encontra-se sua amiga Charley (Moore em uma beleza descomunal) sempre perfeitamente maquiada e bem vestida, onde se esconde em um rio de infelicidades, onde a idade a faz relembrar do passado com glória e temer a solidão do futuro.

Diante a uma guerra, todos parecem preocupados com a aparência. Não há uma criatura sequer no longa que não esteja esteticamente invejável.  Tamanha beleza externa demonstra instabilidade nas emoções devida à superficialidade humana ou no melhor dos casos, a passividade de um mundo tomado por alienações e excessos. A esta altura Ford questiona: De que importa a beleza externa se, por dentro, não há nada a acrescentar? Em certo momento, Kenny (Hoult) é questionado por George sobre o relacionamento do garoto com uma bela moça da qual anda pela escola. Tímido ele responde que há certos assuntos das quais eles, mesmo sendo “amigos”, não podem conversar. É uma necessidade de ignorar o que se encontra a volta por não saber a resposta ou não ser sociavelmente bem aceito.

Talvez aparente ser incrivelmente belo demais, afinal, é conduzido por uma das pessoas mais influentes da moda atual. Mas a verdade é que, como todo bom diretor, um filme deve levar sua marca e Direito de Amar esbanja o extremo bom gosto de seu realizador e muito mais que isso, é uma obra admirável e surpreendente. 

Nota: 9,5/10

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