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29.3.13

Crítica: Watchmen - O Filme


WATCHMEN - O FILME
Watchmen

EUA , 2009 - 156 min.
Ação / Drama / Ficção científica

Direção:
Zack Snyder

Roteiro:
Alex Tse, David Hayter

Elenco:
Jackie Earle Haley, Patrick Wilson, Billy Crudup, Jeffrey Dean Morgan, Malin Akerman, Matthew Goode, Carla Gugino, Matt Frewer, Stephen McHattie, Laura Mennell, Robert Wisden

Sempre nos deparamos com expectativas quando ouvimos dizer que algo será adaptado. Quando a bola da vez foi Watchmen, a HQ mais conceituada da história, o mundo nerd parou e estremeceu. Uma tentativa de adaptação para outros meios já haviam sido tentada ao longo de três décadas. Nenhuma com êxito. A história simplesmente é complexa, com extrema carga de conteúdo e nem de perto mercadológica. Felizmente a tentativa de utilizar apenas um personagem e reduzir o conteúdo pesado foi deixada de lado após um tempo. A iconográfica HQ de Alan Moore merecia uma adaptação fiel e louvável ao material original. E conseguiu. Zack Snyder utiliza a abundante fidelidade que realizou “300” e vai além com Watchmen, superando em momentos, o material original.

Na trama, há tensão entre os Estados Unidos e a União Soviética em algo que se assemelha a Guerra Fria. Há um relógio que os cientistas desenvolveram pra medir quanto tempo de vida resta à humanidade, caso os dois países decidam se atacar e ele se encontra às 11:55, indicando a eminência da extinção humana. Quando um dos vigilantes aposentados morre, Rorschach decide avisar aos outros que eles podem estar correndo perigo em uma conspiração maior do que a prevista.

A direção de Zack Snyder é soberba. Aprimora toda a absurda técnica de “300” e cuida minuciosamente de cada detalhe de Watchmen. A fotografia é felicíssima em mesclar diversas palhetas de cores para ressaltar o tom e a gravidade de cada cena. Ora se apresenta opaca, outra muito viva. Tudo sem parecer forçado, afinal, a ocasião permite.  O slow-motion, assim como o “trojan horse” (nome dado ao movimento de câmera, onde, do slow-motion, a película é acelerada e volta rapidamente à técnica anterior) é utilizado abundante, mas belamente.

A edição do filme é precisa e permite que o longa seja instigante em seus longos 162 minutos de projeção, mesmo que a carga empregue no mesmo seja enorme.  O roteiro é alinhado de maneira que se aproveita, literalmente, cada segundo de projeção.  Assim como em sua adaptação à a consagrada HQ de Frank Miller, Snyder surpreende os fãs com a extrema fidelidade ao material original. Há sequências que, literalmente, são extraídas completamente da HQ. Isso é magnificamente exposto no roteiro e em toda direção de arte, que nada deixa a desejar. O texto sabe, audaciosamente, dar espaço para o desenvolvimento de todos os personagens principais (que não são poucos) de maneira tão precisa quanto o próprio protagonista. Exemplo disso são todas as sequências de Dr. Manhattan, que são um universo a parte. Belíssimo e igualmente complexo.

A direção de atores é eficaz e entende a necessidade de não haver tantas elevações em uma película que depende de inúmeros personagens dentro do núcleo central. Isso, claro, sem deixar de aproveitar os atores, em especial, Jackie Earle Haley e Jeffrey Dean Morgan, ambos em memoráveis sequências.

Memorável também é a maravilhosa seleção de Tyler Bates. A trilha conta com Nat King Cole, The Sound of Silence de Simon e Garfunkel, KC & The Sunshine Band, Hallelujah de Leonard Cohen, Jimi Hendrix, Bob Dylan, entre outros. Este último colabora para a construção de uma das mais lindas aberturas de créditoS, se não a mais, de toda a história do cinema. The Times They Are A-Changin´ é a combinação perfeita para a ideia da impressionante sequência que viaja, através da verossimilhança, em alguns acontecimentos históricos da época em que o longa se passa.

Entretanto, o grande triunfo de Watchmen é saber, assim como nas HQ’s, lidar com inúmeras abordagens de maneira complexa, com assuntos igualmente opostos. Consegue transpor toda crítica que o material faz a política, religião, moral e, acima de tudo, pessoas. Sobressai-se com muito sucesso em alterar (uma das poucas que realmente são relevantes em termos de adaptação), o grand finale do terceiro ato. Mais do que isso, convence o público de maneira racional e inteligente que a sequência das HQ’s simplesmente não funciona (e realmente não funcionaria) no cinema se fossem mantida exatamente como é. Sem spoilers, devo confessar que supera a original e consegue passar a mesma ideia. Genial.

É compreensível que, depois de inúmeras decepções, Alan Moore tenha se recusado a colocar seu nome no projeto quando o mesmo foi anunciado. Mas se negar a ver Watchmen é uma infelicidade. Principalmente pela devoção de um diretor tão apaixonado quanto Snyder foi na adaptação do material original. Uma obra-prima que foi adaptada à altura e deve ser igualmente contemplada. 

Nota: 10/10


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