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3.3.13

Crítica: A Rede Social


A REDE SOCIAL
The Social Network

EUA , 2010 - 120 minutos
Drama

Direção:
David Fincher

Roteiro:
Aaron Sorkin, Ben Mezrich (livro)

Elenco:
Jesse Eisenberg, Andrew Garfield, Justin Timberlake, Armie Hammer, Rooney Mara, Max Minghella, Rashida Jones

* Vencedor de 3 Oscars

Quando David Fincher anunciou que retrataria um filme sobre a origem do Facebook, muitos viraram a cara. Apesar da incontestável genialidade do diretor, o tema parecia um tanto quanto fraco e comercial já que parecia aproveitar-se de uma sacada mercadológica com o rápido e global crescimento da rede social. Feliz engano. Fincher adapta o livro "Bilionários por acaso" com extremo brilhantismo e força ao ponto de A Rede Social ser um dos melhores filmes da sua maravilhosa carreira.

A trama retrata Mark Zuckerberg já dentro de Haward e amigo do brasileiro Eduardo Saverin. Após uma briga que resultaria no termino de seu namoro com Erica (Rooney Mara), Zuckerberg inicia um processo de vingança na internet que, por acaso, em entre várias situações e encontros, resultará na maior rede social do planeta. Ambicioso, o nerd decide avançar sozinho em suas ideias, abandonando todos os envolvidos, resultando em processos bilionários.

Impressionante é a precisão soberba de Fincher em tornar o longa extremamente complexo e intrigante. Desde o roteiro afiadíssimo, firme e provocador, passando pelo inacreditável trabalho sonoro de Trent Reznor, até uma grandiosa direção de arte, incluindo uma rápida e acertada fotografia. A direção de atores é um universo a parte.

O que o diretor de Clube da Luta consegue fazer é mostrar explicita e implicitamente a incapacidade de Zuckerberg de se comunicar. Uma vez que o jovem possuí uma incrível habilidade de observação, pré-julgamento, egocentrismo, astúcia e de certa forma, perversidade perante boa parte dos seres que o cercam. Demonstra também certa frieza em não se importar com seus poucos amigos, completo descaso com óbvios padrões sociais (como andar de pijama no meio de uma das faculdades mais respeitadas do mundo) ou respeito por pessoas que não considere relevante a seu julgamento. É como se tudo fosse negócios, até mesmo dentro da amizade ou em seu relacionamento amoroso. Para expor tantos sentimentos dentro de uma pessoa que não os demonstram, Jesse Eisenberg encara o papel. Seu trabalho aqui ultrapassa escandalosamente suas performances anteriores. Dono de uma fala exageradamente rápida (dificulta até mesmo em ler as legendas do filme ou entendê-lo com fluência no inglês), expressão levemente robótica, Eisenberg sabe viver perfeitamente Zuckerberg. Muito competente também é o resto do elenco, dando destaque para Andrew Garfield, Justin Timberlake, Rooney Mara e Armie Hammer interpretando os gêmeos Winklevoss.

O mais irônico dentro disso tudo é ver como um garoto com tantas características citadas conseguiu chegar aonde chegou. E é exatamente aí que David Fincher joga sua cartada de mestre. Dentro de um mundo cercado de potenciais gênios, onde o próprio reitor da faculdade afirma que Haward incentiva seus alunos a criar algo diferente e inovador, e não ser escravo do mercado de trabalho. Em seletos e famosos clubes de alunos do mais alto nível, conhecido até mesmo fora dos cinemas,  a habilidade de Zuckerberg, antissocial e inadequado, pareça improvável de crescer dentro do mercado. A verdade é que tudo é bem o oposto. A incapacidade de ouvir (que ganha força com sua fala extremamente rápida), o alto nível de observação e raciocínio, e sim, a frieza de passar todos para trás, fez com que o jovem chegasse aonde queria. O que o mercado, mesmo negando, de fato, valoriza: individualidade. É um salve-se quem puder. Em silêncio e incomodamente, todos entendem, mas se negam a aceitar, gerando um excepcional jogo de competições. Incomodam-se uns, mais que os outros, de não conseguir aproveitar para se juntar a uma oportunidade como essa, outros por incompreender como alguém tão problemático e incomunicável (a trilha de Reznor zumbe, nítida ou subliminarmente a todo instante para simbolizar os constantes ruídos em sua comunicação) e como alguém tão genial e inventor da maior rede social do planeta, por contradição, é mais solitário que nunca. 

O impagável final, após uma etapa de um longo processo judicial, senta-se a frente de seu notebook e visualiza o perfil de sua ex-namorada, assim que sua advogada deixa a mesa. Imaginando que depois da intensa discussão e humilhação que fez a garota passar, ela ainda possuí uma conta em sua rede. Adiciona-a e, incessantemente, atualiza a pagina na esperança de ser adicionado. O ápice da carência de um homem com 1 bilhão de amigos que nunca viu na vida.

Nota: 10/10

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