Procure uma crítica

10.3.13

Crítica: Hitchcock


HITCHCOCK
Stephen Rebello 

Biografia / Drama

Direção: 
Sacha Gervasi

Roteiro: 
John J. McLaughlin

Elenco: 
Anthony Hopkins, Helen Mirren, Scarlett Johansson, Jessica Biel, Toni Collette, James D’Arcy, Michael Wincott, Danny Huston

* Indicado ao Oscar 2013


De tempos em tempos, vemos artistas que são movidos por suas melancolias pessoais. Quando elas atingem seu ápice, muitos deles conseguem convertê-las em obras-primas. Aconteceu com Lars von Trier e seu Anticristo, Piaf e "Non, Je Ne Regrette Rien", Van Gogh e "A Noite Estrelada", Capote e "A Sangue Frio", entre outros. Estes misteriosos acontecimentos são cientificamente inexplicáveis, mas que deixaram, de fato, estas obras ainda mais místicas. Dentro destas intenções, o (quase) novato Sacha Gervasi adapta e ficcioniza "Os Bastidores de Psicose" querendo dramatizar determinadas situações maiores do que foram, na verdade. Claro que com um gênio quanto Hitchcock, um irreconhecível Anthony Hopkins e uma irrepreensível Helen Mirren não façam o longa fluir a seu favor.

A trama foca exclusivamente a época em que Hitchcock está terminando de lançar Intriga Internacional e não possuí planos para seu próximo filme. Nas temerosas perguntas sobre aposentadoria, o excêntrico diretor decide então embarcar em um projeto que quebrasse seus próprios paradigmas e se autoafirmar-se.

Hitchcock, assim como o já citado Von Trier, era um diretor severo com seus atores, em especial, suas protagonistas. Diferente de Lars que exprime ao máximo de suas atrizes para atingir o ápice de suas atuações, Alfred nutria paixões reprimidas por suas belas atrizes. Mesmo sendo casado com sua assistente Alma Reville, da qual nunca recebeu os créditos merecidos por sua grande colaboração com o cineasta. Dentro de todo este contexto, o Gervasi explora mais Hitchcock que sua obra em si. Para fazê-lo, executa um trabalho de maquiagem de resultado oras genial, oras de gosto duvidoso. Apesar da semelhança que a técnica consegue produzir em Hopkins, o tom pesado é perceptível e certa desproporção também. Para compô-lo, Anthony Hopkins incorpora um ótimo Hitchcock, porém, caricato. As belas Scarlett Johasson e Jessica Biel cumprem seu papel com precisão, fazendo Janet (a protagonista de Psicose) e Vera Milles, uma atriz que desapontou o cineasta ao preferir um casamento ao invés de sua carreira como atriz. Quem rouba as cenas também é Helen Mirren, maravilhosa como sempre.

À medida que o roteiro vai estabelecendo uma conexão entre a realidade e a ficção, Sacha acerta em explorar e dar destaque a relação de Hitchcock e Reville, mas exagera em afundar o cineasta em um exagero drama que sente a necessidade de mistificar Psicose. Enquanto Hitchcock fazia um filme que no fundo, esperava ser encarado com uma comédia, na adaptação, dramatiza um estado de psicose no próprio cineasta, intensificando grotescamente, a famosa sequência do chuveiro.

Por fim, Hitchcock explora um cineasta que, dentro de suas formas frias, egocêntricas e incompreendidas, também sabia ser engraçado, ciumento e divertido. E que até mesmo, o considerado melhor cineasta de todos os tempos, precisava de suporte. Amorosa ou profissionalmente.

Nota: 7,5/10



Nenhum comentário:

Postar um comentário

(Comentários de baixo calão serão moderados e excluídos)