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3.3.13

Crítica: As Vantagens de Ser Invisível


AS VANTAGENS DE SER INVISÍVEL
The Perks of Being a Wallflower

EUA, 2012 - 103 min.
Drama

Direção:
Stephen Chbosky

Roteiro:
Stephen Chbosky (adaptação de seu próprio livro)

Elenco:
Logan Lerman, Emma Watson, Ezra Miller, Nina Dobrev, Paul Rudd, Mae Whitman, Melanie Lynskey, Melanie Lynskey, Johnny Simmons, Zane Holtz, Reece Thompson, Erin Wilhelmi, Joan Cusack

O início do ensino médio não é fácil para nenhum adolescente. Culturamente dizendo, parece que esta fase piora bruscamente dentro das terras do tio Sam. O alto índice de surtos, assassinatos, bulliyng e violência dentro das escolas americanas vindo de alunos considerados excluídos, quietos ou denominados "losers" pelos alunos mais populares são incontáveis. Como se não bastasse a carga de pressão tradicional que os americanos fazem em cima dos estudantes, há toda uma força de rituais que parecem ser obrigatórios para que você desfrute o melhor da escola, como se o fato da adolescência estar, de fato, indo para o espaço e uma vida de responsabilidades estar chegando não fossem o suficiente para aterrorizar muitos estudantes. É entre estes temas não tão incomuns, que o segundo longa de Stephen Chbosky se destaca pela incrível delicadeza de sua direção.

As Vantagens de Ser Invisível mostra a jornada de um garoto perturbado pela morte de sua tia, pelo suicídio de seu melhor amigo, tornando-o incrivelmente solitário. Tentando ingressar neste período determinante, Charlie (Logan Lerman) aos poucos vira amigo de Patrick (Ezra Miller) e Sam (Emma Watson). Quando os dois descobrem a situação pelo qual seu novo amigo vive, tentam incluir o solitário garoto em seu circulo social. Entre as descobertas e pressões de ser um adolescente e um bom amigo, Charlie sofre com algo perturbador do passado que pode alterar seu futuro permanentemente.

Talvez seja pelo fato da obra original ser adaptada por seu próprio criador que o filme pareça tão focado em expor os personagens de forma tão carismática e consequentemente, interessantes e fortes. Apesar de não possuir uma técnica fotográfica ou a própria direção de arte que seja digna de elogios, nada é incorreto. O que se destaca, muito positivamente, é a acertadíssima trilha sonora. Tão acertada, que boa parte da linguagem figurativa dos personagens são expressas dentro das músicas, além de compor maravilhosamente bem a ambientação do longa. Exemplo disso são as belas sequências dentro da ponte.

A direção de atores junto do esforço dos mesmos é inspiradora e surpreendente. Emma Watson definitivamente deixou para trás seu papel como Hermione Granger. Logan Lerman segura de forma impressionante o delicado papel de Charlie. O garoto consegue expressar e transpor precisamente todas as necessárias expressões e presença necessária para um personagem complexo deste, sem nunca apelar para o exagero ou ficar na monotonia típica destas produções. E Ezra Miller mostrou realmente a que veio como ator. Elogiável.

A ressalva que o longa deixa, é pelo fato de possuir uma estrutura narrativa, além de um roteiro um tanto quanto parecido com Mistérios da Carne (confira a crítica aqui), com Joseph Gordon-Lewitt. Os filmes utilizam caminhos diferentes, mas parecem que teclam quase que exatamente na mesma mensagem. Não é um erro em si, mas quem assistiu à película de Gregg Araki entenderá o que digo. Faz com que a experiência completa não seja tão original (em abordagem) quanto aparenta ser. Mas como outras competências (e são muitas) devem ser levadas em consideração, principalmente pela força que As Vantagens de Ser Invisível consegue produzir e atingir tocantemente todos os seus temas abordados, não há como não apreciar esta bela obra.

Nota: 8,2/10

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