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10.2.13

Crítica: Lincoln


LINCOLN

EUA, 2012 - 150 minutos
Drama

Direção:
Steven Spielberg

Roteiro:
Tony Kushner

Elenco:
Daniel Day-Lewis, Sally Field, Tommy Lee Jones, Joseph Gordon-Levitt, David Strathairn, Lee Pace, Jared Harris, Hal Holbrook, James Spader, John Hawkes, Tim Blake Nelson, Bruce McGill, Joseph Cross, David Costabile, Byron Jennings, Dakin Matthews, Boris McGiver, Gloria Reuben, Jeremy Strong e David Warshofsky, Michael Stuhlbarg, Walton Goggins, Jackie Earle Haley

* Indicado ao Oscar 2013

Com exceção ao competente As Aventuras de Tintim, Steven Spielberg vem despencando nos últimos anos (mais precisamente desde Munique) perto do que já havia sido. Entrando como produtor executivo em porcarias como Cowboys e Aliens, M.I.B – Homens de Preto 3, Transformers e a direção do chato Cavalo de Guerra.  Agora o diretor de Jurassic Park se redime completamente, trazendo um filme sensível, poderoso e de atuações absolutamente espetaculares. Lincoln é o pedido formal de desculpas de um diretor que passou a vida construindo a história do cinema e nos últimos anos, ajudando a destruí-la.

A trama segue a adaptação do livro de Doris Kearns Goodwin que foca, exclusivamente, a jornada do 16º Presidente dos Estados Unidos para extinguir a escravatura e a guerra dentro do país, que viria afetar permanentemente os americanos e até o mundo.

Tudo dentro do novo longa de Spielberg é admirável. Desde a minuciosa direção de arte, incluindo uma fotografia exemplar e linda, ao roteiro de diálogos excepcionalmente precisos, afiados e memoráveis. Claro que para obter sucesso com tamanha pretensão de história, núcleo e timing, o diretor se encarregou de trazer duas dezenas dos atores mais sensacionais do cinema atual, o que faz, diretamente, Lincoln atingir seu devido patamar. Afinal, em seus longos 150 minutos, Steven abdica da ação para focar em diálogos. E é aqui que estes atores, principalmente Daniel Day-Lewis, Tommy Lee Jones, Sally Field, David Strathairn dão um espetáculo em atuações. Day Lewis, mais que parecido fisicamente com o Presidente, faz uma encarnação esplêndida de Abraham. Seu timing, timbre de voz, expressões e presença de cena transcendem a excelência dos atores coadjuvantes, e espelham o ápice de performance de um dos melhores atores da atualidade. Sua indicação e provável premiação no Oscar este ano como melhor ator é mais do que merecida. É obrigatória.

Spielberg explora em Lincoln, maravilhosamente bem, toda a politicagem que os membros do governo precisam enfrentar. Impressiona o telespectador à reflexões sobre humanidade em cenas que expõe o absurdo e o insensato (o que é muito claro hoje, mas não parecia ser na época) sobre os negros terem a mesmas condições de vida que uma pessoa branca. Pior que isso, questionar se eles possuíam o mesmo grau de humanidade de uma pessoa de pele clara. Também o prazer e a normalidade do que muitos tratavam a compra e venda de escravos negros, utilizando-os até, como forma de investimento patrimonial. Travando uma sangrenta guerra entre parte dos EUA que se dividiu quando o Presidente decidiu fazer uma emancipação para a libertação dos escravos, o diretor americano não poupa o público de ver, mesmo que sobre segundo plano, os horrores e as inúmeras vitimas de uma guerra que, claramente, questiona a crueldade da humanidade.

Com tanta história para ser contada, Lincoln se sustenta de diálogos eficazes e poderosos, certas vezes divertidos, mas como é comum no gênero, sofre levemente com excessos, deixando-o pesado, devidas vezes. Nada que tire sua genialidade ou que não seja rebatido por Daniel Day-Lewis.

Assim como seu concorrente direto (Argo) e outros indicados, como Django Livre e Os Miseráveis, a intensa indicação de Lincoln no Oscar, revela as intenções do prêmio este ano. O que precisamos saber agora é se o filme falso que salvou seis americanos no Irã (Argo) será páreo para competir com 16º Presidente dos EUA. A mensagem de paz e humanidade americana está lançada.

Nota: 9,5/10

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